Relatório aponta aumento de despesas e desafios para a economia do Japão

2026/01/16 07:23
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Tóquio - Os custos financeiros para quem vive no Japão devem aumentar em cerca de 22.000 ienes por pessoa neste ano, de acordo com um relatório elaborado por Toshihiro Nagahama, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Dai-ichi Life, segundo publicação do Japan Daily. No caso de uma família com quatro pessoas, esse aumento representa aproximadamente 88.000 ienes a mais nas despesas ao longo do ano. Esse impacto está relacionado tanto às oscilações da economia mundial quanto às políticas econômicas adotadas dentro do país. A seguir, estão as principais projeções de Nagahama para a economia japonesa em 2026.

Em 2026, a economia do Japão deve entrar em uma fase de melhora gradual da renda das pessoas e do consumo interno. Mesmo assim, o país continuará sentindo os efeitos do cenário internacional e das decisões econômicas que serão tomadas pelo governo da primeira-ministra Sanae Takaichi.

As estimativas apontam para um crescimento modesto do Produto Interno Bruto real, entre 0,5% e 0,6%. Esse avanço depende, em parte, de uma possível recuperação da economia global. Caso as tarifas comerciais internacionais tenham menos impacto e os Estados Unidos mostrem sinais de melhora ao longo do ano, as exportações japonesas podem ganhar algum impulso.

Em relação à inflação, Nagahama avalia que os preços devem crescer em ritmo mais lento. A expectativa é que a inflação fique abaixo da meta de 2% do Banco do Japão a partir do ano fiscal de 2026, que começa em abril. Esse alívio nos preços estaria ligado às medidas do governo para conter aumentos e à redução dos custos de produtos importados.

O economista também destaca que os aumentos salariais devem começar a ter um efeito mais claro no poder de compra das famílias. Com isso, os salários reais tendem a se manter de forma mais consistente em nível positivo, o que ajuda na recuperação gradual do consumo.

Apesar desse cenário um pouco mais favorável para as famílias, os investimentos das empresas devem continuar avançando com cautela. Há aportes em setores ligados ao crescimento, impulsionados pela falta de mão de obra e por políticas públicas, mas o aumento dos juros e a incerteza econômica ainda pesam nas decisões. A normalização da política monetária, mesmo com inflação abaixo da meta, pode manter os juros de longo prazo elevados e provocar valorização do iene, o que cria dificuldades adicionais para as empresas.

Na primavera, período tradicional de negociações salariais no Japão, é possível que os trabalhadores obtenham reajustes mais expressivos, com aumento do salário-base acima de 3%. O movimento é sustentado pela inflação registrada nos anos anteriores, pelos bons resultados das empresas e pela escassez de mão de obra. Esse contexto aumenta a chance de novas elevações dos juros pelo Banco do Japão, que pode promover de uma a duas altas adicionais, aproximando a taxa básica do nível considerado neutro, em torno de 1%, caso se fortaleça a relação entre salários e preços.

Na área fiscal, o governo de Takaichi planeja lançar um pacote de medidas para enfrentar a alta dos preços e reforçar a estrutura da economia. Entre as iniciativas estão subsídios diretos às famílias, apoio às contas de energia, investimentos em segurança econômica, saúde, alimentação e capacitação profissional, além de debates sobre possíveis mudanças nos impostos.

Embora essas ações possam ter efeitos positivos sobre o crescimento econômico e os preços, alguns setores mantêm cautela quanto à capacidade de execução dessas políticas, principalmente por causa da contínua escassez de trabalhadores.

Além disso, as decisões do governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, devem ter impacto relevante sobre o Japão. Tarifas comerciais, política cambial, nível dos juros americanos e o comportamento da inflação global podem tanto ajudar quanto atrapalhar o processo de recuperação.

Assim, embora a melhora dos salários reais e a retomada do consumo formem o cenário principal para 2026, riscos externos e problemas estruturais, como a dificuldade das pequenas e médias empresas em absorver aumentos salariais, ainda representam obstáculos para um crescimento econômico mais sólido e duradouro.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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