Saiba como trabalhar legalmente com transporte de carga e pessoas no Japão

2026/03/13 09:42
Compartilhar:

Tóquio – Recentemente, um homem de 36 anos foi preso na cidade de Eniwa (Hokkaido) sob a suspeita de operar um serviço de transporte de carga com um veículo de placa branca, recebendo pagamento, mas sem ter licença para isso. Não são raros também os casos daqueles flagrados pela polícia oferecendo serviço de transporte de pessoas, igualmente sem credenciais. No Japão, esta e outras práticas semelhantes são consideradas crimes quando a pessoa não possui autorização do governo. Veja o que diz a lei, quais os requisitos necessários para trabalhar legalmente nesta área e as consequências do trabalho ilegal.

A ordenação para essas atividades está na Lei de Transporte Rodoviário (道路運送法) e na Lei de Transporte de Carga por Veículos Automotores (貨物自動車運送事業法). São normas que estabelecem que qualquer transporte pago de passageiros ou cargas é uma atividade empresarial e exige licença do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo (MLIT).

Transporte de pessoas utilizando carro próprio

A atividade é regulamentada pela Lei de Transporte Rodoviário (道路運送法). O artigo 4º determina que qualquer pessoa ou empresa que queira realizar transporte remunerado de passageiros deve obter autorização do governo.

Quando alguém usa um carro particular para transportar passageiros em troca de pagamento, sem ter licença, isso é chamado no Japão de "Shirotaku" (白タク), sendo que shiro significa branco, e taku é abrevição de táxi, ou “táxi de placa branca”. É uma atividade considerada ilegal.

A diferença é que os táxis e veículos de transporte profissional no Japão têm algumas características claras. A placa é verde com números brancos, o que inclui táxis, ônibus e veículos de empresas de transporte. A placa verde indica que o veículo possui licença para atividade comercial.

Outro ponto é que as empresas de táxi precisam de autorização do governo, devem seguir regras de segurança, fazer a inspeção veicular, ter seguro específico e treinamento dos motoristas. As tarifas são reguladas e os motoristas trabalham vinculados a uma empresa ou cooperativa autorizada.

A atividade ilegal ocorre quando não há licença para atuar no transporte pago de passageiros usando veículo particular, quando a pessoa oferece o serviço por redes sociais ou aplicativos sem autorização, e nos casos de motoristas que fazem traslado de aeroporto para turistas ou aqueles que cobram por corridas como se fossem táxi.

Para atuar legalmente, a pessoa precisa obter a licença de empresa de transporte de passageiros, com registro no Ministério dos Transportes. Deve ter os veículos registrados como comerciais (placa verde) e possuir seguro específico para esta atividade.

Além da licença do veículo, o motorista deve ter uma licença chamada de "segunda habilitação" (二種免許, nishu menkyo), que é exigida para conduzir veículos transportando passageiros mediante pagamento.

Os requisitos para obter essa habilitação são: ter pelo menos 21 anos de idade, possuir carteira comum há pelo menos três anos, passar por exame médico, ser aprovado em prova teórica e prática e frequentar curso em escola de condução.

O profissional do setor tem responsabilidades, como a de garantir a segurança dos passageiros, manter o registro das operações, realizar a inspeção regular dos veículos, além de ter seguro adequado para acidentes e cumprir regras de jornada de trabalho dos motoristas.

Ao atuar legalizado, o operador do serviço tem direito de cobrar tarifa autorizada e utilizar pontos oficiais ou aplicativos autorizados.

Transporte de cargas com veículo próprio

Já o transporte remunerado de cargas é regulado pela Lei de Transporte de Carga por Veículos Automotores (貨物自動車運送事業法). O seu artigo 3º determina que quem deseja operar transporte de carga deve obter permissão do ministro responsável.

O operador precisa ter licenças de transporte de carga geral (caminhões comerciais), de carga leve com kei truck ou vans e transporte especializado para empresas específicas.

Os requisitos principais para estes tipos de licença são o registro da empresa e um plano operacional aprovado pelo governo. A empresa deve contratar um responsável pela segurança do transporte, com os veículos registrados como comerciais. Deve haver a garantia da manutenção dos veículos e a capacidade financeira mínima da empresa.

Para o transporte com veículos leves (como kei vans), normalmente é necessário registrar o negócio como "empresa de transporte leve de carga". Há um exame sobre legislação de transporte e gestão de segurança, além de cursos obrigatórios para os responsáveis pela operação.

O operador legalizado tem como responsabilidades cumprir as regras de segurança, manter os registros de transporte, seguir limites de carga e jornada e garantir a manutenção e a inspeção dos veículos.

Como consequência, ele terá direito de receber pagamento pelo transporte, celebrar contratos com empresas e de operar como empresa logística.

