O que conhecer em Fuji: 20 atrações entre história, natureza e gastronomia

2026/11/06 08:18
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Fuji – Aos pés da montanha que lhe dá o nome, de frente para a Baía de Suruga e cortada por rios alimentados pelas águas do Monte Fuji, a cidade de Fuji, na província de Shizuoka, oferece muito mais do que belas paisagens para fotografar.

Campos de chá tendo o Monte Fuji ao fundo, antigos caminhos do período Edo, templos ligados à história do budismo japonês, cachoeiras, parques, museus, uma ferrovia de atmosfera retrô e um dos portos pesqueiros conhecidos pelo shirasu fazem da cidade uma opção interessante para passeios de um dia ou de fim de semana.

A localização também ajuda. Fuji está entre as principais rotas que ligam Tóquio à região central do Japão, com acesso pela linha Tōkaidō Shinkansen através da estação Shin-Fuji, pelas linhas JR e pelas autoestradas Tomei e Shin-Tomei.

Uma cidade moldada pelo Monte Fuji e pela água

A região de Fuji é habitada desde tempos muito anteriores à formação da cidade moderna. Vestígios arqueológicos e antigos túmulos mostram a presença humana na área há milhares de anos atrás.

Durante o período Edo (1603–1868), a região ganhou importância por estar na Tōkaidō, principal estrada que ligava Edo, atual Tóquio, a Kyoto. Yoshihara-juku era a 14ª das 53 estações da antigo via e recebia viajantes, comerciantes e comitivas que cruzavam o país. A área ficou também conhecida pelo chamado Hidari Fuji, ou “Fuji à esquerda”, paisagem imortalizada nas gravuras de Utagawa Hiroshige.

A abundância de água subterrânea proveniente do Monte Fuji teve outra consequência importante. A partir da era Meiji (1868 a 1912), especialmente depois da instalação de fábricas modernas no fim do século 19, Fuji transformou-se em um dos grandes centros japoneses de produção de papel. Essa característica industrial permanece até hoje e explica a presença de fábricas e das conhecidas paisagens industriais noturnas da cidade.

A Fuji atual foi estabelecida em 1º de novembro de 1966, com a fusão das cidades de Fuji, Yoshihara e Takaoka. Em 2008, o município incorporou Fujikawa. Em 2026, Fuji completa 60 anos desde a formação da cidade moderna.

O que conhecer em Fuji

Ōbuchi Sasaba, o Monte Fuji sobre os campos de chá

大淵笹場, Ōbuchi Sasaba, é provavelmente uma das paisagens mais características de Fuji. Fileiras de chá formam um tapete verde diante do Monte Fuji e, diferentemente de muitos outros pontos de observação, praticamente não há postes ou fios elétricos interferindo no cenário.

Isso fez do local um dos pontos preferidos de fotógrafos, principalmente na época das folhas novas do chá, entre o fim de abril e maio.

Além da fotografia, podem ser realizadas algumas experiências relacionadas ao chá, de acordo com a época e mediante reserva.

Local: Ōbuchi, Fuji

Informações:
Página oficial da cidade de Fuji sobre Ōbuchi Sasaba

Iwamotoyama Park

岩本山公園, Iwamotoyama Kōen, fica em uma área elevada e oferece uma das vistas mais conhecidas do Monte Fuji e da cidade. O parque possui cerca de 13 hectares, jardins, áreas arborizadas e plataformas de observação.

É especialmente procurado na época das ameixeiras e cerejeiras, quando as flores aparecem diante da montanha ainda coberta de neve. Há também hortênsias, azaleias e outras plantas ao longo do ano.

Local: Iwamoto 1605

Informações:
Iwamotoyama Park

Ryūganbuchi e as cerejeiras diante do Fuji

龍巌淵, Ryūganbuchi, é um dos pontos mais fotogênicos da cidade durante a primavera.

Cerca de 50 cerejeiras margeiam o rio Urui e, em dias claros, formam uma paisagem clássica com flores, rio e Monte Fuji no mesmo enquadramento. A floração costuma ocorrer entre o fim de março e o início de abril.

