Entenda a relação curiosa entre os japoneses e os guarda-chuvas de plástico

2026/04/17 14:09
Compartilhar:

Tóquio – O guarda-chuva é talvez uma das melhores invenções da humanidade. Produto simples, mas bastante funcional nos dias de chuva ou, dependendo do caso, em dias de sol forte. E no Japão o “kasa” integra o cotidiano das pessoas de forma tão intensa, que até gerou um comportamento social próprio, especialmente no período de chuvas conhecido como tsuyu.

Estima-se que cerca de 80 milhões de guarda-chuvas sejam vendidos todos os anos no país. E existem pesquisas que indicam que, em média, haja 4,2 guarda-chuvas por pessoa no Japão, chegando a 4,9 por habitante apenas em Tóquio.

O alto volume de guarda-chuvas no país se deve a dois fatores. Um é o clima, pois um período do ano é composto por chuvas intensas e quase que diárias, e também por verões muito quentes. Outro fator é o custo muito baixo do item, sendo facilmente encontrado em lojas de conveniência a um preço muitas vezes abaixo de 1.000 ienes, o que reduz o apego ao objeto.

Tirando os guarda-chuvas coloridos e com tecidos, o mais comum é o de plástico transparente. Como estes últimos são idênticos, é comum que outras pessoas peguem por engano o item de outra pessoa nos suportes situados na frente de lojas ou restaurantes. Em muitos casos, isso nem é encarado como furto.

O que se diz no país é que existe uma “regra silenciosa”, na qual os guarda-chuvas baratos funcionam como um bem coletivo. Quer dizer, se o seu desaparece do porta-guarda-chuvas, a reação comum não é procurar o dono, mas pegar outro disponível no mesmo local. Esse comportamento é descrito como um ciclo contínuo, em que os objetos circulam entre diferentes pessoas ao longo do dia.

Obviamente que nem todos aceitam essa prática com naturalidade. Há quem tente evitar que o guarda-chuva seja levado colocando marcas, alguma identificação, para diferenciá-lo dos demais. Mas nem sempre isso funciona.

A grande quantidade deles que são esquecidos em todo lugar e que vão parar no setor de achados e perdidos reforça a ideia de baixa valorização do item.

Enquanto os ocidentais consideram um item cuja posse é quase que intransferível, no Japão o baixo custo do item, a padronização estética e a praticidade no cotidiano tornam a relação com o objeto algo mais flexível.

O guarda-chuva no Japão revela um traço interessante da sociedade. Mesmo em um país conhecido pelo respeito às regras e à propriedade, há espaços informais onde prevalece uma lógica prática e coletiva, moldada pelo cotidiano e pelo clima.

E você? Aceitaria que outra pessoa pegasse o seu guarda-chuva?

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

Matérias relacionadas

Por: Redação
Tóquio – O avanço da tecnologia no cotidiano das empresas e das pessoas tem criado oportunidades...
Por: Antônio Bordin
Aichi – O Japão está testando um trem que utiliza células a combustível de hidrogênio e bater...
Por: Redação
Chiba — As chuvas torrenciais que inundaram várias áreas da província de Chiba entre os dias 13...
Por: Redação
O Conselho de Cidadãos do Consulado do Brasil em Hamamatsu, o Bunkyo e o Consulado Geral do Brasil ...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – A Agência Nacional de Polícia informou que puniu 337 policiais e outros funcionários ...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – O governo japonês quer garantir abrigos de emergência para todos os residentes no paí...
Por: Antônio Bordin
Tóquio - O tufão nº 15, denominado Chan-hom, deverá atingir as províncias de Fukushima e Ibarak...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – A GMO AI & Robotics Corp., de Tóquio, lançará ainda em setembro, na capital japon...

Mais acessadas

Por: Redação
O Japão está subdividido em 8 regiões e sub-dividido em 47 prefeituras. As 8 regiões são: Hokk...
Por: Redação
Doenças subjacentes são as que não são explícitas ou seja, visíveis. São doenças considerada...
Por: Redação
Para candidatar-se a uma vaga de emprego no Japão recomenda-se que o candidato leve o currículo, e...
Por: Redação
Tóquio – O salário mínimo deverá aumentar novamente no Japão a partir de outubro, com novos v...
Por: Redação
Quem trabalha a mais de 1 ano no Japão já deve ter ouvido falar do tal do Gensen... Mas afinal das...
Por: Antônio Bordin
Aichi – Cristina Helena costuma fazer compras num famoso site de comércio varejista chinês. Mas ...
Por: Redação
Reajuste de final de ano, em japonês: Nenmatsu Chosei - 年末調整 é realizado pela empresa empr...
Por: Redação
Tóquio – Um dos feriados prolongados mais esperados no Japão, a Golden Week, ou Semana Dourada, ...

Turismo

Por: Redação
Shizuoka – Em Kikugawa, o turismo está diretamente ligado à paisagem que ajudou a construir a id...
Por: Redação
Shizuoka – Localizada no extremo oeste da província de Shizuoka, junto à divisa com Aichi, Kosai...
Por: Redação
Tóquio – Dinossauros, evolução humana, animais, plantas, meteoritos, tecnologia japonesa, roupa...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – O Japão tem três destinos entre os dez mais revisitados por turistas na Ásia, segundo...
Por: Antônio Bordin
Gifu – Nos dias 17 e 18 de outubro, será realizado o Festival da Batalha de Sekigahara (関ケ原...
Por: Redação
Shizuoka — Localizada na região oeste da província, Fukuroi reúne alguns dos templos mais conhe...
Por: Redação
Tóquio – Nem todos os museus nacionais do Japão seguem o modelo tradicional de uma instituição...
Por: Redação
Hokkaido – Quem já imaginou como seria viver como um Pokémon e passar a noite dentro de uma Pok...
© 2016-2026 Todos os direitos reservados - Portal Japão
Home
Listas
Voltar
Busca
Menu
magnifiercross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram