Veja o que cada candidato a primeiro-ministro pensa sobre os estrangeiros no Japão

Tóquio – O Parlamento do Japão se prepara para escolher o próximo primeiro-ministro, após a renúncia de Shigeru Ishiba no início de setembro. Cinco nomes estão na disputa pela liderança do Partido Liberal Democrata (PLD), partido que governa o país há décadas e que, por tradição, define também quem ocupará o cargo de premiê. Entenda o cenário político atual e conheça as posições de cada candidato em relação aos estrangeiros.
A eleição, que estava marcada para este sábado (4), poderá ser realizada no dia 14 deste mês, conforme anúncio feito pelo Partido Liberal Democrata (PLD), publicou a agência Jiji.
Apesar dos esforços dos candidatos em provar que o PLD é capaz de continuar governando o Japão, não há garantias de que um deles se torne primeiro-ministro, já que a coalizão com o Komeito perdeu o controle da Câmara dos Representantes após as eleições gerais de outubro de 2024, segundo a Kyodo.
O Japan Times publicou que o PLD sofreu três derrotas consecutivas em menos de um ano: na eleição da Câmara Baixa, na Assembleia Metropolitana de Tóquio e, mais recentemente, na Câmara Alta.
O partido também precisará de apoio da oposição para garantir o cargo de primeiro-ministro ao seu novo líder — embora a desorganização entre os opositores torne, por ora, limitada a chance de um premiê fora do PLD.
Com partidos como o Sanseito e o Partido Democrático do Povo explorando o crescente descontentamento dos eleitores, as perspectivas de uma reviravolta para o governo parecem pequenas, independentemente de quem assuma a liderança do PLD.
Estrangeiros no Japão
Entre os temas abordados pelos candidatos estão o combate à alta de preços, a segurança do país e também as políticas voltadas a estrangeiros e imigração.
Segundo a Agência de Serviços de Imigração, em dezembro de 2024 havia 3.768.977 estrangeiros vivendo no Japão, um aumento de 357.985 (10,5%) em relação ao ano anterior.
Por status de residência, os permanentes são maioria, com 918.116 pessoas, seguidos por estagiários técnicos (456.595) e estudantes (402.134).
As dez maiores comunidades estrangeiras no país são:
- China – 873.286
- Vietnã – 634.361
- Coreia do Sul – 409.238
- Filipinas – 341.518
- Nepal – 233.043
- Brasil – 211.907
- Indonésia – 199.824
- Mianmar – 134.574
- Taiwan – 70.147
- Estados Unidos – 66.111
Nos discursos dos candidatos, os chineses foram frequentemente citados em relação a crimes e uso indevido de serviços públicos; vietnamitas aparecem associados ao programa de “treinamento técnico”; já os coreanos são mencionados de forma mais discreta, dentro da preocupação geral com ordem social e cultural.
Questões que mais preocupam os candidatos em relação aos estrangeiros são:
- Criminalidade e segurança: discursos destacaram crimes atribuídos a estrangeiros como justificativa para controles mais rígidos.
- Uso de benefícios sociais: críticas sobre possível abuso de sistemas públicos.
- Controle migratório: defesa de revisar a Lei de Imigração e intensificar fiscalizações, sobretudo sobre trabalhadores não especializados.
- Carteira de motorista e imóveis: menção a critérios mais rígidos para conversão de habilitações estrangeiras e restrições à compra de imóveis.
- Mercado de trabalho: preocupação de que estrangeiros ocupem empregos rejeitados por japoneses.
- Integração social: receios de que o aumento da imigração cause tensões ou fragilize a coesão cultural.
- Dependência de mão de obra estrangeira: reconhecimento da importância em setores como construção civil, agricultura, cuidados a idosos e manufatura, mas com ressalvas sobre limites.
Posição dos candidatos
Takayuki Kobayashi
Defende a valorização do trabalho duro como caminho para fortalecer a sociedade. Sobre estrangeiros, é contrário à imigração. Reconhece a necessidade de mão de obra externa em alguns setores, mas quer reduzir a dependência.
Toshimitsu Motegi
Promete resultados rápidos e eficazes, como medidas contra a inflação e fim do imposto provisório sobre a gasolina. Quanto a estrangeiros, rejeita a imigração ampla, defende tolerância zero para ilegais e fiscalização mais rígida, mas aceita quem cumpre a lei.
Yoshimasa Hayashida
Propõe união para superar as dificuldades atuais. Em relação a estrangeiros, defende eliminar irregularidades e aceitar apenas o número necessário de trabalhadores de fora, de forma gradual.
Sanae Takaichi
Afirma que o crescimento econômico virá de investimentos estratégicos em gestão de crises. Sobre estrangeiros, promete rigor contra ilegais, deportação de falsos refugiados e restrições à compra de terras.
Shinjiro Koizumi
Defende medidas contra a inflação, como fim do imposto provisório sobre a gasolina e ampliação da dedução básica da renda. Sobre estrangeiros, não adota política pró-imigração; quer que respeitem as regras, coibir abusos em benefícios e controlar a compra de imóveis.
Foto: Reprodução/NHK
Os candidatos a partir da esq.: Takayuki Kobayashi, Toshimitsu Motegi, Yoshimasa Hayashi, Sanae Takaichi e Shinjiro Koizumi







































