Música brasileira brilha no Festival Brasil & Latino com talentos japoneses

Tóquio – A programação musical é sempre o ponto alto dos eventos no Japão. Na 18ª edição do Festival Brasil & Latino, o público teve a oportunidade de apreciar o melhor da música brasileira, com artistas como Armandinho Macêdo e Márcia Cordeiro. O destaque, porém, foi a grande participação de músicos japoneses.
O show de encerramento do evento ficou a cargo do cantor, compositor e guitarrista Armandinho Macedo e sua banda. Eles apresentaram canções icônicas, como “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, com a participação da cantora Mariangela, além de uma parceria especial com a cantora Sonia Hayashi.
Armandinho surpreendeu o público ao tocar “Smooth”, de Santana, e até uma música de Michael Jackson. Um dos momentos mais marcantes foi quando ele uniu sua guitarra baiana ao som forte do grupo de percussão Barravento, no estilo Olodum, para interpretar “Bolero”, clássico do francês Maurice Ravel.
A trajetória de Armandinho é longa e sempre dedicada à música. Seu pai, Osmar, criou o trio elétrico ao lado de Dodô, na Bahia. O guitarrista recebeu influências hoje raras entre artistas, como Waldir Azevedo, os Beatles e Jimi Hendrix. Ao longo da carreira, já lançou 40 discos e dividiu o palco com nomes como Stanley Jordan, Stanley Clarke e Yamandu Costa.

Márcia Cordeiro
A cantora Márcia Cordeiro, vinda do Mato Grosso do Sul, também bebe de fontes clássicas, interpretando músicas como “Como nossos pais”, de Elis Regina, e “Tocando em frente”, de Almir Sater. Entre suas composições próprias, destacou “Bonito”, que exalta as belezas de sua terra. Márcia ainda tem uma conexão especial com o Japão, pois seu filho mora há oito anos em Ota (Gunma).
“Em minha apresentação no sábado (19), me senti muito acolhida e houve grande interação com o público. Quando canto, falo muito de natureza, ainda que more na ‘selva de pedra’ que é São Paulo. E sigo nessa linha, que é o que acredito ser o melhor”, comentou.
Tem japonês no samba

Leo Nakayama e Banda BR38
Há alguns anos, a presença de japoneses no samba era vista com estranhamento, mas hoje isso ficou no passado. A qualidade dos músicos locais que tocam samba é notável. Prova disso é o músico Leo Nakayama, que levou ao festival sua banda BR38, composta por japoneses, fundada em 2017.
Leo trabalha de segunda a sexta-feira, mas nos fins de semana se dedica ao seu grande hobby: a música. “Nosso objetivo é difundir a cultura brasileira. A escolha de músicos japoneses é para garantir a continuidade desse projeto no futuro. Todos são experientes, mas eu os oriento em alguns ‘macetes’ e nuances do ritmo brasileiro”, explica.
“Os japoneses têm grande interesse pela música e cultura brasileiras. Muitos até viajam para o Brasil para aprender, frequentando inclusive escolas de samba”, afirma.
Outro destaque no festival foi o músico Marcelo Kimura, ex-integrante da banda Via Brasil, que agora se apresenta com seu próprio grupo. “Desta vez trouxe um trabalho autoral, com músicas próprias, mas com um grupo multicultural, misturando música brasileira, jazz e samba”, conta.
Sua banda tem um baixista experiente que já tocava música brasileira antes mesmo de Kimura chegar ao Japão, e que inclusive gravou com Roberto Menescal. O baterista é um jovem de 19 anos, filho de um dono de bar especializado em música brasileira. Já o saxofonista é inglês, mora no Japão há 20 anos e trabalha com Kimura há sete anos.
“O que merece destaque é a admiração e o profundo interesse dos japoneses pela música brasileira. Eles não apenas gostam, mas também pesquisam e conhecem detalhes históricos da nossa música — às vezes até mais do que muitos brasileiros. É claro que há algumas limitações por não estarem no Brasil, mas eles superam tudo isso nas apresentações, com a proposta de apresentar um verdadeiro ‘som brazuca’”, conclui Kimura.
Foto: Redação






































