Japão avança em testes clínicos com sangue artificial universal

Tóquio – Cientistas da Universidade Médica de Nara, no Japão, iniciaram ensaios clínicos com um sangue artificial universal, desenvolvido pela equipe do professor Hiromi Sakai, da Universidade Médica de Nara.
O material, chamado pelos médicos de “vesículas de hemoglobina”, é desenvolvido a partir de hemoglobina extraída de bolsas de sangue expiradas e encapsulada em membranas lipídicas.
O sangue artificial transporta oxigênio como as hemácias, mas sem antígenos de tipo sanguíneo, tornando-se compatível com todos os pacientes e livre de vírus.
Algumas das vantagens são: a eliminação de testes de compatibilidade, o que acelera os procedimentos de transfusão; possibilidade de armazenamento por até dois anos em temperatura ambiente e até cinco anos em geladeira. Em comparação, o sangue doado tem vida útil de apenas 42 dias após ser armazenado em geladeira.
Os testes clínicos em humanos começaram em 2022, com voluntários saudáveis de 20 a 50 anos de idade, que receberam por via intravenosa o sangue artificial em doses crescentes de até 100 mililitros.
Alguns participantes apresentaram efeitos colaterais, como febre e erupções cutâneas, mas que se resolveram sem complicações.
Em março de 2023, os estudos foram expandidos: os voluntários começaram a receber injeções de 100 a 400 mililitros de solução de células sanguíneas artificiais. De acordo com o professor Sakai, a equipe acelerou o ritmo da pesquisa em julho de 2023.
Nos testes realizados em março passado, 16 voluntários saudáveis receberam doses de 100 a 400 ml, com o objetivo de avaliar a segurança e a eficácia do composto, publicou a Newsweek.
A iniciativa busca enfrentar a escassez global de sangue, especialmente em países de baixa renda.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 118 milhões de doações de sangue são coletadas todos os anos no mundo, sendo que 40% vêm de países ricos, que concentram apenas 16% da população mundial.
Se comprovado seguro, o sangue artificial pode representar um avanço crucial para a medicina de emergência e para regiões com acesso limitado a transfusões.
Outra pesquisa
Paralelamente à pesquisa do professor Sakai, o professor Teruyuki Komatsu, da Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade Chuo, está desenvolvendo sangue artificial à base de hemoglobina encapsulada em albumina, noticiou o Tokyo Weekender.
Esses desenvolvimentos visam estabilizar a pressão arterial e tratar condições como hemorragia e acidente vascular cerebral.
Komatsu e sua equipe já obtiveram resultados positivos em experimentos com animais, que abrem perspectivas para ensaios clínicos em humanos.
Prevê-se que os glóbulos vermelhos artificiais sejam introduzidos na medicina prática por volta de 2030.
Foto: Banco de Imagem







