Outros serviços ilegais utilizando carro próprio

Existem outras atividades que são consideradas ilegais se a pessoa não tiver licença e, mesmo assim, receber pagamento pelo serviço prestado.

São os casos de serviços de entrega pagos sem que haja registro empresarial, transporte turístico informal, serviços de transporte escolar sem licença.

As punições para quem realiza estas atividades sem autorização legal são de até 3 anos de prisão ou multa de até 3 milhões de ienes. Conforme a gravidade do caso, pode ocorrer a apreensão do veículo, investigação por operação ilegal de transporte e acusação por violação de regras comerciais. No caso de transporte ilegal de carga, também podem ocorrer sanções administrativas e criminais, dependendo da gravidade da infração.

Motivo da regulamentação

Além de ordenar a prática desses serviços, o governo japonês exige licenças para garantir a segurança dos passageiros, o controle da manutenção dos veículos, o seguro adequado em caso de acidente e a competição justa com empresas de transporte legalizadas.

Por isso, qualquer transporte pago de pessoas ou cargas usando veículo particular sem licença pode ser considerado atividade ilegal.

Foto: Canva

Composta por uma equipe trilíngue (português, japonês e inglês) com sólida trajetória nos setores privado e governamental do Japão, nossa Redação une domínio tecnológico à paixão genuína pela cultura nipônica, transitando do universo dos mangás às tradições milenares. Mais do que vivência, prezamos pela credibilidade: fugimos do "achismo" e fundamentamos todo o nosso conteúdo em fontes concretas e verificadas, garantindo informação precisa e segura para os nossos leitores.

Matérias relacionadas

Por: Redação
Em casos de emergência, incêndio, acidentes de trânsito ou quando forem vítima de crimes tais co...
Por: Silvio Mori
Shizuoka - O Brazilian Day Japan Hamamatsu 2026 já tem a programação definida para os dias 18, 19...
Por: Redação
Restaurante Kurasushi comercializa o produto tipicamente brasileiro Osaka, 12 de maio - O pão de qu...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – O governo japonês deverá impor exigências mais rigorosas para conceder vistos de entr...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – A taxa de aprovação no teste exigido para conversão de carteiras de motorista estrang...
Por: Antônio Bordin
Tóquio – A disseminação dos smartphones tornou as cabines telefônicas obsoletas, mas elas são...
Por: Redação
No último domingo (6), o cantor nipo-brasileiro Joe Hirata foi surpreendido com uma emocionante hom...
Por: Redação
Osaka – A operadora de vias expressas NEXCO West Japan informou que iniciará na quarta-feira (8) ...

Mais acessadas

Por: Redação
O Japão está subdividido em 8 regiões e sub-dividido em 47 prefeituras. As 8 regiões são: Hokk...
Por: Redação
Doenças subjacentes são as que não são explícitas ou seja, visíveis. São doenças considerada...
Por: Redação
Para candidatar-se a uma vaga de emprego no Japão recomenda-se que o candidato leve o currículo, e...
Por: Redação
Quem trabalha a mais de 1 ano no Japão já deve ter ouvido falar do tal do Gensen... Mas afinal das...
Por: Redação
Tóquio – O salário mínimo deverá aumentar novamente no Japão a partir de outubro, com novos v...
Por: Antônio Bordin
Aichi – Cristina Helena costuma fazer compras num famoso site de comércio varejista chinês. Mas ...
Por: Redação
Reajuste de final de ano, em japonês: Nenmatsu Chosei - 年末調整 é realizado pela empresa empr...
Por: Redação
Tóquio – Um dos feriados prolongados mais esperados no Japão, a Golden Week, ou Semana Dourada, ...

Turismo

Por: Antônio Bordin
Gifu – Nos dias 17 e 18 de outubro, será realizado o Festival da Batalha de Sekigahara (関ケ原...
Por: Redação
Shizuoka — Localizada na região oeste da província, Fukuroi reúne alguns dos templos mais conhe...
Por: Redação
Tóquio – Nem todos os museus nacionais do Japão seguem o modelo tradicional de uma instituição...
Por: Redação
Hokkaido – Quem já imaginou como seria viver como um Pokémon e passar a noite dentro de uma Pok...
Por: Redação
Tóquio — O Japão mantém um grupo de museus nacionais voltados às artes modernas, contemporâne...
Por: Redação
Shizuoka – A cidade de Hamamatsu reúne atrações para quem gosta de explorar opções urbanas, h...
Por: Redação
Tóquio - Você já visitou algum museu nacional no Japão? Se ainda não, vale a pena incluir pelo ...
Por: Antônio Bordin
Shizuoka - Um hotel na cidade de Ito, na província de Shizuoka, está oferecendo um serviço difere...
© 2016-2026 Todos os direitos reservados - Portal Japão
Home
Listas
Voltar
Busca
Menu
magnifiercross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram