Funcionário encontra ¥ 18 milhões no lixo e lei pode torná-lo dono do dinheiro

2026/01/09 15:40
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Niigata – A polícia de Niigata informou que uma pessoa encontrou cerca de 18 milhões de ienes em dinheiro. O volume estava entre resíduos de instalações comerciais na cidade de Niigata e foi encontrado por um funcionário em novembro de 2025, que entregou o pacote imediatamente à polícia.

Para evitar golpistas e proteger a investigação, as autoridades policiais não revelaram detalhes sobre a localização nem sobre como o volume de dinheiro foi encontrado. Segundo o Japan Daily, este é o maior caso de dinheiro perdido registrado em Niigata desde 2018.

Pela Lei de Bens Perdidos do Japão, a polícia manterá o dinheiro por três meses enquanto procura o proprietário. Caso nenhuma reivindicação seja feita, a propriedade será transferida para quem encontrou o dinheiro.

O que diz a lei?

A Lei de Bens Perdidos (Ishitsubutsu-hō - 遺失物法) trata de todos os detalhes desse tipo de situação.

Caso uma pessoa se aproprie de dinheiro perdido por outra, estará cometendo o crime de apropriação indébita de bens perdidos (Senyu Ridatsubutsu Oryozai). A pena pode ser de até um ano de prisão ou multa de até 100.000 ienes.

Quando uma pessoa encontra um bem perdido, existe um prazo legal para entregá-lo à polícia e, assim, garantir o direito à recompensa ou à posse do dinheiro, caso o dono não apareça. Esse prazo é de sete dias. Se ultrapassado, quem encontrou o dinheiro perde todos os direitos previstos.

Se o dinheiro for encontrado dentro de um estabelecimento, como loja ou estação, o prazo para avisar o responsável pelo local é de 24 horas.

O prazo para entregar um objeto de valor perdido começa no momento em que o bem é encontrado, e não quando a pessoa decide levá-lo à polícia. Quanto antes isso ocorrer, mais clara fica a boa-fé de quem encontrou.

No caso do prazo de 24 horas para algo encontrado em estabelecimentos, o bem deve ser encaminhado ao responsável pelo local, que fará a entrega à polícia.

O dono foi encontrado

Caso a polícia encontre o proprietário do dinheiro, a lei garante direitos à pessoa que encontrou a quantia, desde que o valor tenha sido entregue dentro do prazo legal.

Nessa situação, a recompensa (hoshokin) corresponde a um valor entre 5% e 20% do total encontrado. Por exemplo, se o montante for de 1 milhão de ienes, a recompensa varia entre 50 mil e 200 mil ienes. O percentual exato geralmente é definido entre as partes ou segue o padrão de 10%, mas trata-se de um direito garantido por lei, e não de uma cortesia.

O dono não foi encontrado

Se, após investigação, a polícia não localizar o dono do dinheiro, aplica-se o procedimento anunciado pela polícia de Niigata. O valor permanece sob custódia por até três meses. Se, nesse prazo, o proprietário não aparecer, o dinheiro passa a ser legalmente de quem o encontrou.

Ainda assim, quem encontrou o dinheiro terá um prazo adicional de dois meses para comparecer à polícia e retirá-lo. Caso não o faça, o valor será transferido para os cofres do governo da província.

Ah, mas tem o imposto

Se o dinheiro perdido ficar com quem o encontrou, seja como recompensa ou como posse integral, valores elevados podem ser classificados como renda temporária (Ichiji Shotoku) e, portanto, sujeitos à tributação no imposto de renda.

A polícia também precisa investigar a origem do dinheiro, para verificar se é fruto de crime, roubo ou tráfico. Caso seja comprovada origem ilícita, as regras de devolução podem ser suspensas ou alteradas. Mesmo quando tudo está regular, a polícia pode manter o valor retido por mais tempo se houver necessidade durante a investigação. Esse prolongamento não anula o direito, apenas pode atrasar a liberação.

Ao entregar dinheiro perdido à polícia, é necessário preencher o formulário de bens achados (Ishitsubutsu-todoke), indicar que deseja receber a recompensa (hoshokin) e autorizar o contato caso o dono não apareça. Também é fundamental guardar o recibo, que é a única prova formal do procedimento.

Segundo o Japan Daily, o dinheiro foi encontrado entre resíduos de estabelecimentos comerciais em Niigata. Nesse tipo de situação, como o valor estava dentro de uma propriedade privada, seja prédio ou shopping, a recompensa ou a posse do dinheiro é dividida igualmente entre quem encontrou e o dono do estabelecimento, na proporção de 50% para cada um.

Sempre que encontrar uma quantia em dinheiro ou qualquer objeto de valor, a orientação é levá-lo imediatamente a um posto policial (koban) e preencher o formulário de achados e perdidos (ishitsubutsu todoke), indicando o desejo de receber a recompensa e de ser contatado caso o dono não apareça. Guardar o recibo é indispensável, pois ele é a única comprovação do ocorrido.

Caso a pessoa não manifeste formalmente o desejo de receber a hoshokin no momento do preenchimento do Ishitsubutsu-todoke, poderá perder o direito à recompensa.

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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