Japão revela tradições culturais mais importantes da véspera de Ano Novo

Tóquio – A cultura japonesa reúne tradições culturais e religiosas que ganham força na transição de um ano para outro. Acompanhe cada prática, quando ocorre e como é realizada.
Namahage

Os Namahage são seres divinos (kami) ou ogros e demônios (oni) do folclore japonês originários da Península de Oga (Akita). Apesar do visual assustador, são divindades benevolentes que alertam contra a preguiça e concedem bênçãos de boa sorte para o Ano Novo. Em diversos locais da península é possível conhecer os Namahage e suas histórias.
O ritual ocorre anualmente na véspera do Ano Novo (31 de dezembro).
• Visitantes assustadores: Homens jovens da comunidade usam máscaras de ogros e capas de palha tradicionais (mino ou kede). Com facas largas de cozinha ou varas rituais, caminham ruidosamente pelas casas e batem às portas.
• A busca: Ao entrar, gritam em dialeto local perguntas como Naku ko wa ine ga (Tem crianças chorando) e Warui ko wa ine ga (Tem crianças que se comportaram mal), assustando as crianças, desencorajando a preguiça e reforçando o bom comportamento.
• Interação familiar: Os adultos oferecem saquê e bolos de arroz (mochi) aos Namahage e garantem que todos se comportaram bem no ano que passou.
• Bênçãos: Depois da refeição ritualística, os Namahage deixam a casa desejando saúde e boa sorte antes de retornar às montanhas.
• Amuleto da sorte: Um pedaço da palha caída da roupa do Namahage é visto como proteção e boa sorte, sem que seja permitido puxá-la de propósito.
O nome Namahage pode vir de namomi (vermelhidão causada por ficar muito tempo sentado diante do fogo) e hagu (descascar), simbolizando o ato de remover a preguiça. Embora tenham aparência demoníaca, são considerados deidades visitantes (raihō-shin) que fortalecem os laços comunitários. O ritual é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Onde ver o Namahage
• Museu Namahage
O museu fica em Oga (Akita) e exibe mais de 150 máscaras de diferentes regiões.
• Festival Namahage Sedo
Realizado todos os anos em fevereiro no Santuário Shinzan. Em 2026 ocorrerá nos dias 13, 14 e 15 de fevereiro, com apresentações, tochas e tambores.
Toshi Koshi Soba

O macarrão é consumido na véspera de Ano Novo para atrair sorte, longevidade e prosperidade. Toshi Koshi significa atravessar o ano. Há registros de que o soba tenha origem chinesa e que chegou à culinária japonesa ainda no período Jomon (10.000 a.C. – 300 a.C.). Há também registros de cultivo e produção da farinha no período Nara (710 d.C. – 794 d.C.).
Simbolismos
• Longevidade: Os fios longos representam vida duradoura e saúde.
• Prosperidade: A farinha de trigo sarraceno era usada por ourives para coletar restos de ouro, o que reforçou a associação com riqueza.
• Deixar o passado para trás: O fato de o macarrão se partir facilmente simboliza o abandono de dificuldades e arrependimentos.
Preparo e consumo
• Tradicionalmente servido em caldo dashi com kombu e peixe bonito.
• Deve ser consumido antes da meia-noite para simbolizar a travessia do ano.
• Pode ser servido quente ou frio. No Brasil é comum comer frio; no Japão, por ser inverno, é servido quente.
• Deixar soba no prato pode ser visto como sinal de abandono da sorte.
Joya no Kane – 108 badaladas

Tradição budista em que o sino do templo é tocado 108 vezes na véspera de Ano Novo para purificar o novo período dos desejos terrenos. O toque começa antes da meia-noite e termina logo depois.
Significado
O número 108 representa os desejos terrenos que levam ao sofrimento. Cada toque purifica um desses desejos. Muitos templos permitem que o público participe, embora alguns locais famosos exijam ingressos. Entre os templos mais procurados estão Chion-in em Kyoto e Shitennoji em Osaka.
Osoji

É a limpeza profunda feita pelas famílias no fim do ano. Mais que uma limpeza física, é um ritual cultural e espiritual que prepara a casa para o Ano Novo e para receber a divindade Toshigami-sama.
Propósito
• Remoção de impurezas físicas e energias negativas acumuladas ao longo do ano.
• Acolhimento da boa fortuna com uma casa limpa e harmoniosa.
• Conclusão de tarefas e pendências para iniciar o ano renovado.
A prática ocorre tradicionalmente no fim de dezembro, embora historicamente começasse por volta de 13 de dezembro. A limpeza deve terminar antes de 31 de dezembro.
Outros pontos da tradição
• Decorar a casa na véspera é considerado ichiya-kazari e traz azar.
• Fazer limpeza na véspera pode significar varrer a própria sorte.
Como é feita
A limpeza começa de cima para baixo e inclui tarefas que normalmente não são feitas no dia a dia, como lavar portas de correr (fusuma), telinhas, tirar pó de tetos e locais altos, limpar altares domésticos e descartar itens quebrados. Após tudo pronto, entram as decorações de Ano Novo (oshōgatsu-kazari), como kadomatsu e shime-kazari.
Fotos: Canva








































