Pesquisa revela que Japão usou seus próprios soldados em experimentos com malária

Tóquio - O Exército Imperial Japonês realizou experimentos com seus próprios soldados durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa. Médicos da Escola de Medicina do Exército expuseram militares, internados por transtornos mentais e considerados inaptos para o combate, a mosquitos transmissores da malária. A descoberta foi feita pelo pesquisador Seiya Matsuno, do Instituto de Pesquisa para a Paz Internacional da Universidade Meiji Gakuin, e divulgada pela Kyodo.
Os médicos utilizaram dez soldados hospitalizados no Japão, alguns deles diagnosticados com esquizofrenia. Mosquitos foram colocados para sugar o sangue de militares que haviam contraído malária na China e, posteriormente, para picar os participantes do experimento. O objetivo era observar se eles desenvolveriam a doença.
O experimento foi realizado em 1940 no Hospital Militar de Konodai, na província de Chiba. Os detalhes foram registrados em um artigo publicado no periódico oficial do Corpo Médico do Exército. Descrições contidas no documento indicam que a pesquisa foi supervisionada por Shiro Ishii, conhecido por ter comandado a Unidade 731.
A Unidade 731 realizou experimentos em seres humanos no nordeste da China, principalmente com prisioneiros de guerra e civis, como parte do programa japonês de desenvolvimento de armas biológicas e químicas. No entanto, o experimento com os soldados japoneses foi conduzido por médicos da Escola de Medicina do Exército. O documento apenas aponta a participação de Ishii na supervisão da pesquisa, não que a Unidade 731 tenha executado diretamente o experimento.
Matsuno afirmou que os soldados usados como cobaias podem não ter compreendido plenamente a natureza do experimento nem os riscos envolvidos. Para ele, o caso revela a insensibilidade de um sistema que considerava aceitável usar como cobaias pessoas incapazes de contribuir para a nação ou para o esforço de guerra, independentemente da nacionalidade, além de tratar seres humanos apenas como material de pesquisa.
Dos dez soldados expostos aos mosquitos, cinco desenvolveram sintomas após o período de incubação. Eles apresentaram febre superior a 40°C, dores no corpo e perda de apetite. Após permanecerem em observação por determinado período, receberam medicamentos.
A malária é uma doença causada por parasitas e transmitida principalmente pela picada de mosquitos infectados. Entre os sintomas estão febre, dor de cabeça e calafrios. Sem tratamento adequado, alguns tipos da doença podem evoluir para quadros graves e provocar a morte.
Na época, as infecções por malária eram frequentes entre os militares japoneses que atuavam na China continental. Segundo o artigo analisado por Matsuno, o objetivo declarado do experimento era impedir que a doença se espalhasse pelo Japão após o retorno dos soldados ao país.
Foto: Canva






































