
Tóquio – Dinossauros, evolução humana, animais, plantas, meteoritos, tecnologia japonesa, roupas, objetos religiosos, instrumentos musicais, máscaras e utensílios usados por povos de diferentes partes do mundo estão entre as atrações dos dois museus que encerram esta série sobre os museus nacionais do Japão.
Nesta quarta e última matéria entram o Museu Nacional da Natureza e Ciência, em Tóquio, e o Museu Nacional de Etnologia, em Osaka.
Embora tenham especialidades completamente diferentes, os dois funcionam também como importantes centros de pesquisa. O primeiro estuda principalmente história natural e história da ciência e tecnologia. O segundo reúne museu e instituto acadêmico dedicado à antropologia cultural e à etnologia.
Museu Nacional da Natureza e Ciência (国立科学博物館, Kokuritsu Kagaku Hakubutsukan)
Localizado no Parque Ueno, em Tóquio, o Museu Nacional da Natureza e Ciência é uma das instituições científicas mais importantes do Japão.
Sua origem remonta ao século XIX. Uma exposição do Ministério da Educação foi aberta em 1872, mas o próprio museu considera 1877 seu ano oficial de fundação. É, portanto, um dos museus mais antigos do país.
O museu passou por diferentes nomes e estruturas administrativas. Em 1931, foi inaugurado em Ueno o edifício que atualmente corresponde à Japan Gallery. Em 1949, passou a ser denominado National Science Museum e, em 2007, adotou o atual nome em inglês, National Museum of Nature and Science.
Sua função vai muito além da exibição de objetos. A instituição pesquisa história natural, ciência e tecnologia, coleta e conserva espécimes e materiais científicos, e desenvolve atividades educacionais. Segundo o próprio museu, é a única instituição nacional japonesa que apresenta de forma abrangente tanto a história natural quanto a história da ciência e tecnologia.
Dois grandes museus dentro do mesmo complexo
A exposição permanente de Ueno está dividida principalmente entre a Japan Gallery e a Global Gallery.
A Japan Gallery (日本館) apresenta a natureza do arquipélago japonês, sua formação geológica, os seres vivos encontrados no país, a história dos habitantes do Japão e o desenvolvimento das observações da natureza. O edifício histórico que abriga essa parte do museu foi classificado como Propriedade Cultural Importante do Japão em 2008.
A Global Gallery (地球館) amplia a perspectiva para a história do planeta, evolução da vida, biodiversidade, dinossauros, mamíferos, seres humanos, ciência, física, astronomia e desenvolvimento tecnológico.
O banco de dados oficial da exposição permanente inclui animais vertebrados e invertebrados, plantas, fungos, minerais, rochas, fósseis, materiais relacionados à evolução humana e objetos ligados à ciência e tecnologia, como relógios, automóveis japoneses antigos, aviões e equipamentos de comunicação.
Entre os espaços mais conhecidos, está o Theater 360, uma sala esférica na qual o visitante permanece sobre uma ponte cercada por imagens projetadas em todas as direções. O sistema foi incorporado ao museu em 2006.
Outro destaque são os esqueletos e reconstruções de dinossauros e outros grandes animais pré-históricos, uma das áreas que mais atraem famílias e crianças.
As exposições são permanentes?
Sim. A Japan Gallery e a Global Gallery formam a grande exposição permanente do museu.
Entretanto, nem todos os objetos ficam necessariamente disponíveis de forma contínua. Alguns espécimes podem ser retirados por motivos de pesquisa, conservação ou renovação das galerias. O próprio banco de dados do museu alerta que determinadas peças podem ficar temporariamente indisponíveis.
Também ocorrem reformas periódicas. Parte do segundo andar da Global Gallery está atualmente fechada, e o terceiro subsolo foi fechado para reforma em 8 de setembro de 2026.
Exposições temporárias em 2026
Além da enorme coleção permanente, o museu organiza grandes exposições especiais e mostras menores.
Para o fim do ano, estão previstas outras exposições. Uma delas, sobre sexualidade e reprodução dos seres vivos, será realizada de 31 de outubro de 2026 a 21 de fevereiro de 2027.
Outra marcará os 150 anos do nascimento do médico e bacteriologista Hideyo Noguchi. Intitulada “Desafio às doenças infecciosas: passado, presente e futuro”, a exposição será realizada de 27 de outubro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027.
Idiomas
Este é um dos museus científicos japoneses mais preparados para visitantes estrangeiros.
O KAHAKU HANDY GUIDE permite acessar gratuitamente explicações sobre as exposições utilizando o próprio smartphone. O conteúdo está disponível em japonês, inglês, chinês e coreano. O sistema funciona por meio de uma rede Wi-Fi interna dedicada do museu.
Há também audioguia para a exposição permanente, com mais de 160 explicações em japonês, inglês, mandarim e coreano. O aluguel custa ¥ 320 por pessoa e depende da disponibilidade.
O museu oferece ainda materiais informativos em vários idiomas.
Portanto, mesmo quem não lê japonês consegue acompanhar boa parte das principais exposições.
