Japão cria Conselho Nacional de Inteligência e acende alerta sobre privacidade

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Tóquio - O Parlamento do Japão aprovou uma lei para criar o Conselho Nacional de Inteligência, órgão que terá a função de fortalecer a coleta e a análise de informações no país. A proposta foi aprovada por maioria, com apoio da coalizão governista e de alguns partidos de oposição, mas tem gerado desconfiança sobre possíveis riscos à privacidade.

A medida integra uma das principais metas do governo da primeira-ministra Sanae Takaichi para reforçar a estrutura de inteligência do Japão. Segundo a NTV, a votação terminou com 187 votos favoráveis e 58 contrários. Entre os opositores, um dos argumentos foi que os alvos das atividades de inteligência não estavam claramente definidos.

O plano do governo é criar o Conselho Nacional de Inteligência, a ser chefiado pela primeira-ministra, para supervisionar operações ligadas à segurança nacional, ao combate ao terrorismo e às medidas de contraespionagem contra forças estrangeiras.

O atual Gabinete de Inteligência e Pesquisa do Gabinete também será reorganizado e fortalecido como Agência Nacional de Inteligência, que atuará como estrutura operacional do novo sistema. O governo afirma que a medida busca centralizar a coleta e a análise de informações e reduzir a fragmentação burocrática entre ministérios e agências.

Violação de privacidade

A lei estabelece que a nova agência de inteligência terá autoridade para reunir e analisar informações de ministérios e órgãos governamentais. Como medida de precaução, o Parlamento aprovou uma resolução suplementar para garantir que não haja violação desnecessária de informações pessoais e da privacidade, noticiou a NHK.

A primeira-ministra afirmou que, embora preocupações com privacidade tenham surgido durante os debates no Parlamento, a nova lei regula as relações entre órgãos governamentais e não tem como objetivo ampliar riscos aos cidadãos.

Um grupo de manifestantes protestou do lado de fora do Parlamento, gritando: "Não precisamos de uma lei que restrinja nossa liberdade."

O parlamentar Oniki Makoto, do Partido Democrático Constitucional, se posicionou contra o projeto e disse que a capacidade de inteligência representa uma forma poderosa de autoridade que, se for abusada, pode violar injustamente os direitos das pessoas.

Um especialista em direitos humanos recomendou a criação de um órgão independente para fiscalizar esse trabalho de inteligência, manter as atividades da agência sob controle e impedir possíveis abusos ou violações de direitos.

Atenção aos direitos humanos

O grupo internacional Human Rights Watch pediu ao governo de Sanae Takaichi que garanta que eventuais leis de contraespionagem e de registro de agentes estrangeiros sejam compatíveis com as normas nacionais e internacionais de direitos humanos.

A organização enviou uma carta à premiê japonesa em abril, pedindo que a legislação não viole direitos fundamentais, incluindo o direito à liberdade de pensamento, de consciência, de expressão verbal e de outras formas de manifestação, garantidos pela Constituição do país e pelo direito internacional, noticiou a Kyodo.

A Human Rights Watch, sediada em Nova York, afirmou que reconhece a importância de proteger a segurança nacional e combater a influência ilegal do dinheiro na política para promover e proteger as instituições democráticas do país, mas destacou que o governo deve adotar uma abordagem que respeite os direitos.

A organização também afirmou que qualquer restrição deve ser "não discriminatória e monitorada por um órgão independente" para identificar e evitar possíveis danos.

Segundo uma fonte ligada ao governo japonês, o plano é criar um painel de especialistas sobre um projeto de lei de contraespionagem ainda neste verão, com discussões voltadas à apresentação da proposta ao Parlamento no próximo ano.

Foto: Canva
Parlamento, em Tóquio, aprovou a criação de uma nova estrutura de inteligência no país

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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