Motoristas no Japão ignoram faixa de pedestre em 40% dos casos

2026/02/13 10:10
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Tóquio – Um levantamento feito pela Japan Automobile Federation (JAF) revelou que mais de 40% dos motoristas não param em faixas de pedestre em vias sem semáforo.

A “Pesquisa Nacional sobre a Situação de Parada Temporária de Veículos durante a Travessia de Pedestres em Faixas sem Semáforo” foi feita em agosto do ano passado, envolvendo 6.226 veículos que passaram por faixas de pedestres em locais sem semáforo em todo o país, segundo o site da JAF.

Para realizar o levantamento, a JAF escolheu dois locais por província com faixa de pedestre e sem semáforo, num total de 94 pontos em todo o Japão. Os pedestres eram funcionários da JAF, os quais realizaram 50 travessias da faixa, totalizando 100 por província.

O número de veículos que pararam temporariamente quando pedestres tentavam atravessar foi de 3.528, ou 56,7%, registrando a maior taxa de respeito à lei de trânsito da história. Houve um aumento de 3,7 pontos percentuais em comparação com a pesquisa do ano anterior e a taxa de veículos que pararam aumentou em 35 províncias.

Mas outros 43,3% dos motoristas não pararam para pedestres atravessando a faixa e passaram pelo local.

As províncias que apresentaram as maiores taxas de parada dos veículos foram: Nagano (88%), Gifu (78%), Fukuoka (77,7%), Kumamoto (77,4%), Miyazaki (76,5%), Fukushima (74,5%) e Shiga (72,9%).

As que tiveram as taxas mais baixas foram: Yamaguchi (34,3%), Osaka (35,5%), Fukui (35,8%), Okinawa (36,9%), Hokkaido (38,1%), Oita (38,6%).

A JAF lembra que como a pesquisa analisou a situação em apenas dois locais por província, os números podem não ser idênticos em todos os municípios da mesma província.

O que diz a lei?

Na legislação japonesa, o pedestre tem prioridade ao atravessar a faixa de segurança. E quando houver alguém atravessando a via na faixa de pedestre, os veículos devem parar temporária e imediatamente antes da faixa, sem impedir a passagem das pessoas.

O motorista também tem o dever de reduzir a velocidade para ser capaz de parar o veículo antes da faixa, a menos que não haja pedestres atravessando.

Mas os pedestres também devem comunicar a intenção de atravessar ao motorista e evitar travessias forçadas ou perigosas. Essa a comunicação entre o pedestre e o motorista é baseada em gestos claros e contato visual. Embora a lei garanta a preferência ao pedestre, a JAF e as autoridades policiais incentivam ações específicas para garantir que o motorista perceba a intenção de travessia, especialmente em faixas sem semáforo.

As formas mais recomendadas são:

Levantar a mão: Este é o método mais clássico e ensinado desde a infância nas escolas japonesas. O pedestre levanta a mão ou a mantém levemente erguida para sinalizar que deseja iniciar a travessia.

Contato visual (Eye contact): Olhar diretamente para o motorista para confirmar que ele viu você e está reduzindo a velocidade.

Aceno leve: Em alguns casos, um pequeno gesto com a mão à frente do corpo também é utilizado.

Bandeiras amarelas: Em muitas faixas próximas a escolas, existem suportes com pequenas bandeiras amarelas. As crianças (e às vezes idosos) seguram a bandeira enquanto atravessam para aumentar a visibilidade e depois a colocam no suporte do outro lado da via.

Agradecimento: Embora não seja obrigatório, é um costume cultural muito forte no Japão que o pedestre faça uma pequena reverência (curvando a cabeça) após o carro parar ou ao terminar a travessia, como sinal de agradecimento pela cortesia e segurança.

Existem outros pontos a considerar: os veículos não devem realizar ultrapassagens ou passagens laterais a menos de 30 metros da faixa de pedestres. É preciso levar em conta que se o veículo à frente está parado em uma faixa de pedestre, existe a possibilidade de que ele esteja dando prioridade à travessia de um pedestre.

Existem sinais de trânsito e marcações no solo antes das faixas de pedestres, com a JAF pedindo aos motoristas que dirijam com atenção.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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