Hábitos que parecem educados, mas soam grosseiros no Japão

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Tóquio – Muitas vezes os estrangeiros no Japão podem cometer enganos, tentando ser educados, mas que acabam parecendo grosseiros para os nativos. São situações que fazem parte da cultura e não há muito o que fazer, a não ser aprender e aplicar no cotidiano. Veja as 10 situações que podem parecer educadas, mas não são, segundo o Gaijin Pot.

1. Fazer uma reverência muito acentuada

A reverência é coisa séria no Japão. O ato de curvar-se perante outras pessoas indica respeito, gratidão, pode ser um pedido de desculpas ou apenas sinal de boas maneiras. Talvez alguns pensem que quanto mais curvada for a reverência, mais respeito estarão demonstrando, mas não é bem assim. O básico é curvar-se cerca de 30 graus. Se for muito superficial, parecerá grosseiro. Se for muito mais que 30 graus, poderá deixar a outra pessoa desconfortável, especialmente se ela não estiver em posição de retribuir. O equilíbrio é o melhor caminho.

2. Fazer contato visual direto

Em muitos países do Ocidente, o contato visual tem vários significados, podendo transmitir confiança e interesse. No Japão, olhar demais nos olhos pode parecer agressivo ou até conflituoso. Não é necessário encarar a outra pessoa. Pode-se olhar para o nariz ou para o queixo, de modo a manter a naturalidade. E não se pode esquecer do “aizuchi”, que são aquelas respostas sonoras como “hmm”, “sou desu ne” ou “hai”, que mostram que está prestando atenção. Tudo isso faz parte do fluxo das conversas em japonês.

3. Elogiar alguém em público

Quem começa a estudar japonês certamente aprenderá que, quando algum japonês disser que você fala bem o idioma, a resposta mais educada será “iie”, para não parecer orgulhoso. Da mesma forma, elogiar alguém em público também não pega bem no Japão. Se for elogiar os sapatos de um colega, por exemplo, ele provavelmente ficará desconfortável. Nas culturas ocidentais isso não é motivo de constrangimento, mas no Japão os elogios, principalmente vindos de estranhos, são raros e podem não cumprir o seu papel.

4. Ser direto demais

Outro detalhe da cultura japonesa é evitar ser direto, dizendo exatamente o que pensa ou planeja fazer. Por isso, dizer um “não” de imediato após receber um convite pode soar grosseiro. Em vez disso, é melhor responder de forma indireta, como “vou pensar a respeito”. Se na cultura ocidental não há problema em ser direto, no Japão a sutileza é o que vale na comunicação. O melhor caminho é tangenciar a situação. Não é falta de sinceridade, mas sim uma forma de proteger os sentimentos de todos.

5. Esquecer de pedir desculpas primeiro
Quando uma pessoa erra no Ocidente, em geral costuma pedir desculpas e tudo se resolve. Mas no Japão a situação é diferente: as pessoas frequentemente se desculpam antes de dizer algo negativo, mesmo que não sejam responsáveis. Seguir essa regra pode manter a harmonia social e é uma forma de amenizar uma notícia ruim ou situação desagradável.

6. Disputar quem vai pagar a conta
Ao sair com um amigo ou colega japonês, se ele insistir em pagar a conta, aceite. Obviamente, é bom demonstrar gratidão. No país é comum, como em outras nações, grupos dividirem a conta em um restaurante, por exemplo. Mas se uma das partes decide pagar, não insista em dividir, pois assim estará recusando a hospitalidade da pessoa e isso pode gerar mágoas. Deixe que pague e, dependendo da relação, pode até enviar um presente ou lembrança como forma de agradecimento.

7. Chegar cedo demais

Uma característica japonesa é a pontualidade. Quando está marcado que um trem vai sair às 14h01, assim será. O mesmo deve prevalecer nos encontros e reuniões. Mas evite chegar muito antes. Aparecer cedo demais pressionará a outra pessoa a se apressar para recebê-lo. Caso chegue ao local do encontro ou reunião antes da hora, passe um tempo em um café ou conheça a área próxima até o horário combinado. E, caso vá se atrasar por motivo de força maior, como trânsito pesado, ligue para avisar a pessoa.

8. Colocar o lixo para fora muito cedo
A separação do lixo no Japão é um caso sério e já resultou em muitos atritos entre japoneses e estrangeiros. A imensa maioria de estrangeiros e japoneses respeita o que está determinado e ponto final. Apenas alguns, por descuido ou má-fé, descartam o lixo na data ou local errado. Outro problema é colocar o lixo para fora muito cedo. Os próprios japoneses dizem que é cansativo acordar cedo para jogar o lixo às 7h. Porém, se for descartado na noite anterior, especialmente se for lixo queimável, pode atrair corvos, que rasgam os sacos plásticos e espalham restos de alimentos. O importante é cumprir as regras e manter a boa convivência na vizinhança.

9. Sair do elevador primeiro

Quem anda de trem ou metrô sabe que a regra é clara: se você estiver na porta, deve sair para deixar os outros descerem, embora nem sempre alguns japoneses ajam assim. Alguns fingem distração e ficam parados junto à porta, atrapalhando quem precisa desembarcar. Mas, no caso de elevadores lotados, a regra é diferente. Quem estiver próximo ao painel de botões costuma assumir o papel de “operador do elevador”, apertando o botão para manter as portas abertas até que todos saiam. Caso precise sair, espera-se que outra pessoa assuma essa função.

10. Bloquear a escada rolante
Esse tema já foi abordado em outra publicação no Portal Japão. Oficialmente, os passageiros em estações ou outros locais deveriam ficar parados lado a lado. Em cidades como Tóquio ou Osaka, as pessoas param de um lado e deixam espaço para quem quiser passar, especialmente em escadas rolantes longas. Já em Nagoya (Aichi), a cidade iniciou uma campanha para que as pessoas se mantenham paradas e evitem subir ou descer as escadas rolantes, reduzindo o risco de acidentes. É importante também evitar o uso dessas escadas com malas ou carrinhos de bebê. Nesses casos, prefira o elevador.

Foto: Banco de Imagem

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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