Golpe do cartão de crédito no Japão: brasileira perde milhares de ienes

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Aichi – Cristina Helena costuma fazer compras num famoso site de comércio varejista chinês. Mas no mês de fevereiro ela levou um susto quando constatou na fatura do cartão de crédito um gasto de 340 mil ienes. Tirando o valor que realmente gastou, ela verificou que o restante havia sido usado por alguma pessoa na China. Felizmente, ela conseguiu cancelar esse gasto. Mas a sua surpresa maior veio quando foi verificar as faturas do cartão de crédito anteriores. Neste mês de maio, quando o Japão celebra o Mês do Consumidor, a história de Cristina Helena fica como alerta.

Há cerca de dois anos Cristina Helena registrou seu cartão de crédito no site, que é chinês mas está baseado nos Estados Unidos. “Quando vi a fatura com um valor tão alto, liguei na empresa do cartão e consegui cancelar aquela compra. Mas quando verifiquei as faturas anteriores, havia mais gastos feitos com o meu cartão, mas com valores mais baixos durante um ano. Como viram que eu não havia bloqueado o cartão antes, desta vez arriscaram um gasto maior”, relata ela.

Cristina Helena contou que existe uma regra que permite que o portador do cartão de crédito anule uma compra feita com o seu cartão dentro de 60 dias, se a aquisição foi feita por alguém que não o portador. Outros gastos que a pessoa na China fez no site chegaram a 214 mil ienes. Mas estes ela não conseguiu anular.

“Eu uso cartão de crédito para tudo, para pôr gasolina no carro, nas lojas de conveniência. Quando vi que usaram o meu cartão, reclamei no site, mas infelizmente não me responderam até agora. Eu também fui na delegacia para registrar queixa. Segundo ela, a polícia informou que haveria dificuldade para prosseguir com a ocorrência, especialmente porque parte das compras havia sido cancelada e os demais gastos teriam sido feitos fora do Japão.

Então, as providências que Cristina Helena tomou imediatamente foram bloquear o cartão e solicitar um novo, da Rakuten. Agora, quando ela usa o cartão, antes é enviada uma mensagem para o seu celular para confirmar aquela compra quando o valor passa de 5 mil ienes. “Se eu tivesse tomado essa providência antes, não teriam gastado o meu dinheiro. Mas creio que muita gente também não dá muita atenção para a fatura e não verifica se tem gastos irregulares”, afirma.

Depois da experiência amarga, Cristina Helena usa o cartão de crédito apenas com o necessário. “Agora pago muitas coisas com dinheiro, que é o meio mais seguro. E este cartão novo não está registrado em nenhum site. Também estou usando o aplicativo para alguns pagamentos, mas não deixo muito dinheiro lá, pois também não confio mais na segurança”, diz.

“Resolvi contar esta história, porque não quero que outras pessoas passem por isso”, finaliza. Mas infelizmente outras pessoas já haviam sofrido golpes semelhantes.

Entenda a regra dos 60 dias

O prazo de 60 dias para o portador de cartão de crédito contestar cobranças indevidas está previsto na lei norte-americana Fair Credit Billing Act (FCBA), que se tornou referência internacional para operadoras de cartão e instituições financeiras.

O Japão não possui uma lei equivalente à FCBA. No entanto, muitas operadoras trabalham com regras próprias de estorno e chargeback ligadas às bandeiras Visa, Mastercard e outras. Em diversos casos, a contestação pode ser feita em até 120 dias, dependendo da bandeira do cartão, do banco emissor, do tipo de fraude e do contrato firmado com o cliente.

O prazo de 60 dias também costuma ser considerado adequado para que o portador do cartão registre reclamações junto à polícia e aos órgãos de defesa do consumidor. Não se trata de uma obrigação legal específica, mas de uma prática adotada pelo sistema financeiro para facilitar investigações e pedidos de estorno.

É importante lembrar que as operadoras japonesas tendem a ser mais rigorosas do que as dos EUA ou Europa. Mas, quanto mais a pessoa demora para reclamar, menores são as chances de recuperação do valor.

Dicas de como se proteger

A proteção dos dados do cartão de crédito exige uma série de medidas. Um dos caminhos é recorrer aos aplicativos de pagamento, que podem ser baixados no celular. Eles substituem o número real do cartão de crédito por um código temporário, o que reduz o risco de exposição dos dados em caso de vazamento.

Outra alternativa é utilizar cartão de débito em algumas compras, especialmente para limitar gastos elevados, embora as políticas de proteção contra fraude variem conforme o banco.

Uma sugestão é usar cartão de crédito com limite baixo ou exclusivo para compras online. Mesmo com o comprometimento dos dados, o prejuízo tende a ser limitado. Muitas instituições no Japão permitem ajustar o limite pelo aplicativo.

Outra recomendação é evitar salvar os dados do cartão em sites. Embora seja mais prático, esse hábito aumenta o risco em caso de invasão da plataforma. O ideal é inserir os dados manualmente ou usar sistemas de pagamento intermediários.

A notificação ao portador do cartão para cada transação ajuda a identificar o uso indevido imediatamente. A maioria dos bancos e operadoras de cartão oferece esse recurso por aplicativo, permitindo bloquear o cartão rapidamente em caso de suspeita.

É importante também checar a segurança dos sites de compras antes de realizar alguma aquisição. Endereços que começam com https indicam conexão criptografada, embora isso sozinho não garanta que a loja seja confiável.

No caso de lojas físicas, é bom não perder o cartão de vista durante o pagamento. Embora seja menos comum no Japão, há fraudes nas quais os dados são copiados rapidamente por máquinas ilegais.

Outro ponto é evitar redes Wi-Fi públicas para realizar compras ou acessar aplicativos bancários. Elas podem ser monitoradas por terceiros que ficam à espreita de alguma brecha.

Também é importante guardar comprovantes e acompanhar o histórico de compras para se proteger de fraudes. Em caso de cobrança indevida, o tíquete ou recibo pode servir como prova para contestação junto à operadora do cartão.

Adotar essas medidas não elimina totalmente o risco, mas reduz as chances de ter o cartão usado por terceiros. O ponto central é manter controle constante e agir rapidamente diante de qualquer movimentação suspeita.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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