Conheça a Ilha de Sado e a antiga rota do ouro no Japão

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Niigata – Um dos lugares que merecem uma visita é a Ilha de Sado, na costa da província de Niigata. No passado, ela era usada como exílio dos inimigos políticos dos governos do Japão. E também abrigou minas para exploração de ouro. Hoje é um ponto turístico de valor histórico e natural que o Japão tem a oferecer.

Quando vista de cima, Sado se assemelha a dois peixes nadando um em torno do outro. É marcada por um conjunto de montanhas paralelas conectadas por uma faixa de terra, abrigando residências em estilo muito diferente do que se encontra em outras partes do Japão, publicou o Visit Sado.

Exílio de políticos e religiosos

Sado fica a 40 quilômetros da costa de Niigata, perto o suficiente para ser alcançada com balsas que operam em vários horários por dia. Mas no passado do Japão, abrigou aqueles que eram considerados como inimigos do regime, fossem políticos, religiosos ou outros. Foi o caso do imperador Juntoku, que foi banido para a ilha após a derrota na guerra Jokyu, em 1221, ficando lá até a sua morte em 1242.

Curiosamente, a presença destas personalidades na ilha trouxe algo da cultura refinada de Kyoto, como é o caso do noh. No período Edo, a ilha tinha mais de 200 palcos de teatro noh em suas vilas, santuários e até em propriedades privadas. Hoje existem 32 deles, ainda assim a maior concentração em relação a outros pontos do país.

No ano de 1601 foi descoberto ouro em suas colinas, gerando uma corrida em busca do metal precioso. Então foi aberta uma grande mina perto de Aikawa, no oeste da ilha. A notícia da existência de ouro ali fez surgir a construção de portos, que recebiam vários barcos mercantes carregados de mercadorias de Osaka, Hokkaido e de outras regiões do Japão.

Depois, após atingir seu pico, a exploração de ouro começou a cair, ocasionando a diminuição dos barcos que chegavam. Mas o fato histórico ficou cravado na ilha.

As montanhas de Sado

Quem vê a ilha talvez pense que seja pequena, mas sua linha costeira estende-se por 280 quilômetros. As estradas seguem o contorno da terra, as quais ligam vilas de pescadores. Caminhando um pouco mais, o visitante pode se deparar com campos de arroz, uma floresta de cedros e faias.

Outro detalhe da ilha é a transparência de suas águas, o que pode ser mais bem apreciado nos passeios de tarai-bune, um barco de pesca redondo, feito à mão. É como uma banheira arredondada que se tornou uma marca de Sado. Os tarai-bune são vistos por ali desde o final do século 19. Dá para ir até o Porto de Ogi e negociar um passeio, sem a necessidade de fazer reserva.

Mas existem outras opções, como ir ao Centro de Intercâmbio de Experiência Yajima para embarcar em um tarai-bune com fundo parcialmente transparente e observar as algas balançarem e os peixes dispararem no fundo do mar.

Quem curte caminhar, o Monte Donden, também chamado de Monte Tadaramine, é um planalto com três picos com cerca de 900 metros de altura. É apreciado no final da primavera, quando ganha o brilho de flores ao redor, e no verão, com suas trilhas frescas.

O monte fica a 40 minutos de carro do Porto de Ryotsu, onde iniciam as trilhas para caminhadas que podem durar de uma a seis horas. Nas noites de céu limpo não é raro alguém se espantar com tantas estrelas brilhando.

Na costa norte fica o Onogame, um grande monólito com a forma de tartaruga, que fica a 167 metros acima do mar. No final de maio ao início de junho suas encostas se tornam amarelas com os lírios-de-um-dia. Dizem que a caminhada até o topo leva 20 minutos e é suave para a maioria das pessoas, de onde se vê a vizinha Futatsugame. Não é cobrada taxa e é um local de parada para quem passeia pela ilha.

Tempos áureos

Dá para visitar a Mina de Ouro Sado Kinzan, em Aikawa, que hoje é um Patrimônio Mundial. Os visitantes têm acesso a dois túneis históricos, onde estão manequins em tamanho real representando cenas do Pergaminho Ilustrado da Mina de Ouro, entre outros itens preservados.

Rodando de carro por 30 minutos, chega-se ao Parque Florestal Toki, que oferece um tipo de história mais silenciosa. O local é marcado pela presença do toki (íbis-de-crista), que havia desaparecido em 2003, mas foi recuperado graças a um programa de reprodução local, iniciado com aves presenteadas pela China, chegando a um número de cerca de 480. O parque abre diariamente, com recintos, uma praça de observação e um pequeno museu.

Gastronomia

A ilha oferece também uma culinária que preza os ingredientes locais. O restaurante Soba Yozaemon, em Aikawa, moe a farinha de trigo sarraceno. O macarrão resultante é cortado em tiras grossas, mas é consumido com uma textura firme. O local abriga também exposições de artesanato.

Outro local é o Shikisai Kappo Den, onde o sashimi é fresco e preparado com precisão, podendo ser apreciado com saquê de pequenos lotes. Já na borda da Baía de Mano, o Nagahamaso Uodojo funciona tanto como estalagem quanto como cozinha ativa e onde são servidos sushis de primeira qualidade.

Sado tem todas estas atrações e uma que mostra ser um universo à parte do Japão. Ali o ritmo é diferente, sem pressa. Ao visitar a ilha, reserve pelo menos três dias para conhecer os trajetos, para poder parar com frequência e apreciar o ritmo da ilha. Os ilhéus de Sado dizem que quando chega a hora de partir, os visitantes sempre desejam ficar um pouco mais.

Foto: Reprodução/Yajima Kyojima Tarai-bune por Ito Yoshiyuki. CC BY-SA 3.0. Disponível em Wikimedia Commons

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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