Marcas de relógios japoneses independentes conquistam colecionadores e desafiam tradição suíça

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Tóquio – Muitos produtos japoneses são respeitados mundialmente pela precisão com que são fabricados. Um deles é o relógio de pulso, que não fica devendo nada aos mais famosos modelos suíços. Conheça alguns dos verdadeiros artesãos da relojoaria japonesa independente.

Naoya Hida & Co

Foto: Reprodução/Naoya Hida

Naoya Hida trabalhou por décadas como distribuidor e representante de marcas suíças no Japão, como F.P. Journe, Jaeger-LeCoultre e Breguet, entre outras. Até que decidiu fundar a própria marca, criando relógios com identidade própria, inspirados no estilo vintage das décadas de 1930 e 1940, marcados por refinamento extremo e pela sensibilidade estética japonesa.

A Naoya Hida & Co entrou oficialmente no mercado em março de 2019. Segundo o site Phillips, Hida não é relojoeiro de formação, mas seus produtos são inspirados no artesanato tradicional, com atenção minuciosa aos detalhes e alto nível de precisão, beirando a perfeição. Cada relógio reflete harmonia e equilíbrio, tão prezados pela estética japonesa.

O primeiro modelo lançado foi o Type 1B, em 2019, que recebeu elogios entusiasmados de colecionadores. As tiragens são extremamente limitadas, variando de menos de 10 a pouco mais de 40 exemplares por modelo, o que aumenta o valor das peças pela raridade. Em 2023, a empresa produziu 100 unidades distribuídas em sete modelos.

A aquisição de um relógio da marca só pode ser feita por solicitação. Hida anuncia novos modelos, abre um período de inscrições e, posteriormente, seleciona quem poderá adquirir as peças. Nem todos os pedidos são atendidos.

Um detalhe técnico relevante é o uso do aço 904L, altamente resistente à corrosão, o mesmo utilizado pela Rolex, segundo o perfil Destino China. Os números do mostrador são esculpidos à mão antes de receberem o revestimento com laca sintética, o que eleva ainda mais o valor artístico do relógio.

Otsuka Lotec

Foto: Reprodução

Os relógios da Otsuka Lotec são inspirados na nostalgia de objetos analógicos e industriais. O fundador, Jiro Katayama, projeta modelos que ele próprio gostaria de usar, com personalidade marcante, presença tátil e estética diferenciada.

A montagem utiliza partes fabricadas internamente e aposta em um design de caráter industrial, distante do conceito tradicional de relógio de luxo discreto ou vintage. As peças enfatizam forma, textura, peso e robustez.

A marca trabalha com tiragens pequenas, muitas vezes lançadas por meio de sorteios ou sistemas de alocação. Apesar do estilo industrial, os relógios atraem consumidores que buscam originalidade e se afastam da estética clássica.

Kurono Tokyo

Foto: Reprodução/Kurono

A marca foi criada por Hajime Asaoka, referência da relojoaria independente japonesa. Conhecido por produzir peças de altíssima qualidade e difícil acesso, Asaoka fundou a Kurono como uma forma de tornar seus relógios mais acessíveis, sem abrir mão da estética japonesa.

A Kurono Tokyo apresenta uma linguagem visual refinada, frequentemente inspirada no Art Déco, com caixas compactas e conforto para o uso diário.

As peças são produzidas em séries limitadas e a marca é vista como indie chic, considerada uma porta de entrada para quem deseja um relógio japonês independente, com bom design e qualidade. Os preços são considerados moderados em comparação a outras marcas artesanais, mas a demanda supera a oferta, gerando listas de espera e valorização no mercado.

Kikuchi Nakagawa

Foto: Reprodução/Kikuchi Nakagawa

Os relógios da Kikuchi Nakagawa são focados na elegância clássica e no acabamento refinado.

O modelo mais celebrado é o Murakumo, com caixa de aço escovado e polido, e acabamento extremamente elaborado. A caixa recebe o chamado black polished, ou polimento espelhado escuro, uma técnica normalmente aplicada a componentes móveis, e não a caixas, o que evidencia o nível de dedicação ao acabamento.

A produção é extremamente limitada, com pedidos atendidos após anos de espera, que podem chegar a quatro anos. A marca é discreta no mercado, mas muito respeitada entre entusiastas que valorizam minimalismo, excelência técnica e peças com status de coleção, fruto do trabalho de Yusuke Kikuchi e Tomonari Nakagawa.

Minase

Foto: Reprodução/Kyowa Co. Ltd.

A Minase pertence à Kyowa Co Ltd, fundada em 1963 na província de Akita. Inicialmente especializada na fabricação de caixas de relógio, a empresa lançou a marca Minase em 2005. A proposta não é se posicionar como relojoaria artesanal nem como produção em massa, mas como um estúdio de microengenharia focado em precisão, originalidade estrutural e alto nível de acabamento.

Os relógios Minase apresentam um estilo contemporâneo japonês, com design limpo, forte tridimensionalidade e superfícies trabalhadas de forma quase arquitetônica.

A montagem segue um conceito modular, no qual o relógio é formado por diversas peças independentes que se encaixam com extrema precisão, permitindo desmontagem e ajustes em níveis muito elevados.

A marca utiliza uma técnica de polimento que resulta em superfícies altamente refletivas, com bordas rígidas e planas. Os mostradores variam conforme a coleção e merecem destaque pelo cuidado estético.

A escala de produção é pequena em comparação às marcas tradicionais, mas superior à das relojoarias artesanais, variando entre mil e dois mil unidades por ano, dependendo do modelo. Os colecionadores da Minase buscam engenharia de superfície, estética moderna e acabamento de alto nível.

Mercado das independentes

O Japão tem se consolidado nos últimos anos como um polo de microbrands e oficinas independentes de alta qualidade em relojoaria, surgindo como alternativa tanto à tradição suíça quanto à produção em massa, segundo a revista Forbes Brasil.

O Índice Geral de Mercado da Watch Charts registrou queda por 16 trimestres consecutivos, acumulando retração de 33% desde o pico em março de 2022. Ainda assim, os preços dos relógios artesanais japoneses permaneceram estáveis.

Para colecionadores, o preço é um fator secundário. A Naoya Hida produziu até hoje apenas 336 unidades, e quem adquiriu os primeiros modelos viu os valores mais que dobrarem. Em um leilão realizado no ano passado, o modelo NH Type 2B foi vendido por US$ 35.700, enquanto o preço original girava em torno de US$ 20.000.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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