Salário mínimo 2026 sobe no Japão: veja quanto pode mudar no bolso dos brasileiros

2026/08/31 17:42
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Tóquio – O salário mínimo deverá aumentar novamente no Japão a partir de outubro, com novos valores definidos em cada província. Para os brasileiros, especialmente aqueles que trabalham por hora em fábricas, empreiteiras, restaurantes, lojas, empresas de serviços ou como trabalhadores temporários, a mudança pode representar alguns milhares de ienes a mais no salário mensal.

Em Aichi, uma das províncias com maior concentração de brasileiros, o Conselho Regional de Salário Mínimo recomendou elevar o valor dos atuais ¥1.140 para ¥1.195 por hora. O reajuste é de ¥55, com previsão de entrada em vigor em 1º de outubro de 2026.

Em Shizuoka, o aumento recomendado é um pouco maior, de ¥57 por hora. O valor passará dos atuais ¥1.097 para ¥1.154, uma alta de 5,2%, com previsão de vigência a partir de 15 de outubro. A recomendação supera em ¥1 a referência estabelecida para Shizuoka pelo Conselho Central de Salário Mínimo.

Os valores ainda passam pelos procedimentos formais previstos na legislação antes de entrarem em vigor. Em Shizuoka, por exemplo, o Departamento do Trabalho informou que a recomendação será submetida aos trâmites necessários antes da decisão definitiva.

Como funciona o reajuste do salário mínimo?

No Japão, o salário mínimo regional é definido separadamente para cada uma das 47 províncias.

Todos os anos, o Conselho Central de Salário Mínimo estabelece uma referência de reajuste para orientar as discussões dos conselhos locais. Para 2026, foram recomendados aumentos de ¥54 por hora para as províncias da categoria A e de ¥56 para aquelas das categorias B e C.

Se todas as províncias seguissem exatamente essas referências, a média nacional ponderada do salário mínimo passaria dos atuais ¥1.121 para ¥1.176 por hora, um aumento de ¥55, equivalente a 4,9%.

Na prática, porém, os conselhos locais podem recomendar valores diferentes depois de analisar as condições econômicas e trabalhistas de cada região. Foi o que ocorreu em diversas províncias neste ano.

O que significam as categorias A, B e C?

Para estabelecer as referências de reajuste, o governo divide as 47 províncias em três grupos, chamados de categorias A, B e C, de acordo com suas condições econômicas.

A classificação utiliza um conjunto de 19 indicadores. Cinco estão relacionados à renda e ao consumo, nove aos salários e cinco à situação econômica das empresas.

A categoria A reúne as províncias com os indicadores econômicos mais elevados. A categoria B representa uma faixa intermediária, enquanto a C reúne aquelas com indicadores relativamente mais baixos.

Em 2026, apenas seis províncias estão na categoria A: Saitama, Chiba, Tóquio, Kanagawa, Aichi e Osaka.

A categoria B é formada por 28 províncias, entre elas Shizuoka, Gifu, Mie, Kyoto, Hyogo e Fukuoka. Outras 13 pertencem à categoria C.

Isso não significa, porém, que as províncias da categoria A obrigatoriamente tenham o maior reajuste anual.

A classificação serve para orientar os conselhos locais e não determina diretamente quanto será o aumento em cada província. Neste ano, por exemplo, a referência foi de ¥54 para a categoria A e de ¥56 para as categorias B e C.

Aichi, mesmo pertencendo à categoria A, recomendou um aumento de ¥55, ¥1 acima da referência. Shizuoka, na categoria B, recomendou ¥57, também ¥1 acima do parâmetro nacional.

Situação nas 47 províncias

Até 30 de agosto, 43 das 47 províncias já haviam recebido recomendações de seus conselhos locais. Ainda estavam pendentes Iwate, Saga, Kumamoto e Okinawa.

Os valores abaixo são os recomendados para 2026 e as respectivas datas previstas de entrada em vigor. Portanto, não são valores que já estejam sendo pagos atualmente.

