Premiê do Japão diz que estrangeiros legais não precisam temer o governo

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Tóquio – A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que os estrangeiros residentes que cumprem as leis não precisam temer as ações de seu governo. Ela explicou que a administração será mais rigorosa apenas em relação aos criminosos e inadimplentes.

Takaichi, que assumiu o cargo em outubro, participou na semana passada de sua primeira reunião do conselho ministerial sobre políticas externas, conforme publicado pela mídia local.

“Não devemos criar uma situação em que estrangeiros que seguem as regras encontrem dificuldades para viver em nosso país”, declarou Takaichi, observando que muitos cidadãos japoneses demonstram preocupação com violações e condutas ilegais cometidas por alguns estrangeiros.

A premiê pretende apresentar em janeiro as novas diretrizes sobre estrangeiros, incluindo uma triagem mais rigorosa do status de residência, medidas para conter o turismo excessivo e possíveis restrições à compra de terras por estrangeiros.

Um funcionário do governo afirmou que as medidas não são inéditas, pois já faziam parte da gestão do ex-primeiro-ministro Shigeru Ishiba.

Entre os destaques do gabinete de Takaichi está a nomeação de Kimi Onoda para coordenar as políticas voltadas a estrangeiros. Onoda é conhecida por comentários considerados radicais nas redes sociais.

Em entrevista após a reunião do conselho, Onoda declarou que as políticas do governo não têm caráter xenófobo. “Se a mídia retratar nossas medidas como uma tentativa de excluir todos os estrangeiros, isso desmotivará aqueles que realmente se esforçam”, afirmou.

Questionamentos no Parlamento

Takaichi também esteve no Parlamento na semana que passou, onde afirmou que administrará adequadamente os programas voltados a estrangeiros, inclusive com limites. A declaração foi uma resposta ao partido populista Sanseito, que expressou preocupação com o aumento do número de residentes estrangeiros no Japão.

Takaichi foi questionada por Sohei Kamiya, líder do Sanseito, legenda que ganhou destaque nas últimas eleições para a Câmara dos Conselheiros, em julho, com o slogan “Japoneses em primeiro lugar”, segundo a Kyodo.

Kamiya disse que a população japonesa está “ansiosa e insatisfeita” desde que o governo ampliou a admissão de estrangeiros “sem um princípio claro”, e argumentou que o país parece estar aceitando trabalhadores estrangeiros “sem limites”.

O parlamentar destacou que sua principal preocupação é preservar a cultura, os costumes e a segurança pública, defendendo “a limitação do número de estrangeiros aceitos, o estabelecimento de regras rigorosas e a criação de um ambiente que favoreça sua integração à sociedade”.

Seguindo uma linha conservadora, Takaichi prometeu ao líder do Sanseito que adotará medidas mais rígidas contra imigrantes que permanecem ilegalmente após o vencimento do visto e contra investimentos estrangeiros especulativos no mercado imobiliário, além de criar um ministério dedicado ao tema.

A primeira-ministra também afirmou que o programa de visto para Trabalhadores Qualificados Específicos e um novo sistema de treinamento, previsto para 2027, permitirão que estrangeiros “exerçam adequadamente suas habilidades em setores com escassez de mão de obra”, áreas que “dependem de trabalhadores estrangeiros”.

Takaichi acrescentou que realizará estudos sobre futuras formas de admissão de trabalhadores estrangeiros, reconhecendo que sua presença é necessária diante do declínio populacional e da baixa taxa de natalidade do país.

Atualmente, o visto do tipo Trabalhador Qualificado Específico nº 1 permite estadia de até cinco anos no Japão. Aqueles que atuam em setores determinados podem obter o visto nº 2, mediante aprovação em exame e cumprimento de requisitos específicos.

O visto nº 2 exige habilidades avançadas e pode conceder residência permanente, inclusive para familiares.

Segundo Takaichi, o Japão planeja admitir até 820.000 titulares de visto nº 1 ao longo de cinco anos.

Os críticos da política do governo expressam preocupação com o comportamento de parte dos estrangeiros residentes, que incluem casos de permanência ilegal após o vencimento do visto e suspeitas de uso indevido de serviços públicos.

Foto: Reprodução/NHK

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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