Custo de criar filhos atinge recorde no Japão e reduz interesse pelo segundo filho

2026/11/06 08:14
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Tóquio – O custo médio mensal de criar um filho pequeno no Japão atingiu 43.356 ienes em 2026, o maior valor desde o início de uma pesquisa realizada pela seguradora Meiji Yasuda Life, em 2018. O levantamento também revelou que apenas 28,2% dos entrevistados que têm uma criança de até seis anos desejam ter um segundo filho, percentual que caiu para menos da metade do registrado em 2020.

Segundo a pesquisa divulgada em 19 de outubro, a insegurança financeira e o aumento dos preços estão entre os principais obstáculos enfrentados pelas famílias japonesas que consideram ter mais filhos.

O levantamento foi realizado entre 1º e 7 de setembro, por meio de questionários respondidos pela internet. Participaram 1.100 pessoas casadas, sendo 550 homens e 550 mulheres, com filhos de até seis anos de idade.

Os resultados mostram que as despesas com alimentação, educação infantil e atividades extracurriculares continuam pressionando o orçamento doméstico.

Ao mesmo tempo, muitos pais afirmam que poderiam reconsiderar a decisão de ter outro filho caso houvesse melhora das condições econômicas.

Interesse pelo segundo filho cai ao menor nível

Entre os entrevistados que possuem apenas um filho de até seis anos, 28,2% afirmaram desejar uma segunda criança.

É o menor percentual desde o início do levantamento, em 2018. Em 2020, esse indicador havia alcançado 56,9%. Portanto, em seis anos, a proporção caiu 28,7 pontos percentuais, ficando abaixo da metade do resultado anterior.

A redução também ocorreu em relação a 2025, quando 33,3% dos entrevistados manifestaram interesse em ter um segundo filho.

A pesquisa identificou uma sequência de seis anos consecutivos de diminuição. Parte dos entrevistados afirmou que gostaria de ampliar a família, mas considera difícil fazer isso nas condições atuais.

Insegurança financeira é o principal motivo

Entre os participantes que afirmaram não desejar ou que consideram difícil ter outro filho, 54,5% mencionaram a preocupação com a renda futura como um dos principais motivos. O percentual aumentou nove pontos em comparação com 2025.

A insegurança está relacionada à capacidade de sustentar uma família maior durante vários anos. Além das despesas da primeira infância, os pais precisam considerar os custos futuros com educação, moradia e alimentação.

Outros fatores também apareceram entre os motivos apresentados. A preocupação relacionada à idade foi mencionada por 44,6%, enquanto 33% apontaram o aumento das despesas gerais de subsistência.

As despesas educacionais foram citadas por 28,6%. Dificuldades para conciliar trabalho e criação dos filhos apareceram em 25,9% das respostas.

Os entrevistados podiam apresentar diferentes motivos, razão pela qual os percentuais não devem ser somados.

Dois terços reconsiderariam a decisão se a situação melhorasse

Um dos resultados mais importantes do levantamento é que 66,4% das pessoas que não desejam ou consideram difícil ter outro filho afirmaram que poderiam mudar de opinião caso determinadas condições melhorassem.

Entre os participantes desse grupo, 60,4% apontaram o aumento da renda do casal como um fator relevante. Outros 22,9% mencionaram a estabilização dos preços. Também foram citadas melhorias nas condições de trabalho e maior flexibilidade para conciliar emprego e responsabilidades familiares.

O resultado sugere que parte da redução no interesse por uma segunda criança não decorre necessariamente da ausência de vontade de ampliar a família. Para muitos entrevistados, a questão está relacionada às dificuldades práticas de sustentar mais um filho.

Custo mensal sobe para 43.356 ienes

A pesquisa também investigou quanto as famílias gastam mensalmente com a criação dos filhos. O valor médio informado chegou a 43.356 ienes por criança. Em 2025, a média estava em 41.162 ienes. A diferença foi de 2.194 ienes, equivalente a um aumento de aproximadamente 5,3%.

O valor de 2026 representa o maior resultado desde o início da série, em 2018. Naquele ano, a média havia sido de 39.240 ienes.

O crescimento acumulado demonstra que as despesas aumentaram ao longo dos anos, embora tenham ocorrido oscilações durante esse período.

Os valores representam as respostas dos participantes da pesquisa e não uma média oficial de todas as famílias japonesas.

Quanto uma família gasta por ano?

Considerando o valor médio mensal de 43.356 ienes, a despesa anual correspondente seria de aproximadamente 520.272 ienes por criança.