Local: próximo a Kuzawa 280

Informações:
Ryūganbuchi

Tagonoura Minato Park

O ふじのくに田子の浦みなと公園, Fujinokuni Tagonoura Minato Kōen, é uma das melhores opções para quem quer ver o Monte Fuji a partir do nível do mar.

O parque fica diante da Baía de Suruga e tem como destaque a Fuji-san Dragon Tower, uma torre de observação com 37,76 metros de altura, equivalente a um centésimo dos 3.776 metros do Monte Fuji.

Há áreas gramadas, brinquedos e um espaço histórico dedicado ao navio russo Diana, naufragado na região no século 19.

Do parque também é possível observar o porto de Tagonoura e, à noite, partes do complexo industrial de Fuji iluminado.

Local: Maeda, área portuária de Tagonoura

Informações:
Tagonoura Minato Park

Porto de Tagonoura e o shirasu

田子の浦港, Tagonoura-kō, é ao mesmo tempo porto industrial e pesqueiro.

Um dos grandes motivos para conhecer a área é experimentar o Tagonoura shirasu, pequenos peixes pescados nas águas próximas ao porto.

A pesca tradicional utiliza o sistema de um único barco puxando a rede. A rapidez entre a captura e o resfriamento ajuda a preservar o peixe, conhecido pela textura e pela transparência quando servido cru.

O Tagonoura shirasu possui registro de Indicação Geográfica, GI, do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão.

Informações:
Tagonoura shirasu

Bishamonten Myōhōji

香久山妙法寺, conhecida principalmente como 毘沙門天妙法寺, Bishamonten Myōhōji, é um dos templos mais conhecidos de Fuji.

Sua fundação é atribuída ao século 17. O templo é famoso principalmente pelo Bishamonten Taisai, festival realizado de acordo com o antigo calendário lunar e considerado um dos três grandes mercados de daruma do Japão.

Além do caráter religioso, o templo oferece pontos de onde se pode observar o Monte Fuji.

Local: Imai 2-7-1

Informações:
Bishamonten Myōhōji

Jissōji, templo relacionado a Nichiren

岩本山実相寺, Iwamotoyama Jissōji, está entre os templos historicamente mais importantes da cidade.

A tradição do templo remonta ao século 12. No século 13, o monge Nichiren teria estudado escrituras budistas guardadas no local enquanto elaborava as ideias que dariam origem ao Risshō Ankoku Ron, um de seus textos mais importantes.

O templo também pode ser incluído no mesmo passeio por Iwamotoyama Park.

Takegari Park e a lenda de Kaguya-hime

竹採公園, Takegari Kōen, é um pequeno parque histórico ligado à tradição local da princesa Kaguya.

A região de Hina e Harada é considerada um dos locais relacionados às origens da história do Taketori Monogatari, o Conto do Cortador de Bambu, uma das narrativas mais antigas do Japão.

No parque encontram-se o Takegari-zuka, bosque de bambus, jardins e elementos associados à lenda.

Local: Hina 2085-4

Informações:
Takegari Park

Museu do Monte Fuji e da Princesa Kaguya

O 富士山かぐや姫ミュージアム, Fujisan Kaguya-hime Museum, é o museu municipal de Fuji e uma boa opção para compreender a história da cidade antes de visitar outros pontos turísticos.

O acervo aborda a relação entre os moradores e o Monte Fuji, a história da região, a vida tradicional e a versão local da lenda de Kaguya-hime, na qual a princesa está relacionada ao Monte Fuji.

No mesmo complexo há o Museu Histórico e Folclórico e construções antigas transferidas de diferentes partes da cidade.

A entrada é gratuita.

Local: Denbō 66-2

Informações:
Fujisan Kaguya-hime Museum

Hiromi Park

広見公園, Hiromi Kōen, envolve a área do Museu Kaguya-hime e funciona quase como um museu histórico ao ar livre.

Construções tradicionais foram transferidas para o parque, entre elas as antigas residências, depósitos, estruturas rurais e reconstruções relacionadas à história da região.

É uma boa combinação para quem deseja fazer um passeio voltado à história e à cultura local.