ProvínciaAtual2026 recomendadoPrevisão
Hokkaido¥1.075¥1.1311/out
Aomori¥1.029¥1.09029/out
Iwate¥1.031pendente
Miyagi¥1.038¥1.0981/out
Akita¥1.031¥1.09014/out
Yamagata¥1.032¥1.09230/out
Fukushima¥1.033¥1.09416/out
Ibaraki¥1.074¥1.13618/out
Tochigi¥1.068¥1.1251/out
Gunma¥1.063¥1.1203/out
Saitama¥1.141¥1.1961/out
Chiba¥1.140¥1.1951/out
Tóquio¥1.226¥1.2801/out
Kanagawa¥1.225¥1.2791/out
Niigata¥1.050¥1.1081/out
Toyama¥1.062¥1.1191/out
Ishikawa¥1.054¥1.1133/out
Fukui¥1.053¥1.1124/out
Yamanashi¥1.052¥1.1131/nov
Nagano¥1.061¥1.1172/out
Gifu¥1.065¥1.1211/out
Shizuoka¥1.097¥1.15415/out
Aichi¥1.140¥1.1951/out
Mie¥1.087¥1.1431/out
Shiga¥1.080¥1.1363/out
Kyoto¥1.122¥1.18016/nov
Osaka¥1.177¥1.2311/out
Hyogo¥1.116¥1.1721/out
Nara¥1.051¥1.1074/out
Wakayama¥1.045¥1.1013/out
Tottori¥1.030¥1.0903/out
Shimane¥1.033¥1.09210/out
Okayama¥1.047¥1.1042/out
Hiroshima¥1.085¥1.14111/out
Yamaguchi¥1.043¥1.1018/out
Tokushima¥1.046¥1.1031/nov
Kagawa¥1.036¥1.0921/out
Ehime¥1.033¥1.0931/nov
Kochi¥1.023¥1.08629/out
Fukuoka¥1.057¥1.1144/out
Saga¥1.030pendente
Nagasaki¥1.031¥1.0872/nov
Kumamoto¥1.034pendente
Oita¥1.035¥1.0961/nov
Miyazaki¥1.023¥1.08524/out
Kagoshima¥1.026¥1.09025/out
Okinawa¥1.023pendente

Entre os valores recomendados até 30 de agosto, Tóquio aparece no topo, com ¥1.280 por hora, seguida de Kanagawa, com ¥1.279. O maior aumento nominal entre as províncias com recomendação concluída foi o de Kagoshima, com ¥64 por hora.

Quanto isso representa no bolso?

Para quem atualmente recebe exatamente o salário mínimo, é possível calcular de forma simples quanto o reajuste poderá representar.

Um trabalhador de Aichi que cumpra 160 horas em um mês recebe atualmente ¥182.400, considerando somente o salário por hora. Com o novo piso recomendado de ¥1.195, o valor chegaria a ¥191.200.

São ¥8.800 a mais por mês.

Mantida a mesma quantidade de horas durante 12 meses, a diferença bruta chegaria a ¥105.600 em um ano.

Em Shizuoka, quem trabalhar as mesmas 160 horas recebendo o atual mínimo de ¥1.097 terá a remuneração de ¥175.520. Com o valor recomendado de ¥1.154, o total passaria para ¥184.640.

A diferença seria de ¥9.120 por mês, ou ¥109.440 em 12 meses.

Os cálculos são apenas exemplos e consideram 160 horas mensais e valores brutos, antes de impostos, seguro de saúde, previdência e demais descontos que possam ser aplicáveis.

Nem todo brasileiro terá aumento

É importante esclarecer que o aumento do salário mínimo não significa que todos os trabalhadores receberão automaticamente ¥55 ou ¥57 a mais por hora.

Se um trabalhador de Aichi já recebe, por exemplo, ¥1.300 por hora, a empresa não é obrigada, apenas por causa do reajuste do salário mínimo, a elevar o pagamento para ¥1.355.

A obrigação é garantir que ninguém submetido ao piso regional receba menos do que o novo salário mínimo a partir da data em que ele entrar em vigor.

Assim, o efeito direto será maior para quem atualmente recebe exatamente o mínimo ou possui um salário muito próximo dele. Contratos que ficarem abaixo do novo piso terão de ser adequados.

Mesmo que empregado e empregador concordem com um salário inferior ao mínimo, essa parte do contrato não tem validade. O empregador deve pagar pelo menos o piso estabelecido por lei.

Regra também vale para estrangeiros

O salário mínimo japonês não é exclusivo dos trabalhadores japoneses.

O salário mínimo regional se aplica aos trabalhadores das empresas localizadas em cada província, independentemente do setor ou profissão. Isso inclui trabalhadores estrangeiros e diferentes formas de contratação.

