Japão define quando uso de vozes e imagens por IA viola direitos

2026/08/17 06:03
Compartilhar:

Tóquio – O Ministério da Justiça do Japão divulgou diretrizes segundo as quais a publicação nas redes sociais de vídeos e outros conteúdos criados com inteligência artificial (IA) generativa que utilizem vozes semelhantes às de atores, dubladores e outras personalidades pode configurar violação de direitos, especialmente quando a voz é explorada comercialmente sem autorização.

O relatório foi divulgado na sexta-feira (7) por um grupo de especialistas do Ministério da Justiça criado para analisar a responsabilidade civil decorrente do uso não autorizado de imagens e vozes. O documento busca esclarecer como a legislação e a jurisprudência atuais podem ser aplicadas aos casos envolvendo IA generativa.

No Japão, não existe uma legislação específica que estabeleça os chamados "direitos de voz". No entanto, o relatório considera que a voz de uma pessoa pode ser protegida pelo direito de publicidade, especialmente no caso de celebridades cuja voz tenha valor comercial, assim como pelo direito de não ter a própria voz utilizada arbitrariamente.

A discussão ganhou força diante do aumento do uso não autorizado das vozes de dubladores, atores e outras personalidades por sistemas de IA generativa. Representantes do setor de dublagem também vinham solicitando medidas para proteger suas vozes contra esse tipo de utilização.

As diretrizes abrangem tanto empresas quanto usuários de sistemas de IA generativa e apresentam diferentes situações hipotéticas para explicar quando uma utilização pode configurar violação do direito de publicidade ou do direito de uma pessoa de não ter sua voz ou imagem utilizada arbitrariamente.

O relatório do Ministério não cria uma nova lei nem estabelece punições específicas, mas apresenta parâmetros jurídicos que poderão ser considerados na análise de cada caso.

Em um dos exemplos, uma música é criada com IA utilizando uma voz semelhante à de um cantor ou dublador e posteriormente publicada nas redes sociais para obtenção de receita. Dependendo das circunstâncias e da possibilidade de identificar a pessoa cuja voz foi reproduzida, a utilização pode configurar violação do direito de publicidade. O relatório também menciona casos de uso da voz em produtos como audiolivros, adesivos de voz e narrações publicitárias.

As pessoas que tiverem seus direitos violados poderão recorrer à Justiça para pedir indenização por danos e, dependendo do caso, a interrupção ou remoção do conteúdo. O relatório também analisa a possibilidade de aplicação da Lei de Prevenção da Concorrência Desleal em determinadas situações.

Outro exemplo analisado envolve a criação de conteúdos obscenos utilizando vozes semelhantes às de dubladores ou outras pessoas reais. Nesses casos, além de eventual questão relacionada ao direito de publicidade, pode haver violação do direito de a pessoa não ter sua voz utilizada arbitrariamente, especialmente quando o conteúdo pode prejudicar sua dignidade, imagem ou reputação. Essa proteção não se limita necessariamente às celebridades e pode alcançar pessoas comuns.

O relatório também aborda o uso da imagem ou da voz após a morte da pessoa. Em princípio, os direitos diretamente ligados à personalidade deixam de existir com a morte. No entanto, dependendo das circunstâncias, a utilização pode atingir a "reverência" ou os sentimentos de respeito e memória mantidos pelos familiares em relação ao falecido, possibilitando a discussão sobre eventual indenização.

Para determinar se houve violação, não deve ser considerada apenas a semelhança entre as vozes. Também podem ser analisadas informações associadas ao conteúdo, como nomes, imagens, títulos, descrições e outros elementos capazes de fazer o público identificar determinada pessoa.

As imitações realizadas por comediantes e outros artistas, por exemplo, não são automaticamente consideradas violação. Quando fica claro para quem assiste ou ouve que se trata de uma imitação realizada por outra pessoa, e não da utilização da própria voz do indivíduo imitado, em princípio, não há violação do direito de publicidade.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

Matérias relacionadas

Por: Antônio Bordin
Tóquio – O Japão está pedindo à população que não compre papel higiênico por pânico, mas ...
Por: Antônio Bordin
Niigata – A prefeitura da cidade de Niigata, na província de mesmo nome, está enfrentando uma si...
Por: Redação
Tóquio – A ortodontista brasileira Maristela Sayuri Inoue Arai embarcará para São Paulo na sema...
Por: Redação
Após emocionarem o público no Brazilian Day Japan Gunma 2025, os integrantes da banda Mamonas Assa...
Por: Redação
Organização anuncia algumas novidades. O JEBRA Japão 2023, que tem como objetivo principal promov...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – Recentemente, um homem de 36 anos foi preso na cidade de Eniwa (Hokkaido) sob a suspeita...
Por: Redação
O Conselho de Cidadãos do Consulado do Brasil em Hamamatsu, o Bunkyo e o Consulado Geral do Brasil ...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – O evento “Yokai em Movimento Tokyo – Imagination of Japan” será realizado entre o...

Mais acessadas

Por: Redação
O Japão está subdividido em 8 regiões e sub-dividido em 47 prefeituras. As 8 regiões são: Hokk...
Por: Redação
Doenças subjacentes são as que não são explícitas ou seja, visíveis. São doenças considerada...
Por: Redação
Para candidatar-se a uma vaga de emprego no Japão recomenda-se que o candidato leve o currículo, e...
Por: Redação
Quem trabalha a mais de 1 ano no Japão já deve ter ouvido falar do tal do Gensen... Mas afinal das...
Por: Antônio Bordin
Aichi – Cristina Helena costuma fazer compras num famoso site de comércio varejista chinês. Mas ...
Por: Redação
Reajuste de final de ano, em japonês: Nenmatsu Chosei - 年末調整 é realizado pela empresa empr...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – Um dos feriados prolongados mais esperados no Japão, a Golden Week, ou Semana Dourada, ...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – A substituição de aparelhos de ar-condicionado por modelos mais eficientes deve ganhar...

Turismo

Por: Antônio Bordin
Tóquio - A empresa de pesquisas Teikoku Databank divulgou que 32 dos 101 parques temáticos pesquis...
Por: Antônio Bordin
Japão - A Disney Cruise Line está cada vez mais perto de iniciar suas operações no país. A Orie...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – O feriado de Obon está próximo e, diante da sequência de dias quentes, algumas das me...
Por: Redação
O Japão está subdividido em 8 regiões e sub-dividido em 47 prefeituras. As 8 regiões são: Hokk...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – A East Japan Railway (JR East) informou que está introduzindo uma nova opção de despa...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – O mês de agosto reúne alguns dos festivais mais tradicionais e concorridos do Japão. ...
Por: Antônio Bordin
Aomori — Um dos festivais mais tradicionais do Japão, o Aomori Nebuta Matsuri será realizado ent...
Por: Antônio Bordin
Aichi – O tradicional Festival de Fogos de Artifício de Okazaki será realizado no dia 1º de ago...
© 2016-2026 Todos os direitos reservados - Portal Japão
Home
Listas
Voltar
Busca
Menu
magnifiercross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram