Takaichi convoca eleição antecipada e coloca cargo de primeira-ministra em jogo

Tóquio – A primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou na segunda-feira (19) que irá dissolver a Câmara dos Representantes no Parlamento na sexta-feira (23), convocando uma eleição geral antecipada para o dia 8 de fevereiro. O início oficial da campanha dos partidos que disputarão vagas na Casa, também conhecida como Câmara Baixa, está marcado para 27 de janeiro.
Durante o anúncio, Takaichi afirmou que colocará seu cargo em jogo e buscará o julgamento dos eleitores sobre se deve permanecer como primeira-ministra do Japão. A dissolução ocorrerá no primeiro dia da sessão parlamentar ordinária deste ano, publicou a Kyodo.
“Esta é uma decisão não de fugir, não de procrastinar, mas de determinar o futuro do Japão junto com o povo”, disse ela. “Quero pedir diretamente ao público que julgue se confiará a governança desta nação a mim, Sanae Takaichi”, afirmou, segundo o jornal Asahi.
Ao mesmo tempo, a premiê declarou que buscará garantir a maioria das cadeiras para o bloco governista, composto por seu Partido Liberal Democrático (PLD), em coalizão com o Partido da Inovação do Japão. Para assegurar o controle da Câmara Baixa, a maioria corresponde a 233 cadeiras.
Takaichi afirmou que a decisão também serve para confirmar os altos índices de aprovação de seu governo, obter um mandato público para o que define como uma política fiscal “responsável, porém agressiva” e fortalecer o novo arcabouço da coalizão governista.
A última eleição para a Câmara Baixa foi realizada em outubro de 2024. Pela Constituição do Japão, os membros da Casa cumprem mandatos de quatro anos, a menos que o Parlamento seja dissolvido antes do prazo.
O governo central japonês tem enfrentado dificuldades nas negociações parlamentares, já que os partidos da coalizão mantêm uma maioria estreita na Câmara Baixa e seguem como minoria na Câmara Alta. Essa configuração tem obrigado o governo a cooperar com partidos de oposição para aprovar projetos de lei.
Para esta eleição antecipada, o oposicionista conservador Partido Democrático Constitucional do Japão e o Komeito, antigo aliado do PLD, formaram um novo partido, a Aliança de Reforma Centrista, que deverá se consolidar como a principal força da oposição no pleito.
A decisão de Takaichi de convocar eleições antecipadas foi criticada por partidos de oposição, que alegam que a primeira-ministra está priorizando cálculos políticos em detrimento da aprovação do orçamento inicial para o ano fiscal de 2026, que começa em abril, apesar de seu compromisso declarado com a implementação de políticas públicas.
Analistas esperam que as principais promessas de campanha incluam as medidas do governo para combater a inflação, a defesa de uma política fiscal descrita como “responsável e proativa” e o agravamento das relações do Japão com a China.
Tanto o governo quanto a oposição elegeram o corte do imposto sobre o consumo de alimentos uma promessa central para as eleições gerais de 8 de fevereiro, mas analistas alertam que gastos descontrolados e sem financiamento podem deixar um fardo duradouro para as gerações futuras.
Uma pesquisa realizada pelo jornal The Asahi revelou que metade dos eleitores é contrária à dissolução da Câmara Baixa e à convocação de eleições antecipadas. Ainda assim, 52% dos entrevistados afirmaram desejar que a coalizão governista mantenha sua maioria no Parlamento.
Foto: Canva







