Existe ainda um detalhe particularmente importante para a comunidade brasileira, na qual é comum o trabalho por empreiteiras e agências de mão de obra.

No caso do 派遣労働者 (haken rōdōsha), trabalhador temporário contratado por uma agência e enviado para prestar serviço em outra empresa, vale o salário mínimo do local para onde ele foi enviado.

Isso significa, por exemplo, que uma pessoa pode estar vinculada a uma agência localizada em Shizuoka, mas trabalhar diariamente em uma fábrica situada em Aichi. Nesse caso, para fins de salário mínimo, deve ser observado o piso de Aichi.

Considerando os valores recomendados para outubro, a diferença será relevante: ¥1.195 por hora em Aichi contra ¥1.154 em Shizuoka.

Cuidado ao conferir o holerite

Outro ponto que costuma provocar dúvidas é a maneira correta de verificar se o pagamento recebido respeita o salário mínimo.

Nem todo valor que aparece no holerite pode ser somado para concluir que a empresa atingiu o piso exigido por lei.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar explica que, para efeito do salário mínimo, é considerada basicamente a remuneração regular paga mensalmente pelo trabalho normal.

Não entram nesse cálculo pagamentos como bônus, adicional de horas extras, adicional de trabalho em feriados, a parcela adicional referente ao trabalho noturno, auxílio-transporte, auxílio-família e determinados prêmios de assiduidade.

Por isso, um trabalhador que receba um valor total elevado em determinado mês devido à realização de muitas horas extras não deve usar simplesmente o total do holerite para verificar se seu salário normal está acima do mínimo.

Para quem recebe salário mensal, é necessário converter a remuneração considerada para essa finalidade em valor por hora e compará-la com o salário mínimo aplicável.

Algumas indústrias têm mínimo maior

Além do 最低賃金 (saitei chingin), salário mínimo regional, o Japão possui o 特定最低賃金 (tokutei saitei chingin), salário mínimo específico estabelecido para determinadas indústrias.

Em 1º de abril de 2026, existiam 223 salários mínimos específicos desse tipo no país, abrangendo aproximadamente 3,01 milhões de trabalhadores.

Eles são estabelecidos para setores nos quais se considera necessário determinar um valor superior ao salário mínimo regional.

Quando o trabalhador está enquadrado simultaneamente no salário mínimo regional e em um salário mínimo específico de determinada indústria, deve ser aplicado o valor mais alto.

Esse detalhe pode ter importância especial em províncias industriais como Aichi e Shizuoka, onde muitos brasileiros trabalham na manufatura.

Aumento ajuda, mas custo de vida continua pesando

Para as famílias brasileiras, o reajuste ocorre em um momento em que despesas cotidianas, como alimentação, energia, aluguel e outros serviços, continuam pesando no orçamento doméstico.

O próprio sistema de definição do salário mínimo leva em consideração três fatores: o custo de vida dos trabalhadores, o nível dos salários e a capacidade das empresas de pagar remunerações.

Nos exemplos de Aichi e Shizuoka, para alguém que trabalha 160 horas mensais recebendo exatamente o piso, o reajuste poderia representar mais de ¥100 mil brutos adicionais ao longo de 12 meses.

Por outro lado, isso não significa necessariamente um aumento equivalente do poder de compra. O resultado real para o orçamento familiar dependerá também da evolução dos preços e dos descontos incidentes sobre o salário bruto.

Para brasileiros que já recebem valores consideravelmente acima do novo piso, o benefício pode não aparecer diretamente no holerite. Ainda assim, a elevação do salário mínimo aumenta a referência salarial das contratações de menor remuneração e pode pressionar empresas a rever os pagamentos que ficaram muito próximos do novo piso.

A principal recomendação para quem trabalha por hora é conferir o contrato e o holerite quando o novo salário mínimo entrar em vigor.

Em Aichi, o valor recomendado é de ¥1.195 por hora a partir de 1º de outubro. Em Shizuoka, é de ¥1.154 a partir de 15 de outubro, caso as recomendações sejam confirmadas após os procedimentos formais.

Para quem trabalha como haken, outro ponto merece atenção: o salário mínimo aplicável não é determinado pela localização da agência que o contratou, mas pelo local para onde o trabalhador foi enviado para exercer suas atividades.

Foto: Canva

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