Serviço
- Endereço: 7-20 Ueno Park, Taito-ku, Tokyo 110-8718.
- Telefone de informações: 050-5541-8600.
- Do exterior: +81-50-5541-8600.
- Telefone geral: 03-3822-0111.
- Horário normal: das 9h às 17h, com última entrada às 16h30.
- Fechamento: segunda-feira. Quando a segunda-feira é feriado nacional, o museu abre e fecha na terça-feira seguinte. Também fecha de 28 de dezembro a 1º de janeiro. Podem ocorrer outros fechamentos, inclusive para fumigação e manutenção.
- Ingresso da exposição permanente: ¥ 630 para adultos e universitários.
- Estudantes do ensino médio e mais jovens não pagam.
- Para grupos com pelo menos 20 pessoas, o ingresso é de ¥ 510 por adulto ou universitário.
- Há ainda um ingresso de ¥ 1.000 com doação incluída. Desse valor, ¥ 630 correspondem à entrada e ¥ 370 são destinados às atividades de pesquisa, preservação de espécimes, exposições e programas educacionais do museu.
- A entrada na exposição permanente é gratuita em 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, e 3 de novembro, Dia da Cultura.
Precisa fazer reserva?
Para a exposição permanente, não há exigência geral de reserva individual. É possível adquirir ingresso antecipadamente pela internet ou comprar a entrada de acordo com as regras vigentes do museu.
Determinadas atividades especiais exigem reserva. É o caso das noites de observação astronômica, realizadas em datas específicas.
Site oficial: https://www.kahaku.go.jp/english/
Atenção antes da visita
O Museu Nacional da Natureza e Ciência é grande. Tentar conhecer todas as galerias rapidamente pode transformar a visita em uma corrida.
Para quem pretende conhecer a Japan Gallery, a Global Gallery e uma grande exposição especial no mesmo dia, o ideal é reservar várias horas.
Outro ponto importante é que a instituição não se limita ao prédio de Ueno. O Museu Nacional da Natureza e Ciência também mantém instalações científicas em Tsukuba e administra o Institute for Nature Study, em Shirokanedai, Tóquio.
A sede de Ueno fica a aproximadamente cinco minutos a pé da saída Park da estação JR Ueno e a cerca de dez minutos das estações Ueno do Tokyo Metro e Keisei Ueno.
O museu não possui estacionamento para visitantes; portanto, o transporte público é normalmente a opção mais prática.
Museu Nacional de Etnologia (国立民族学博物館, Kokuritsu Minzokugaku Hakubutsukan)
Conhecido no Japão simplesmente como Minpaku (民博), o Museu Nacional de Etnologia está localizado no Parque Comemorativo da Expo 1970, em Suita, na província de Osaka.
Foi fundado em 1974 e aberto ao público em novembro de 1977. Em 2024, completou 50 anos de sua criação.
Mas classificá-lo simplesmente como museu não mostra toda a dimensão da instituição.
O Minpaku é simultaneamente um museu e um centro acadêmico de pesquisa especializado em antropologia cultural, etnologia e áreas relacionadas. Pesquisadores japoneses e estrangeiros utilizam suas coleções, instalações e bases de dados para desenvolver estudos sobre diferentes sociedades e culturas.
Sua missão é estudar, coletar e apresentar materiais etnográficos e, por meio deles, ampliar a compreensão sobre os povos e as culturas do mundo.
Uma volta ao mundo dentro do museu
A exposição permanente foi organizada para que o visitante percorra diferentes regiões do planeta.
As chamadas exposições regionais começam pela Oceania e seguem pelas Américas, Europa, África, Oeste da Ásia, Sul da Ásia, Sudeste Asiático, Ásia Central, Norte da Ásia e Leste Asiático, terminando no Japão.
Há áreas específicas sobre a cultura da Península Coreana, culturas regionais da China, cultura Ainu e cultura japonesa.
A filosofia da exposição parte do princípio de que nenhuma cultura é superior a outra. O museu procura mostrar a diversidade humana principalmente por meio do cotidiano, abordando alimentação, roupas, moradia, trabalho, religião, festivais, rituais e formas de expressão.
Por isso, as galerias possuem roupas tradicionais, máscaras, esculturas, instrumentos musicais, objetos religiosos, utensílios domésticos, ferramentas, meios de transporte e diversos outros objetos utilizados por diferentes sociedades.
Música e idiomas também fazem parte da exposição
Além das galerias organizadas geograficamente, existem as chamadas exposições transculturais.
Duas delas são dedicadas à música e à linguagem, permitindo comparar instrumentos, sons e sistemas linguísticos utilizados por diferentes povos.
Outro espaço é o Video Theque, onde o visitante pode acessar conteúdos audiovisuais sobre culturas de várias regiões.
Há ainda outros espaços destinados à pesquisa, informação e descoberta.
Exposições permanentes e temporárias
As grandes galerias regionais e transculturais são permanentes, embora possam passar por renovações e alterações.
