Coreia do Sul proibirá comércio de carne de cachorro em 2027

2026/08/21 11:34
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Coreia do Sul — A Coreia do Sul proibirá a criação, o abate, a distribuição e a venda de cães para consumo humano a partir de fevereiro de 2027, encerrando uma prática tradicional que vem perdendo espaço no país há anos, publicou a agência Reuters.

Durante décadas, a carne de cachorro foi consumida principalmente nos dias mais quentes do verão sul-coreano. Pela tradição, algumas pessoas acreditam que pratos preparados com essa carne ajudam a recuperar a energia e aumentar a resistência física para enfrentar as altas temperaturas.

No Moran Market, em Seongnam, um dos mercados mais conhecidos pelo comércio de carne de cachorro, muitos estabelecimentos já passaram a oferecer ensopado de cabra preta e outras alternativas. Enquanto a proibição não entra plenamente em vigor, alguns restaurantes ainda servem o bosintang, ensopado de carne de cachorro, procurado principalmente por clientes idosos.

A proibição encerra um longo período de queda no consumo de carne de cachorro na Coreia do Sul, ao mesmo tempo em que aumenta o número de pessoas que mantêm animais de estimação e mudam as percepções da sociedade em relação ao bem-estar animal.

Uma pesquisa divulgada pouco antes da aprovação da lei, realizada com 2.000 adultos, mostrou que 93,4% dos entrevistados afirmaram não ter intenção de consumir carne de cachorro no futuro, enquanto 82,3% apoiavam a proibição. Além disso, 94,5% disseram não ter consumido carne de cachorro no ano anterior.

A proibição afeta mais de 5.600 empresas ligadas ao setor. O governo sul-coreano informou que grande parte das fazendas de criação de cães já encerrou as atividades antes do prazo estabelecido. Em maio deste ano, dados oficiais mostravam que 82% dessas fazendas já haviam fechado.

A campanha para acabar com o tradicional comércio de carne de cachorro ganhou força durante o governo do ex-presidente destituído Yoon Suk Yeol e de sua esposa, a ex-primeira-dama Kim Keon Hee, defensora declarada do bem-estar animal e que apoiou publicamente a proibição.

A legislação foi aprovada pelo Parlamento em janeiro de 2024. A lei proíbe a criação e o abate de cães destinados à alimentação humana, assim como a distribuição e a venda da carne. Foi estabelecido um período de transição de três anos para que criadores, distribuidores e restaurantes encerrem as atividades ou migrem para outros negócios, com apoio financeiro do governo. As principais restrições passam a ser aplicadas integralmente em 7 de fevereiro de 2027.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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