Conheça o brasileiro de 22 anos que se formou em Direito no Japão

Gifu – Patrick Kenzo Ishiba, de apenas 22 anos, deu um grande passo em sua caminhada para se tornar advogado no Japão. Ele se formou em Direito pela Universidade Asahi, na província de Gifu, onde reside, com planos de continuar estudando para um dia poder defender clientes japoneses e brasileiros. No momento, ele se prepara para começar a trabalhar em uma empresa onde poderá aplicar muito do que aprendeu nos quatro anos de universidade. Conheça um pouco da história de Patrick, que está apenas começando.
O jovem brasileiro contou que mesmo depois de se formar em um curso de Direito, existem alguns passos para conquistar a profissão de advogado. Um dos passos é passar no Exame Nacional da Ordem dos Advogados (司法試験 – Shihō Shiken), e depois de ser aprovado nesse exame, fazer um período de treinamento no Instituto de Pesquisa e Treinamento Jurídico da Suprema Corte do Japão (司法研修所), que dura cerca de um ano. “Somente após concluir esse treinamento e ser registrado na associação de advogados (弁護士会 – Bengoshikai), a pessoa pode finalmente atuar como advogado, cuidando de processos e representando clientes”, esclareceu.
Nasceu no Japão
Patrick nasceu no Japão em Kakamigahara (Gifu), mas devido às mudanças necessárias feitas por sua mãe, já residiu em outras províncias, como Ibaraki e Gunma, voltando a residir na província de Gifu, na cidade de Tarui. Em sua infância, observou um misto de amizade entre aqueles que gostavam dele por ser brasileiro e falar português, e outros que estranhavam por ser diferente.
Como conseguia se comunicar bem, não teve problemas de adaptação à escola japonesa em sua infância. “Na escola eu falava japonês, mas em casa aprendi português com minha mãe. O mais difícil daquela época da escola eram as lições dadas pelas professoras”, lembra. “Na verdade, eu queria mais é brincar do que estudar”, acrescenta.
Os estudos avançaram e, quando chegou a hora de ir para o colégio (Koko), houve um impasse. Patrick conta que sua mãe tinha planos de retornar para o Brasil, onde tem familiares. “Mas uma pessoa conversou aqui e fez tudo mudar. Pediu para eu ir para o colégio (koko) e depois decidiríamos se ficaríamos no Japão ou iríamos para o Brasil”, explica. No fim, Patrick e sua mãe Patrícia acabaram ficando, com o jovem estudante encarando o desafio do colégio japonês.
Apoio da mãe e do professor de inglês
Ele contou que logo que iniciaram as aulas no colégio, tudo mudou. “Comecei a estudar mais, a praticar esportes e até fui escolhido para ser líder na escola”, revela. Ele, no papel de líder, era responsável por apresentar o estabelecimento para novos alunos ou receber autoridades, como a polícia, quando vinham dar orientações sobre segurança aos estudantes. E foi durante os anos no ginásio (chuugakko) que Patrick começou a pensar em ser um policial. Como sabia que para isso seria preciso se naturalizar japonês e estudar bastante, decidiu que estudaria Direito, para então se tornar policial.
Quando conseguiu o feito de entrar na Asahi Daigaku, seu professor de inglês ouviu o desejo de Patrick e o orientou. “Se você quer ajudar aos brasileiros no Japão, como policial não poderá fazer muito, mas sim como advogado”, disse. E isso marcou a trajetória de Patrick, que passou a focar nesse ponto. “Foram quatro anos difíceis. Eu era o único estrangeiro na classe. Mas me relacionava bem com todos e fiz um amigo, um japonês que mora em Toyama, que me ajudou muito”, conta.
Claro que no decorrer do curso de Direito, Patrick contou com o apoio irrestrito de sua mãe Patrícia. “Ela dizia que eu lutei bastante para entrar na universidade e que era para eu não desistir, que conseguiria. Então, quando tirava notas boas, sempre mostrava para ela”, confessa.
Planos futuros
No que dependesse de Patrick, seguiria fazendo mais cursos na área de Direito para se especializar. Mas, como muitos universitários, ele precisou buscar um emprego. “Consegui rapidamente um trabalho em uma empresa de fitness, que vende suplementos e que administra academias de ginástica. Vou iniciar meu trabalho dia 1º de abril, cuidando da parte de vendas e dos contratos. Essa empresa trabalha com franquia e oferece planos promocionais para empresas que favorecem que seus funcionários pratiquem exercícios físicos”, explica.
Patrick disse que se sentirá em casa, pois muitos dos futuros colegas de trabalho estão na mesma faixa etária dele. “A empresa foi fundada há nove anos e tem planos de abrir novas unidades”, conta. Ele contou que planeja guardar dinheiro para poder voltar a estudar em sua área profissional, tendo preferência pelo Direito civil e trabalhista.
“O que posso dizer para os brasileiros no Japão é que nesses anos todos eu sempre acreditei em Deus, que foi minha fortaleza, me deu forças para suportar e enfrentar as dificuldades. Sem Ele eu não teria conseguido. Claro que sempre aparece alguém tentando atrapalhar o caminho, mas eu sei que estando com Deus estarei sempre seguro. É como dizem, se Deus é por nós, quem será contra nós? Por isso, digo a quem quer que seja que não desista, seja agradecido aos seus pais e às pessoas que estão te ajudando e sigam sempre em frente”, finaliza.
Fotos: Cedidas







































