Japão avalia endurecer critérios para naturalização de estrangeiros

2025/11/26 09:53
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Tóquio – O governo do Japão planeja endurecer os critérios para estrangeiros que buscam adquirir a nacionalidade japonesa. Uma mudança possível é a ampliação do atual requisito mínimo de cinco anos de residência, segundo uma fonte.

O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi também pode adotar uma postura mais rigorosa na análise de qualquer inadimplência anterior relacionada a impostos ou contribuições para a previdência social, publicou a Kyodo.

Os pontos a serem revisados serão definidos antes da divulgação de um pacote de políticas voltadas a estrangeiros residentes e turistas em janeiro de 2026.

Takaichi instruiu o ministro da Justiça, Hiroshi Hiraguchi, no início do mês, a estudar o endurecimento das regras para aquisição da nacionalidade japonesa.

A orientação foi dada após um grupo de estudo sobre políticas relacionadas a estrangeiros, liderado pelo então ministro da Justiça, Keisuke Suzuki, apontar em um relatório divulgado em agosto que os requisitos para obter a nacionalidade são mais brandos do que os exigidos para o visto permanente.

Antes de solicitar residência permanente, o requerente deve residir no Japão por pelo menos 10 anos, entre outras obrigações.

As regras sobre a permanência de estrangeiros ganharam destaque depois de reportagens que trataram de permanências irregulares e falta de pagamento do seguro nacional.

Desde que assumiu o cargo, Takaichi tem adotado uma postura mais rígida em relação à imigração, afirmando que busca construir uma sociedade segura, protegida, ordenada e inclusiva para japoneses e estrangeiros que vivem no país.

A Lei da Nacionalidade estabelece requisitos mínimos para a naturalização, como residir no Japão por 5 anos consecutivos, ter boa conduta e possuir meios de subsistência suficientes, seja por bens próprios, capacidade profissional ou apoio do cônjuge ou de parentes. Mesmo quando essas condições mínimas são atendidas, a naturalização nem sempre é concedida.

No caso da residência permanente, as regras seguem a Lei de Controle de Imigração e Reconhecimento de Refugiados. Para ser elegível, o estrangeiro deve estar em dia com impostos e contribuições para a previdência social, além de residir por pelo menos 10 anos no país.

Segundo o Ministério da Justiça, 12.248 pessoas solicitaram naturalização em 2024. Destas, 8.863 foram aprovadas e 639 negadas.

Governo anterior

A decisão de não renovar vistos de estrangeiros residentes de médio e longo prazo que não pagaram despesas médicas, impostos ou contribuições para a previdência social foi adotada pelo governo anterior, do então primeiro-ministro Shigeru Ishiba, segundo o The Asahi.

Estrangeiros que permanecem no Japão por mais de três meses precisam ingressar no seguro saúde nacional, mas não há dados consolidados sobre o pagamento desses prêmios.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde em cerca de 150 municípios indicou taxa de cobrança geral de 93%, enquanto entre estrangeiros ficou em 63%. Algumas administrações relataram casos de atrasos maliciosos à imigração, o que levou, desde 2020, a um programa piloto que condiciona a renovação de vistos à comprovação do pagamento. Trinta governos locais aderiram e 27 pedidos já foram rejeitados.

Em relação às despesas médicas, uma pesquisa de 2024 mostrou que 65,3% das instituições tinham contas pendentes. Embora 29,3% dos pacientes devedores fossem estrangeiros, os valores não pagos representavam apenas 1,4% do total.

O ministério informou ainda que estrangeiros representam cerca de 1% dos segurados que utilizam serviços hospitalares de alto custo. Desde 2021, informações sobre visitantes com dívidas acima de 200 mil ienes são coletadas e enviadas à Agência de Imigração, mas a adesão das instituições médicas é voluntária.

O governo avalia exigir dos municípios a checagem do pagamento das contribuições sociais, embora essa medida dificilmente contemple o controle de dívidas médicas. No campo da política migratória, o ministro da Justiça anunciou em maio um plano de sete pontos para alcançar zero imigrantes ilegais, afirmando que a segurança pública estaria ameaçada por estrangeiros que descumprem regras.

O anúncio ocorreu durante a preparação para as eleições da Câmara Alta, período em que o governo e o PLD buscavam agradar eleitores conservadores com discursos rígidos sobre crimes envolvendo estrangeiros.

Entidades de apoio a migrantes afirmam que não há dados objetivos que sustentem a narrativa de que estrangeiros representam ameaça à segurança. As organizações alertam que medidas mais duras podem estimular medo e rejeição, além de criticarem o uso de reportagens como base para políticas, defendendo a necessidade de informações consistentes antes de ampliar controles ou sanções.

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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