Para uma família com dois filhos pequenos, a multiplicação simples resultaria em cerca de 1.040.544 ienes anuais. Mas as despesas com dois filhos não correspondem necessariamente ao dobro das despesas com um único filho.

Alguns gastos podem ser compartilhados, como brinquedos e determinados equipamentos. Outros, como alimentação, creche e material escolar, podem aumentar de maneira mais proporcional.

Além disso, os custos variam conforme a idade das crianças, as condições de moradia e os serviços utilizados pelas famílias.

Quase 80% sentem o peso dos preços

Segundo a Meiji Yasuda, 79,3% dos entrevistados afirmaram sentir o impacto da alta dos preços nas despesas relacionadas aos filhos. O percentual demonstra que o encarecimento do custo de vida alcança a grande maioria das famílias participantes.

Entre os gastos considerados mais pesados, a alimentação apareceu em primeiro lugar, mencionada por 44,6% dos entrevistados. Em seguida vieram as atividades extracurriculares e cursos, com 34,9%. As despesas com creches e jardins de infância apareceram na terceira posição, com 32,8%.

O resultado mostra que as dificuldades financeiras não estão concentradas exclusivamente nas mensalidades escolares. O aumento dos preços dos alimentos e dos produtos utilizados diariamente também passou a representar uma preocupação importante.

Alimentação é a principal preocupação

O levantamento reforça os efeitos do encarecimento dos produtos alimentícios sobre as famílias com crianças pequenas. Os gastos com alimentação incluem refeições realizadas em casa, produtos específicos para determinadas idades e alimentos consumidos fora da residência.

Dependendo das necessidades da criança, também podem existir despesas com leite, alimentos infantis e outros produtos. O aumento dos preços desses itens pode comprometer o orçamento, principalmente nas famílias que possuem renda limitada.

A pesquisa mostra que o problema é percebido de maneira significativa pelos responsáveis. Segundo a Meiji Yasuda, as preocupações financeiras que anteriormente estavam concentradas nas despesas com educação e creches passaram a atingir de forma mais intensa os gastos cotidianos.

Famílias estão economizando em lazer e viagens

Outro resultado importante foi identificado nas medidas adotadas para controlar as despesas. Segundo a pesquisa, 48,1% dos participantes afirmaram que estão economizando nos gastos relacionados à criação dos filhos.

Entre essas pessoas, 42,2% disseram reduzir as despesas com alimentação. O mesmo percentual, 42,2%, mencionou cortes nos gastos com lazer e viagens. Essa última categoria apresentou aumento de 9,3 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

O resultado sugere que o encarecimento do custo de vida está levando parte das famílias a reduzir atividades recreativas e experiências fora de casa. A mudança pode afetar passeios, viagens durante feriados e outras atividades de convivência familiar.

Licença-paternidade alcança duração recorde

A pesquisa também examinou a participação dos pais na criação dos filhos. Entre os homens que utilizaram licença para cuidar das crianças, a duração média chegou a 56 dias.

Esse foi o maior período identificado desde o início da série, representando aumento de um dia em comparação com 2025.

Entre os homens que utilizaram a licença, 70,7% afirmaram estar satisfeitos com a experiência.

O principal motivo de satisfação, citado por 55,5%, foi a possibilidade de acompanhar o crescimento dos filhos e dedicar mais tempo aos cuidados.

Outros 45,1% mencionaram a divisão das responsabilidades domésticas e familiares com a esposa ou outros parentes.

A pesquisa mostra que a duração da licença pode influenciar a percepção dos participantes sobre seus benefícios.

Pais satisfeitos ficaram afastados por mais tempo

Segundo o levantamento, os homens satisfeitos com a licença-paternidade permaneceram afastados do trabalho por uma média de 67 dias. Entre os insatisfeitos, a duração média foi de apenas 28 dias.

A diferença sugere que períodos mais longos podem proporcionar maior oportunidade de participação nos cuidados com os filhos.

As condições financeiras, a cooperação familiar e o ambiente profissional também podem influenciar a experiência. Entre as mulheres cujos maridos utilizaram licença-paternidade, 69,2% afirmaram estar satisfeitas com o resultado. O percentual ficou próximo dos 70,7% registrados entre os próprios homens.

Inteligência artificial também aparece na criação dos filhos

Outro resultado curioso da pesquisa foi o crescimento do uso de ferramentas de inteligência artificial para obter informações sobre a criação das crianças.

