Incêndios destroem nove templos e santuários históricos no Japão em 2026

2026/06/12 10:46
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Tóquio – Nove templos budistas e santuários xintoístas foram destruídos por incêndios em todo o Japão nos primeiros cinco meses deste ano, levantando preocupação sobre a preservação de construções históricas de madeira no país.

Entre os casos está o Templo Daihoji, em Takaoka (Toyama), fundado em 1453 e com cerca de 573 anos de história. O incêndio destruiu o salão principal, mas quatro pinturas budistas pertencentes ao templo e classificadas como bens culturais importantes do Japão estavam guardadas no Museu de Arte de Takaoka e não foram atingidas.

Outro caso de grande impacto foi o incêndio no Salão Reikado, no templo Daishoin, no monte Misen, na ilha de Miyajima (Hiroshima). O local abrigava a Chama Eterna do Japão, conhecida como Kiezu no Hi, mantida acesa por cerca de 1.200 anos e associada ao monge Kobo Daishi. Apesar da destruição do salão, a chama sagrada foi retirada por um monge e preservada em outra área do templo.

Os incêndios ocorreram entre 15 de janeiro e 20 de maio. De acordo com o Fire Risk Heritage, cinco pessoas morreram no incêndio registrado no Templo Shorinji, em Shimonoseki (Yamaguchi). Dos nove templos e santuários atingidos, sete foram destruídos totalmente e dois sofreram danos parciais.

A causa da maior parte dos incêndios ainda está sob investigação. Alguns locais já haviam enfrentado destruição semelhante no passado, como o Salão Reikado, que também foi destruído por um incêndio em 2005 e reconstruído no ano seguinte.

Até agora, foram atingidos pelo fogo o Santuário Suga, em Kitakyushu (Fukuoka); o Templo Shiraikuji, em Matsuyama (Ehime); o Templo Hottoji (Ehime); o Templo Shorinji, em Shimonoseki (Yamaguchi); o Santuário Atago, em Niigata; o Templo Daihoji, em Takaoka (Toyama); o Templo Daiho (Toyama); o Salão Reikado, no templo Daishoin, no monte Misen, na ilha de Miyajima (Hiroshima); e o Templo Renshoji (Toyama).

Muitos templos e santuários do Japão são construídos com madeira, o que torna o fogo uma das maiores ameaças a esse tipo de patrimônio. Além da perda arquitetônica, incêndios em locais religiosos podem destruir objetos sagrados, obras de arte, registros históricos e tradições mantidas por séculos.

Após o incêndio no Castelo de Shuri, em Okinawa, em 2019, o governo japonês iniciou um programa nacional para reforçar a proteção contra incêndios em locais de valor cultural. No entanto, a sequência de casos registrada em 2026 mostra que o risco continua elevado e que a preservação desse patrimônio depende de medidas constantes de prevenção, fiscalização e modernização dos sistemas de segurança.

Foto: Reprodução/NDTV World

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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