Japão permitirá restrições locais contra hospedagens de curta duração

2026/06/22 11:08
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Tóquio - A Agência de Turismo do Japão anunciou que passará a permitir que municípios adotem regras locais capazes de proibir hospedagens privadas de curta duração em determinadas áreas. A medida ainda não representa uma proibição nacional automática, pois dependerá da revisão das leis locais de cada município. A agência pretende enviar ainda neste mês uma notificação técnica aos governos locais para orientar a aplicação das novas regras.

A decisão tem como base o aumento das reclamações de moradores sobre hospedagens privadas, como barulho, descarte irregular de lixo e outras situações que afetam bairros residenciais. A mudança pode abrir espaço para regras mais rigorosas sobre hospedagens de curta duração, chamadas de minpaku, noticiou o Asahi.

A Agência de Turismo passou a aceitar a possibilidade de municípios criarem áreas onde o minpaku fique praticamente proibido, inclusive com limite de “zero dia” de funcionamento. A medida foi apresentada pelo comissário da Agência de Turismo, Shigeki Murata, em entrevista coletiva realizada em 17 de junho.

A mudança deve valer principalmente para áreas residenciais tranquilas, regiões próximas a escolas e locais onde houver risco de prejuízo ao ambiente de moradia ou de educação. A notificação também deve permitir que municípios exijam medidas como medidores de ruído e câmeras de monitoramento dos operadores de minpaku.

No Japão, a Lei de Negócios de Hospedagem Privada entrou em vigor em 2018 para estabelecer regras sobre esse tipo de hospedagem. A legislação permite a operação mediante notificação e limita o funcionamento a até 180 dias por ano, inclusive em áreas residenciais onde hotéis e pousadas convencionais não podem operar.

Tóquio e Kyoto já haviam adotado leis locais que impõem limites ao número de dias em que um imóvel pode ser alugado, de acordo com a região onde estiver.

Karuizawa, na província de Nagano, já mantém uma diretriz de não permitir a instalação de hospedagens privadas em todo o município. Em outubro, o prefeito Michio Tsuchiya afirmou que o objetivo final era proibir as operações de minpaku em toda a cidade.

Diante desses desdobramentos, a Agência de Turismo decidiu reverter sua posição anterior de que limites de zero dia eram inadequados e permitir que municípios designem áreas onde as hospedagens privadas fiquem efetivamente proibidas.

No comunicado a ser enviado aos governos locais, a Agência de Turismo deverá informar que o limite de zero dia poderá ser introduzido em casos em que houver risco de perturbação de ambientes tranquilos dentro e ao redor de áreas residenciais.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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