Arte na Sala dos Parangoromos, do Pavilhão Brasil, inspira criatividade de japoneses

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Osaka - A Sala dos Parangoromos, no Pavilhão Brasil, na Expo 2025 Osaka, fica no segundo edifício. O Espaço Brasileiro é organizado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A curadora Bia Lessa planejou o local para ser um espaço de reflexão, mas também de celebração.

Estão em exibição 12 artes brasileiras na Sala dos Parangoromos. Uma das obras denominadas “Ponto de Vista” foi criada pela artista Carolina Martinez. Formada em História da Arte e Arquitetura no Brasil, ela tem extenso histórico de exibições em diversas regiões do Brasil e no exterior.

Carolina, conforme divulgado pelo Instagram da artista, transita por diversas linguagens como pintura, escultura, fotografia. Ela vem explorando temas como o espaço, a arquitetura e o vazio. Os trabalhos dela promovem reflexões sobre perspectivas da arquitetura, da rotina contemporânea e dos espaços urbanos.

Essa arte inspirou uma visitante japonesa. Kasumi Ikeda gostou tanto da pintura de Carolina que fez o mesmo desenho na camiseta dela. Kasumi já visitou cinco vezes o Pavilhão Brasil. Nessa última, ela, que mora em Osaka, veio com a família e foi recebida pelo diretor do Pavilhão Brasil, Pablo Lira.

Na ocasião, a família toda foi presenteada com a vestimenta Parangoromos e, claro, Kasumi ganhou o Parangoromo que tem o desenho feito por Carolina Martinez. Ela acabou se emocionando com o presente.

“Eu gostei tanto dessa arte que tirei foto. No dia seguinte, já fui fazer o desenho na camiseta. Essa arte tocou o meu coração”, declarou Kasumi, complementando que as imagens da Sala dos Parangoromos são lindas e ficou com vontade de ir ao Brasil. Além disso, após ver as exposições no primeiro prédio, cujo tema é a preservação ambiental, ela comentou: "Quero viver minha vida pensando em coisas ecologicamente corretas, como a reciclagem. O Brasil também é rico em produção de alimentos, então seria interessante se pudéssemos produzir algo junto com o Japão”, disse.

O diretor do Pavilhão Brasil, Pablo Lira, falou que “sentiu enorme alegria por essa visita, em especial, pela arte brasileira ter tocado e emocionado a família”.

Parangoromos

O Parangolé é uma peça produzida pelo artista brasileiro Hélio Oiticica. São peças disformes para serem vestidas e performadas, criadas na época da Tropicália no Brasil, entre os anos de 1964 e 1979. Essa peça não é usada no dia a dia no Brasil.

O objetivo da curadora do Pavilhão Brasil, Bia Lessa, foi expandir a mensagem do Pavilhão Brasil para além do espaço físico, convocando as pessoas para tomar ações coletivas para mudar o mundo. Assim, conforme explica a ideia da artista Bia Lessa, “o visitante também faz parte da exposição”.

Com inspiração no poema intitulado “Parangoromos”, de Haroldo de Campos, Hélio Oiticica se aproxima da cultura japonesa. Por isso, o Pavilhão Brasil tem a Sala dos Parangoromos, uma fusão da vestimenta “parangolé”, criada pelo artista Helio Oiticica, com “hagoromos”, vestimenta tradicional japonesa associada à leveza e espiritualidade. Há ainda tinta branca que os visitantes podem se pintar no rosto ou nas mãos.

São distribuídos mil Parangoromos por dia no Pavilhão Brasil.

Foto: Cedida

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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