Falta de trabalhadores no Japão coloca segurança alimentar em risco

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Japão – Dentro de nove anos, o Japão perderá cerca de 1,3 milhão de hectares de terras agrícolas, o equivalente a 31% da área cultivável do país. O motivo é o envelhecimento acelerado dos produtores, que não encontram interessados em substituí-los. O dado levanta o alerta sobre o futuro da produção de alimentos no país.

Os dados são do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca e foram divulgados em relatórios recentes do governo, refletindo a dificuldade de manter a produção em áreas rurais. O total de 1,3 milhão de hectares, em termos comparativos, é maior do que a área da metrópole de Tóquio.

Segundo o Ministério, até 2024 o país tinha 4,3 milhões de hectares de terras agrícolas, o que representa 11% da área total do país. A área de terras cultiváveis indica também uma queda de 30% em comparação com o pico de 6,1 milhões de hectares segundo estatística de 1961, publicou o Nippon.

Se há terras para cultivar, faltam trabalhadores no setor. A idade média dos que trabalham na área é de 69,2 anos, conforme dados compilados pelo Nippon, com base em estatísticas do governo. Dentro desse total, 71,7%, ou 799.000, tinham 65 anos de idade ou mais. Para piorar, muitas comunidades não contam com sucessores para assumir o cultivo das terras.

Outro ponto preocupante é a queda acentuada no número de pessoas envolvidas diretamente na agricultura nas últimas décadas. Até o ano 2000, o país tinha 2,4 milhões de trabalhadores na agricultura. Hoje, o total fica perto de 1,1 milhão, uma queda de mais da metade.

Em geral, os jovens de cidades pequenas preferem buscar oportunidades de trabalho em grandes centros, como Tóquio, Osaka ou Fukuoka, deixando o setor agrícola sem sucessores. Esse movimento dificulta a manutenção do cultivo de alimentos, inclusive do arroz, que é a base da alimentação no Japão.

A solução encontrada pelo governo japonês é a ampliação do visto de Trabalhador Qualificado Específico, que passou a incluir o setor agrícola. Mesmo assim, o número de estrangeiros trabalhando em áreas cultiváveis é baixo, em torno de dezenas de milhares, insuficiente para compensar a queda de mão de obra no setor.

O envelhecimento da população e a falta de gente para ocupar as vagas deixadas é evidente em muitos outros setores. Mas o abandono de terras cultiváveis e a escassez de mão de obra no plantio coloca em risco a segurança alimentar do Japão e a sua economia.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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