Japão revisará política imigratória diante do aumento de estrangeiros residentes

Tóquio – O governo japonês anunciou recentemente que revisará suas políticas de imigração, incluindo o possível estabelecimento de limites, diante do rápido crescimento do número de estrangeiros no país, segundo o ministro da Justiça, Keisuke Suzuki.
Um grupo será formado para analisar o impacto do crescimento da população estrangeira residente e, com base nos resultados, o governo fará as revisões que considerar necessárias em sua política imigratória, segundo a mídia local.
A preocupação do governo é evitar divisões sociais entre estrangeiros e cidadãos japoneses, problema que já existe em outras nações integrantes do G7. A possibilidade de determinar limites será considerada diante de sinais de que essa divisão ultrapassou níveis toleráveis.
O ministro Suzuki comentou: “Outros países têm enfrentado dificuldades de integração, o que em muitos casos levou à divisão social ou à instabilidade política. O Japão também precisa se preparar com antecedência.”
Na verdade, Suzuki vem participando de encontros privados com acadêmicos especializados em imigração para identificar pontos importantes. Um relatório feito com base nessas reuniões aponta para o fato de que, quando a proporção de estrangeiros aumenta, “o impacto sobre a sociedade japonesa cresce, e diversos desafios complexos podem surgir”.
O ministro lembrou que o Japão enfrenta um sério declínio populacional, ao mesmo tempo em que aumenta o número de estrangeiros residentes.
Segundo ele, as projeções indicam que os estrangeiros poderão representar até 10% da população total. “É essencial analisar que tipo de sociedade e economia o Japão se tornará e rever nossa abordagem fundamental em relação às políticas de imigração.”
Hoje, os estrangeiros chegam a 2,82% da população japonesa, mas a projeção citada por Suzuki, de 10,8%, é para 2070. A preocupação do governo é que a queda na taxa de natalidade poderá acelerar essa mudança.
Para se ter uma ideia, em 2024 o total de nascimentos ficou abaixo de 690 mil, patamar que só era esperado para 2039. Ao mesmo tempo, a população estrangeira cresceu em cerca de 300 mil por ano desde o fim da pandemia, ultrapassando 350 mil no ano passado.
Suzuki disse que as análises recairão sobre sete áreas, como crescimento econômico, política industrial, política trabalhista, tributação e seguridade social, vida comunitária, segurança pública e controle migratório.
Para o ministro, sem uma política de longo prazo, o crescimento do número de estrangeiros residentes poderá afetar salários, condições de trabalho, sistemas de seguridade social e segurança pública.
No relatório obtido pelo governo com especialistas, há recomendações sobre o papel dos governos nacional e locais, com a criação de programas de integração mais eficazes para reduzir tensões em comunidades com populações estrangeiras em crescimento.
O relatório inclui ainda o reforço da supervisão migratória, a introdução de uma autorização eletrônica de viagem até 2028, a redução do tempo médio de análise de pedidos de asilo para seis meses até 2030, a ampliação da capacidade de deportação e o endurecimento das medidas contra o trabalho ilegal.
O documento recomenda também reformas com relação aos vistos de negócios, estudo e profissionais, e uma maior coordenação entre a Agência de Serviços de Imigração e o Ministério da Justiça, que atualmente tratam separadamente da concessão de residência permanente e da naturalização.
Outro ponto é a limitação do número de trabalhadores qualificados específicos e de trabalhadores menos qualificados que visam se tornar qualificados, dentro de um novo programa de treinamento previsto para começar no ano fiscal de 2027.
O ministro Suzuki destacou que a prioridade do governo é proteger a segurança dos cidadãos japoneses: “O Japão deve avançar em direção a uma verdadeira convivência com os estrangeiros, preparando-se para uma era em que eles representarão 10% da população.”








































