Deepfakes sexuais envolvendo crianças dobram no primeiro semestre no Japão

Tóquio – A Agência Nacional de Polícia divulgou que foram registrados 123 casos de deepfakes sexuais gerados por inteligência artificial (IA) envolvendo crianças no primeiro semestre deste ano. O número mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. Em todo o ano de 2025, haviam sido registrados 114 casos desse tipo.
Segundo as autoridades policiais, o aumento evidencia a rápida disseminação da IA generativa e o avanço de seus recursos de edição de imagens, que estão se tornando cada vez mais sofisticados, publicou a Jiji Press.
As principais vítimas são estudantes: 79 alunos do ensino fundamental II, 38 do ensino médio, três do ensino fundamental I e outras três cujas informações escolares não puderam ser confirmadas.
O dado mais preocupante é que, em 83 casos, os autores dos deepfakes eram colegas de classe ou estudantes da mesma escola das vítimas. Outros sete casos envolveram pessoas que conheceram as vítimas por meio das redes sociais ou de outras plataformas online.
Homem suspeito é preso
Kenta Imoto, de 32 anos, morador da cidade de Himeji, na província de Hyogo, foi preso pela Polícia Metropolitana de Tóquio sob suspeita de difamação e de violação da Lei de Proibição da Prostituição Infantil e da Pornografia Infantil.
Ele é suspeito de ter utilizado IA generativa para transformar fotos de mulheres reais em imagens obscenas e publicá-las na internet.
Um estudante de 17 anos, do terceiro ano do ensino médio e morador da cidade de Tarumizu, na província de Kagoshima, também foi encaminhado à promotoria pelas mesmas suspeitas, por ter solicitado a edição das imagens.
Segundo a polícia, ambos admitiram as acusações. Imoto afirmou que "ficava feliz por conseguir agradar as pessoas".
Os dois teriam agido em 11 de fevereiro, utilizando IA generativa para transformar uma fotografia antiga de uma mulher, atualmente com cerca de 40 anos, tirada quando ela cursava o primeiro ano do ensino fundamental II e usava uniforme de educação física. Na montagem, a adolescente aparecia nua.
Duas dessas imagens obscenas falsas, conhecidas como deepfakes sexuais, foram publicadas em um grupo de uma rede social.
De acordo com a polícia, Imoto também é suspeito de criar e publicar nas redes sociais imagens obscenas semelhantes envolvendo outras três mulheres, atualmente na faixa dos 20 anos.
A Divisão de Desenvolvimento Juvenil da Polícia Metropolitana de Tóquio informou que os dois suspeitos não conheciam pessoalmente as vítimas.
O estudante de 17 anos baixou as fotografias de um grupo em uma rede social no qual eram compartilhadas imagens de mulheres praticando atletismo. Os usuários pediam que Imoto alterasse as fotografias.
Os policiais encontraram ainda 3.800 imagens e vídeos obscenos no celular de Imoto. As autoridades continuam investigando a possibilidade de que ele tenha recebido pedidos de outras pessoas.
Foto: Canva







































