Governo planeja aplicativo para localizar cidadãos japoneses no exterior por GPS

Tóquio – O governo japonês pretende desenvolver um novo aplicativo para smartphones capaz de localizar por Sitema de Posicionamento Global (GPS) cidadãos do país que estejam morando ou viajando no exterior. A ferramenta deverá ser utilizada principalmente em situações de emergência, como guerras, conflitos armados, terremotos e outros grandes desastres.
O projeto está sendo preparado pelo Ministério das Relações Exteriores, que pretende incluir os custos de desenvolvimento no pedido de orçamento para o ano fiscal de 2027, segundo informações divulgadas por fontes ligadas ao governo.
A expectativa é que o aplicativo permita às autoridades confirmar mais rapidamente a segurança dos japoneses no exterior e prestar assistência quando houver uma emergência, inclusive em situações nas quais o contato convencional por telefone seja difícil ou impossível.
Atualmente, quando ocorre um grande desastre ou conflito em outro país, funcionários de embaixadas e consulados japoneses procuram localizar os cidadãos registrados naquela região, normalmente por telefone, e verificar se precisam de ajuda.
O problema surge principalmente quando a pessoa está em uma área distante, sem cobertura adequada de telefonia móvel, ou quando as redes de comunicação ficam congestionadas ou são interrompidas em consequência de um desastre.
O novo sistema pretende reduzir essa dificuldade utilizando dados de localização dos smartphones. Ainda não foram divulgados oficialmente, porém, detalhes sobre a tecnologia que permitirá localizar usuários em áreas sem sinal de celular, nem sobre as condições em que os dados de GPS serão compartilhados com o governo.
Aplicativo atual já usa GPS
O Ministério das Relações Exteriores já possui um aplicativo gratuito de segurança destinado aos japoneses que vivem ou viajam para outros países, chamado Kaigai Anzen App, ou Aplicativo de Segurança no Exterior.
O sistema utiliza o GPS do smartphone para mostrar informações de segurança referentes à localização do usuário e às regiões próximas. Também permite receber notificações quando o governo japonês emite alertas de segurança para determinado país ou região e consultar contatos de emergência. O próprio Ministério das Relações Exteriores descreve oficialmente essas funções.
A diferença é que o novo projeto pretende ampliar consideravelmente essa função. Em vez de utilizar a localização apenas para apresentar informações relevantes ao usuário, o sistema deverá ajudar o próprio governo a localizar cidadãos durante situações de emergência.
O Ministério da Educação também orienta estudantes japoneses que viajam ao exterior a utilizar o atual aplicativo, destacando que ele emprega o GPS do smartphone para apresentar informações de segurança referentes ao local onde a pessoa se encontra.
Integração com o Tabi-Regi
Outra ferramenta que deverá ser integrada ao novo aplicativo é o Tabi-Regi, sistema gratuito mantido pelo Ministério das Relações Exteriores para japoneses que realizam viagens internacionais por períodos inferiores a três meses.
Antes de viajar, a pessoa pode registrar informações como destino, período de permanência e dados para contato. A partir desse cadastro, o governo envia alertas sobre acontecimentos que possam representar perigo no país visitado.
Em situações de emergência, o cadastro também pode ser usado pelas autoridades japonesas para entrar em contato com o viajante e confirmar sua segurança. O governo destaca que o sistema é utilizado em casos de crimes, terrorismo, conflitos e desastres naturais.
Os japoneses que permanecem no exterior por mais de três meses têm outra obrigação: apresentar o chamado zairyu todoke, ou registro de residência no exterior, à embaixada ou consulado responsável pela região onde vivem.
Esses registros constituem atualmente uma das principais bases utilizadas pelo governo japonês para identificar quem pode estar em determinada região quando ocorre uma crise.
Documentos também pelo celular
O aplicativo planejado deverá ir além das funções de emergência. O Ministério das Relações Exteriores pretende reunir no mesmo sistema alguns serviços consulares atualmente oferecidos separadamente.
Entre eles está a possibilidade de solicitar certificados de residência no exterior e outros documentos.
Essa digitalização já está em andamento. Desde maio de 2025, representações diplomáticas japonesas começaram a emitir eletronicamente o chamado zairyu shomei, certificado que comprova a residência de um cidadão japonês fora do país.
Quem utiliza o procedimento eletrônico pode fazer a solicitação e receber o certificado digital sem precisar comparecer pessoalmente à embaixada ou ao consulado. O Ministério das Relações Exteriores afirma que pretende ampliar gradualmente os tipos de certificados disponíveis nesse formato.
Passaportes também fazem parte dessa transformação digital. Japoneses residentes no exterior já podem realizar parte do procedimento de solicitação pela internet utilizando o sistema de registro consular e um aplicativo oficial do Ministério das Relações Exteriores.
Proteção em situações de crise
A localização mais rápida dos cidadãos tornou-se uma preocupação cada vez maior diante de conflitos internacionais, atentados e desastres naturais.
O próprio Ministério das Relações Exteriores mantém uma estrutura permanente de alertas divididos em níveis de risco e publica recomendações de evacuação ou de cancelamento de viagens quando considera que a situação de segurança se deteriorou.
Em 2026, por exemplo, o ministério emitiu sucessivos alertas relacionados à instabilidade no Oriente Médio, incluindo recomendações para que japoneses deixassem determinadas regiões e evitassem novas viagens.
O novo aplicativo pretende concentrar parte desse sistema em uma única plataforma, reunindo informações de segurança, dados registrados no Tabi-Regi e no cadastro de residentes no exterior, localização por GPS e serviços consulares.
Ainda deverão ser esclarecidas questões importantes antes do lançamento, principalmente como será obtido o consentimento dos usuários para o compartilhamento da localização, por quanto tempo esses dados poderão ser armazenados e em quais circunstâncias poderão ser consultados pelas autoridades.
Também não está claro, até o momento, como o aplicativo conseguirá transmitir ou obter informações de localização quando o smartphone estiver fora da cobertura das redes móveis.
Segundo o planejamento divulgado até agora, o Ministério das Relações Exteriores pretende iniciar o desenvolvimento com recursos solicitados para o ano fiscal de 2027, que começa em 1º de abril do próximo ano.
Foto: Canva








