Segundo a Meiji Yasuda, 26,5% dos participantes afirmaram recorrer à IA para esclarecer dúvidas relacionadas aos cuidados com os filhos. Entre esses usuários, 74% utilizam a tecnologia para conversar sobre preocupações relacionadas à criação.

Outros 56,2% procuram informações sobre desenvolvimento infantil e educação. A elaboração de cardápios para bebês e crianças pequenas foi mencionada por 33,6%.

O levantamento também identificou que 84,6% dos entrevistados que utilizam IA afirmaram perceber redução do estresse relacionado aos cuidados infantis.

Pais ainda preferem orientação de familiares

Apesar do crescimento das ferramentas digitais, os entrevistados continuam procurando principalmente pessoas próximas quando enfrentam dificuldades.

O cônjuge apareceu como a principal fonte de orientação, mencionado por 58,3% dos participantes. Pais e sogros foram citados por 45,5%. Amigos que também possuem filhos apareceram em seguida, com 27,8%. A inteligência artificial ficou próxima, com 26,5%.

O resultado demonstra que a tecnologia passou a ocupar espaço nas consultas familiares, mas ainda não substituiu as pessoas próximas.

Além disso, informações obtidas por IA não devem substituir avaliações médicas, especialmente em questões relacionadas à saúde e ao desenvolvimento infantil.

Pesquisa mostra diferença entre desejo e realidade

Segundo a análise de economistas do Instituto de Pesquisa Meiji Yasuda, existe uma diferença importante entre o número de filhos que as famílias consideram ideal e a quantidade que acreditam conseguir criar.

No conjunto dos entrevistados, a média ideal foi de 2,47 filhos. Entre os participantes que possuem apenas uma criança, o número considerado ideal foi de dois filhos.

A análise sugere que preocupações econômicas e dificuldades para conciliar emprego e responsabilidades familiares estão entre os fatores que impedem parte dos entrevistados de realizar seus planos.

Flexibilidade no trabalho também faz diferença

A pesquisa identificou que a renda não é a única preocupação. A possibilidade de organizar melhor os horários profissionais também aparece entre as condições consideradas importantes pelas famílias.

Para pais com crianças pequenas, a jornada de trabalho pode influenciar a disponibilidade de tempo para levar os filhos à creche, buscar atendimento médico e participar de atividades escolares.

Em determinadas profissões, o trabalho em turnos, as horas extras e as mudanças frequentes de horário podem dificultar essa organização.

Por isso, os pesquisadores defendem que medidas de apoio à natalidade também considerem a ampliação da flexibilidade no ambiente profissional.

Entre as alternativas estão jornadas reduzidas, trabalho remoto quando possível e condições mais favoráveis para utilizar licenças relacionadas à criação dos filhos.

Benefícios governamentais podem ajudar

O Japão possui programas destinados a reduzir parte das despesas relacionadas à criação dos filhos. Entre eles está o Jidō Teate (児童手当), benefício infantil destinado às famílias que cumprem os requisitos legais.

O sistema também oferece diferentes formas de auxílio relacionadas à gravidez, ao nascimento e à educação infantil. As condições de pagamento e elegibilidade dependem das regras de cada programa. Brasileiros residentes no Japão devem verificar os benefícios disponíveis na prefeitura de sua cidade.

As administrações municipais também podem oferecer programas adicionais de assistência. Esses recursos não eliminam todas as despesas, mas podem contribuir para reduzir parte do impacto sobre o orçamento.

Custo de vida influencia decisões familiares

O levantamento da Meiji Yasuda demonstra que a elevação das despesas não está afetando apenas o consumo cotidiano.

A insegurança financeira também aparece nas decisões sobre ampliar ou não a família.

O fato de 66,4% dos participantes que não desejam ou consideram difícil ter outro filho afirmarem que poderiam reconsiderar a decisão diante de melhores condições econômicas reforça essa relação.

A pesquisa foi realizada pela internet com 1.100 pessoas casadas que possuem filhos de até seis anos. Não representa necessariamente a opinião de toda a população japonesa nem permite estabelecer uma relação causal definitiva entre a inflação e a redução da natalidade.

Mesmo assim, os números mostram que os gastos mensais com crianças alcançaram o maior patamar da série e que as famílias estão procurando maneiras de economizar.

Para os pesquisadores, políticas de apoio à criação dos filhos precisam considerar não apenas benefícios financeiros, mas também melhores condições de emprego e maior previsibilidade do custo de vida.

Fontes: Meiji Yasuda Life, ANN News

Foto: Canva

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