Fuji Paper Art Museum

O ふじ・紙のアートミュージアム, Fuji Paper Art Museum, representa uma característica muito particular de Fuji.

Como a cidade cresceu apoiada na indústria do papel, o museu apresenta esse material sob uma perspectiva artística, com exposições de obras produzidas em papel, oficinas e atividades culturais.

O espaço fica dentro do Rose Theatre e a visitação é gratuita.

Local: Tadeharachō 1750

Informações:
Fuji Paper Art Museum

Yoshihara e o antigo Tōkaidō

Quem gosta de história pode caminhar pela região de 吉原宿, Yoshihara-juku.

Durante o período Edo, Yoshihara era a 14ª estação da Tōkaidō Gojūsantsugi, as 53 estações do Tōkaidō. O antigo caminho ainda permite visitar templos, santuários e marcos históricos.

A cidade mantém inclusive um percurso de aproximadamente seis quilômetros dedicado à antiga Yoshihara-juku.

Informações:
Rota histórica de Yoshihara-juku

Hidari Fuji

Um dos episódios mais curiosos da antiga Tōkaidō acontece em Fuji.

Normalmente, um viajante que seguia de Edo para Kyoto via o Monte Fuji do lado direito. Em Yoshihara, devido ao traçado da estrada, a montanha aparecia temporariamente à esquerda.

A paisagem ficou conhecida como 左富士, Hidari Fuji, ou “Fuji à esquerda”, e foi ilustrada por Utagawa Hiroshige em sua famosa série das 53 estações da Tōkaidō.

Gakunan Railway

A 岳南電車, Gakunan Dentetsu, é uma pequena ferrovia de 9,2 quilômetros e apenas dez estações, mas se tornou uma atração turística por si só.

A linha preserva uma atmosfera retrô e oferece vistas do Monte Fuji a partir de todas as suas estações.

À noite, a ferrovia passa por áreas industriais iluminadas. A combinação de trem, fábricas e luzes fez da linha uma atração também para fãs de fotografia e ferrovias.

Paisagens industriais noturnas

Fuji é uma das grandes cidades industriais de Shizuoka, especialmente por sua histórica indústria de papel.

À noite, chaminés, tubulações e estruturas industriais iluminadas formam cenários bastante diferentes das paisagens tradicionais do Monte Fuji.

Alguns pontos próximos à Gakunan Railway e a Tagonoura são utilizados por fotógrafos para registrar o chamado kōjō yakei, 工場夜景, ou paisagem noturna de fábricas.

Sudogawa Valley e Ōdana Falls

Para quem prefere natureza, 須津川渓谷, Sudogawa Keikoku, é uma das melhores opções da cidade.

A área acompanha o rio Sudo nas montanhas Ashitaka e oferece trilhas, vegetação, áreas de descanso e belas cores no outono.

O principal ponto é 大棚の滝, Ōdana no Taki, uma cachoeira de 21 metros de altura. Do estacionamento próximo, são cerca de cinco minutos de caminhada até a queda d'água.

A ponte sobre o vale também é utilizada para uma experiência de bungee jump com aproximadamente 54 metros de altura.

Informações:
Sudogawa Valley

Izumi no Sato e as águas do Monte Fuji

泉の郷, Izumi no Sato, reúne uma série de nascentes nas regiões de Harada e Yoshinaga.

A água que se infiltra no solo vulcânico do Monte Fuji e das montanhas Ashitaka reaparece em diferentes pontos, formando canais, pequenos lagos e parques.

Entre os locais para caminhar estão Harada Yūsuiike Kōen, Yoroigafuchi Shinsui Kōen e Yūsui Kōen.

A abundância dessas águas ajudou tanto a vida cotidiana dos moradores como o desenvolvimento da indústria do papel em Fuji.

Informações:
Izumi no Sato

Fujikawa Rakuza

道の駅富士川楽座, Michi-no-Eki Fujikawa Rakuza, é muito mais do que uma parada de estrada.

O complexo possui restaurantes, lojas, espaços de experiências, exposições e planetário. Um de seus maiores atrativos é a vista aberta para o Monte Fuji e o rio Fuji, ou Fujikawa.

