Cidades pedem a remoção de estátuas de mulheres nuas por serem ‘embaraçosas’

2025/09/02 10:58
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Tóquio – Algumas cidades japonesas estão removendo estátuas nuas de parques e outros locais públicos. É o que ocorre em Takamatsu (Kagawa), onde elas representam duas meninas nuas, foram retiradas depois que estudantes locais reclamaram para as autoridades da cidade que as achavam “embaraçosas”.

As estátuas de Takamatsu estávam no parque central da cidade, criadas pelo escultor Seiichi Abe, expostas ali desde 1988. Mesmo com estudantes afirmando se sentirem desconfortáveis com elas expostas ali, as autoridades disseram que respeitavam o valor artístico das obras, mas que dariam prioridade à vontade das crianças, noticiou o Japan News.

O artista Abe, agora com 94 anos, claro, ficou decepcionado. Ele explicou que diferentemente do que talvez os estudantes tenham pensado, as esculturas “Duas Meninas” simbolizam a inocência, vitalidade e união regional, e de modo algum foram feitas para provocar mal-estar.

Caso o fato se resumisse apenas a Takamatsu, estaria tudo bem. Mas a remoção de estátuas nuas tem precedentes.

Em 2012, em Okuizumo (Shimane) não foi pedida a retirada da réplica em tamanho real de “Davi”, de Michelangelo, e da “Vênus de Milo”, mas que fossem cobertas com roupas.

Tem mais: em Takarazuka (Hyogo), em 2021, a estátua de bronze “Ai no Te” (Mão do Amor), que estava em uma ponte há décadas, foi retirada após críticas relacionadas à igualdade de gênero.

Como se no Japão não houvessem problemas mais urgentes, duas estátuas de Renoir, “Vitória de Vênus” e “Mulher Trabalhando no Tanque de Lavar”, correm risco de serem removidas.

Elas estão em Shizuoka desde 1994 na saída da estação JR Shizuoka, trazendo algum ar de cultura à localidade. Mas no ano passado, o prefeito Takashi Namba afirmou que as duas imagens nuas estavam “fora de lugar no mundo atual” e sugeriu transferi-las para museus. A prefeitura ouviu a população, com alguns defendendo a obra, enquanto outros afirmaram se sentir desconfortáveis. As estátuas aguardam alguma decisão.

Obras derretidas na guerra

Quando o Japão entrou na Segunda Guerra Mundial, muitas das estátuas foram derretidas para virar armas, incluindo o “Hachiko” original, em Shibuya, que foi retirado em 1944.

Depois, entre o fim dos anos 1950 até 1970, os governos locais encomendaram estátuas para repor as que foram retiradas, e para simbolizar o renascimento, a paz, a sofisticação cultural. Muitas cidades contrataram artistas para celebrar a forma humana.

Muitos deles privilegiaram estátuas de mulheres e crianças nuas, como foi o caso de Seibo Kitamura, autor da “Estátua da Paz”, de Nagasaki, que produziu várias estátuas femininas nuas para representar pureza, vitalidade e inocência no pós-guerra.

Enquanto o nu feminino era considerado “universal”, como símbolo da vida e da maternidade, estátuas de corpos masculinos lembravam a guerra e agressividade. Hoje, porém, existem muitas estátuas em homenagem a personalidades importantes da história do Japão.

Mas parece que essa atitude com relação à nudez não é exclusiva do Japão. Algumas publicações têm registrado que a geração Z é mais hesitante com relação ao sexo e nudez. Essa realidade é comprovada por pesquisas feitas no Japão, em que jovens se mostram menos afeitos ao sexo e não enxergam com naturalidade a nudez.

O jeito é aguardar os próximos capítulos dessa novela.

Foto: Banco de Imagem

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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