Justiça do Japão condena homem por violar 'direito à castidade' de mulher

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Tóquio – O Tribunal Distrital de Tóquio condenou um homem a pagar 1,51 milhão de ienes a uma mulher por danos morais. O réu, funcionário de uma grande agência de publicidade, fingiu ser solteiro para iniciar um relacionamento e manter relações com a mulher, quando na verdade era casado. O juiz reconheceu o caso como violação do Direito à Castidade.

A decisão foi dada no dia 8 deste mês pelo juiz Takato Kawahara, que considerou que o homem, ao mentir sobre seu estado civil, privou a mulher do direito de decidir livremente se queria ou não se relacionar com uma pessoa casada, publicou a mídia local.

A mulher, residente na província de Kanagawa, comentou com repórteres: “As vítimas de falsos solteiros são criticadas por outros e culpam a si mesmas. Quero que pessoas que não conseguem dar o primeiro passo possam usar meu caso. Quero que o mundo seja um lugar onde não haja mais esse tipo de agressão.”

Ela contou que conheceu o homem em um aplicativo restrito a solteiros em 2023, com a expectativa de namorar e, futuramente, considerar um casamento. Disse que a primeira impressão que teve dele foi de alguém inteligente, simples e sincero. Ambos confirmaram novamente que eram solteiros e começaram a namorar.

Em outubro de 2023, quatro meses após o início do relacionamento, no dia seguinte a um encontro, a mulher não conseguiu mais contato com o homem pelo celular e ele desapareceu.

A mulher contratou uma empresa de investigação, que descobriu que o namorado era casado e tinha filhos. O homem não pediu desculpas e ofereceu 200 mil ienes como acordo para encerrar o caso. A mulher, porém, solicitou indenização de 4,4 milhões de ienes, alegando direito à autodeterminação sexual. Mais tarde, passou a pedir 7,8 milhões de ienes até que o caso recebeu sentença no Tribunal de Tóquio.

Ela abriu um perfil no X (antigo Twitter) sob o nome Associação de Vítimas de Falsas Declarações de Solteiro(a), com o objetivo de conscientizar outras pessoas sobre o direito à autodeterminação sexual.

Direito à Castidade

O termo jurídico Direito à Castidade em japonês é Teisoken, cuja interpretação se aproxima de Direito à Autodeterminação Sexual. Consta do artigo 709, sobre atos ilícitos e indenização, do Código Civil do Japão.

A jurisprudência sobre Teisoken foi consolidada desde a era Showa, mas ganhou força na era dos aplicativos de relacionamento.

Atualmente, tribunais japoneses usam esse termo para proteger a liberdade de escolha, considerando que o consentimento sexual é válido, mas não pode ser obtido mediante fraude.

Em outros países talvez o caso terminasse apenas com as partes separadas, mas no Japão é um ilícito civil. Mentir sobre ser solteiro para conseguir fazer sexo é considerado violação de direitos que gera indenização financeira, pois infringe a expectativa legítima da outra parte de um relacionamento exclusivo ou com potencial de casamento.

No dia 1º deste mês, o Tribunal Distrital de Osaka também condenou um homem pelo mesmo motivo, o que indica uma tendência de endurecimento dos tribunais japoneses para o que chamam de fraude de estado civil.

Ótica internacional

Nos Estados Unidos e no Reino Unido geralmente não é crime mentir sobre o estado civil para conseguir sexo e isso não costuma gerar indenização civil.

Embora moralmente reprovável, a mentira sobre ser solteiro nesses países não invalida legalmente o consentimento sexual. Antigamente, nos EUA existiam as Heartbalm torts, ações por danos sentimentais, mas a maioria dos estados aboliu esse tipo de processo.

Israel talvez seja o país cuja visão mais se aproxima da justiça japonesa, já tendo registrado condenações por estupro mediante fraude quando a mentira foi essencial para obter o consentimento para o ato sexual.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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