O local pode ser acessado tanto pela Tomei Expressway como pelas vias comuns.

Local: Iwabuchi 1488-1

Informações:
Fujikawa Rakuza

Fuji Children's World

O 富士山こどもの国, Fujisan Kodomo no Kuni, ocupa cerca de 94,5 hectares nas encostas do Monte Fuji.

É indicado principalmente para famílias com crianças. O parque é dividido em áreas dedicadas à água, campos e atividades na natureza, com experiências que mudam conforme a estação.

Por estar em uma área mais elevada, o Monte Fuji parece muito mais próximo do que quando visto do centro da cidade.

Local: Kuwasaki 1015

Informações:
Fujisan Kodomo no Kuni

Chūō Park

中央公園, Chūō Kōen, é uma opção fácil para quem quer passear sem sair da área urbana.

O parque possui gramados, fonte, áreas de eventos e um grande jardim de rosas com cerca de 200 variedades e aproximadamente 1.600 roseiras.

As principais épocas de floração são maio e outubro.

Local: Nagatachō 2-112

Informações:
Chūō Park

E as praias?

Embora Fuji esteja voltada para a Baía de Suruga e tenha aproximadamente nove quilômetros de litoral, a cidade não possui praias oficiais destinadas ao banho de mar.

A razão está relacionada às características da costa. O fundo marinho se aprofunda rapidamente, e a região pode ser atingida por ondas fortes.

Por isso, para apreciar o mar em Fuji, as alternativas mais interessantes são Tagonoura Minato Park, o porto e os caminhos junto à costa, mas não se deve considerar a área como uma praia convencional para banho.

O que comer em Fuji

Tagonoura shirasu

É provavelmente o produto marítimo mais emblemático da cidade.

Pode ser consumido cru, nama-shirasu, ou cozido, kamaage shirasu. Uma das opções mais tradicionais é o shirasu-don, servido sobre arroz.

A proximidade entre a área de pesca e o porto permite que o peixe seja desembarcado muito rapidamente, uma das características associadas à qualidade do produto de Tagonoura.

Fuji Tsuke Napolitan

O 富士つけナポリタン, Fuji Tsuke Napolitan, nasceu como especialidade local de Fuji.

Em vez do tradicional spaghetti napolitano japonês servido com molho, os noodles são mergulhados em um caldo de tomate, numa apresentação semelhante ao tsukemen.

Cada restaurante pode preparar sua própria combinação, utilizando caldo de frango, bouillon e outros ingredientes junto com a base de tomate.

Informações:
Fuji Tsuke Napolitan

Chá de Fuji

O chá também tem forte ligação com a cidade.

As condições de solo vulcânico, precipitação e clima das encostas do Monte Fuji e das montanhas Ashitaka favoreceram o desenvolvimento das plantações.

A produção ganhou força a partir do final do período Edo e durante a era Meiji. Atualmente, o chá de Fuji pode ser encontrado em lojas, propriedades agrícolas e produtos regionais.

Outros produtos

Também são associados à agricultura local a pera de Fuji, Fuji-nashi, o blueberry e produtos feitos com hōjicha. Em levantamento relacionado ao turismo da cidade, Tagonoura shirasu, chá de Fuji e Fuji-nashi aparecem entre os produtos locais mais valorizados.

Uma cidade para conhecer por partes

Fuji talvez não seja uma cidade para tentar conhecer apenas através de um único ponto turístico. Sua principal característica está justamente na variedade.

É possível passar uma manhã fotografando o Monte Fuji sobre as plantações de chá de Ōbuchi Sasaba, seguir para um templo com séculos de história, almoçar shirasu em Tagonoura e terminar o dia observando as luzes das fábricas pela janela de um trem da Gakunan Railway.

Para quem mora em Shizuoka, Aichi ou nas regiões próximas, a cidade também funciona bem como destino para pequenos passeios ao longo do ano. A primavera destaca cerejeiras e campos de chá; o verão favorece os passeios junto às nascentes e cachoeiras; o outono colore o vale de Sudogawa; e os meses mais frios normalmente oferecem algumas das melhores condições para observar o Monte Fuji coberto de neve.

Foto: Canva

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