Coreia do Sul proibirá comércio de carne de cachorro em 2027

Coreia do Sul — A Coreia do Sul proibirá a criação, o abate, a distribuição e a venda de cães para consumo humano a partir de fevereiro de 2027, encerrando uma prática tradicional que vem perdendo espaço no país há anos, publicou a agência Reuters.
Durante décadas, a carne de cachorro foi consumida principalmente nos dias mais quentes do verão sul-coreano. Pela tradição, algumas pessoas acreditam que pratos preparados com essa carne ajudam a recuperar a energia e aumentar a resistência física para enfrentar as altas temperaturas.
No Moran Market, em Seongnam, um dos mercados mais conhecidos pelo comércio de carne de cachorro, muitos estabelecimentos já passaram a oferecer ensopado de cabra preta e outras alternativas. Enquanto a proibição não entra plenamente em vigor, alguns restaurantes ainda servem o bosintang, ensopado de carne de cachorro, procurado principalmente por clientes idosos.
A proibição encerra um longo período de queda no consumo de carne de cachorro na Coreia do Sul, ao mesmo tempo em que aumenta o número de pessoas que mantêm animais de estimação e mudam as percepções da sociedade em relação ao bem-estar animal.
Uma pesquisa divulgada pouco antes da aprovação da lei, realizada com 2.000 adultos, mostrou que 93,4% dos entrevistados afirmaram não ter intenção de consumir carne de cachorro no futuro, enquanto 82,3% apoiavam a proibição. Além disso, 94,5% disseram não ter consumido carne de cachorro no ano anterior.
A proibição afeta mais de 5.600 empresas ligadas ao setor. O governo sul-coreano informou que grande parte das fazendas de criação de cães já encerrou as atividades antes do prazo estabelecido. Em maio deste ano, dados oficiais mostravam que 82% dessas fazendas já haviam fechado.
A campanha para acabar com o tradicional comércio de carne de cachorro ganhou força durante o governo do ex-presidente destituído Yoon Suk Yeol e de sua esposa, a ex-primeira-dama Kim Keon Hee, defensora declarada do bem-estar animal e que apoiou publicamente a proibição.
A legislação foi aprovada pelo Parlamento em janeiro de 2024. A lei proíbe a criação e o abate de cães destinados à alimentação humana, assim como a distribuição e a venda da carne. Foi estabelecido um período de transição de três anos para que criadores, distribuidores e restaurantes encerrem as atividades ou migrem para outros negócios, com apoio financeiro do governo. As principais restrições passam a ser aplicadas integralmente em 7 de fevereiro de 2027.
Foto: Canva






