O museu também realiza exposições especiais e temáticas sobre povos, culturas, fotografias, história, religião, migrações, artesanato e assuntos ligados às pesquisas desenvolvidas pela própria instituição.
Atualmente, duas exposições temporárias estão em cartaz.
Até 15 de dezembro de 2026, será realizada a exposição temática “The Torres Strait (Zenadth Kes) and Japan: History and Connection As Seen Through the Ohshima George Photograph Collection”. A mostra aborda as relações entre o Estreito de Torres, localizado entre a Austrália e Papua-Nova Guiné, e o Japão, utilizando principalmente uma coleção fotográfica.
Também até 15 de dezembro, será realizada a exposição especial “Living along the Saru River: Ainu Lives from Ancestral Times to the Present”. A mostra é dedicada principalmente às comunidades Ainu da região do rio Saru, em Hokkaido, e às transformações ocorridas desde os tempos ancestrais até a atualidade.
A exposição é realizada em colaboração com a Foundation for Ainu Culture e o Hokkaido Museum.
Idiomas
O Minpaku oferece um dos sistemas de informação multilíngue mais amplos entre os museus desta série.
O Minpaku Digital Guide apresenta informações sobre as galerias e os objetos, inclusive vídeos, mapas e explicações sobre a origem das peças, como eram utilizadas e por quem.
Segundo o museu, atualmente as explicações estão disponíveis em nove idiomas, entre eles japonês, inglês e chinês.
O site oficial também possui versão em inglês.
Isso é particularmente importante neste museu, porque muitas peças só fazem sentido quando acompanhadas das informações sobre quem as produziu, como eram utilizadas e dentro de qual contexto cultural.
Serviço
- Endereço: 10-1 Senri Expo Park, Suita, Osaka 565-8511.
- Telefone geral: 06-6876-2151.
- Telefone específico para informações sobre ingresso, fechamento e visitas em grupo: 06-6878-8341.
- Horário: das 10h às 17h, com entrada permitida até as 16h30.
- Fechamento: quarta-feira.
- Se um feriado nacional cair na quarta-feira, o museu abre e fecha no dia seguinte.
- Também permanece fechado de 28 de dezembro a 4 de janeiro.
- Pode haver fechamento devido a condições meteorológicas severas. Se for emitido alerta de tempestade para a cidade de Suita ou se o Parque Comemorativo da Expo 1970 fechar devido ao clima, o museu também poderá fechar.
- Ingressos da exposição permanente:
- Adultos: ¥ 780.
- Universitários: ¥ 340.
- Estudantes até o ensino médio: entrada gratuita.
- Pessoas com 65 anos ou mais: ¥ 660.
- Pessoas com certificado de deficiência e um acompanhante: entrada gratuita.
- Grupos de pelo menos 20 pessoas pagam ¥ 660 por adulto e ¥ 270 por universitário.
- As exposições especiais podem exigir ingresso adicional.
- Também é possível comprar ingresso eletrônico para a exposição permanente por serviços indicados pelo museu.
Precisa fazer reserva?
Para visitantes individuais da exposição permanente, não existe exigência geral de reserva.
Grupos possuem procedimentos específicos e podem precisar realizar solicitação antecipada, principalmente em visitas acadêmicas ou escolares.
Eventos, oficinas, palestras e determinadas atividades podem exigir inscrição separada.
Uma regra importante por estar dentro do Parque da Expo
O Minpaku fica dentro do Parque Comemorativo da Expo 1970, mas existe uma regra que evita que o visitante precise pagar dois ingressos apenas para chegar ao museu.
Adultos e universitários podem comprar o ingresso do Minpaku nas bilheterias das entradas indicadas pelo parque e utilizar esse ingresso para atravessar a área necessária sem pagar separadamente a entrada do jardim.
Estudantes do ensino médio ou mais jovens e outros visitantes com entrada gratuita devem informar na bilheteria do parque que estão indo ao Minpaku para receber um passe de acesso.
Entretanto, se a pessoa quiser visitar também o Parque Comemorativo da Expo 1970 como atração, e não apenas atravessá-lo para chegar ao museu, será necessário observar as regras de ingresso do próprio parque.
Site oficial: https://www.minpaku.ac.jp/en
Atenção antes da visita
O Minpaku é muito maior do que pode parecer em uma visita rápida.
Como as exposições percorrem praticamente o mundo inteiro, é fácil passar várias horas no local. Quem se interessa por antropologia, história, religiões, migrações, idiomas, música ou culturas indígenas pode encontrar material suficiente para ocupar boa parte do dia.
Além disso, o museu não apresenta as culturas apenas como elementos do passado. Muitas galerias procuram mostrar sociedades vivas e suas transformações contemporâneas. Essa abordagem está diretamente relacionada à função acadêmica da instituição.
O museu também realiza palestras, apresentações culturais, sessões de cinema e encontros com pesquisadores.
Foto: Reprodução/Museu Nacional da Natureza e Ciência






































