Solidão e conveniência impulsionam ‘amigos de aluguel’ na Tailândia

2026/09/11 11:10
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Tailândia – Um tipo de serviço que já existe no Japão agora também começa a fazer parte da realidade da Tailândia. É o chamado “amigo de aluguel”, alternativa que ganha espaço em um país que também enfrenta o envelhecimento da população e o aumento do número de pessoas solteiras.

O “amigo de aluguel” é um serviço temporário no qual pessoas são contratadas para atuar como acompanhantes em viagens, tirar fotografias ou participar de outras atividades, como passeios e eventos, recebendo pagamento pelo serviço, publicou a Kyodo.

Não existem dados oficiais, mas pessoas que atuam no setor afirmam que a procura por amigos de aluguel profissionais aumentou nos últimos anos devido ao crescimento do número de pessoas que vivem sozinhas, às mudanças no estilo de vida e também à influência das redes sociais.

De acordo com a Euromonitor International, empresa de pesquisa de mercado, 29,5% dos lares tailandeses eram compostos por apenas uma pessoa em 2025, percentual superior à média mundial, de 21,9%.

Esse segmento da população também vem aumentando a procura por produtos e serviços voltados para quem vive de forma independente, como mesas individuais em restaurantes e viagens para uma única pessoa.

Porém, em vez de buscarem esse tipo de serviço apenas para espantar a solidão, muitos clientes estão mais interessados na conveniência de ter alguém disponível para acompanhá-los em determinadas ocasiões.

Uma universitária e criadora de conteúdo de Bangcoc contou que inicialmente utilizou o serviço de amigo de aluguel por curiosidade. Depois, percebeu que poderia recorrer a ele em algumas ocasiões, como quando seus amigos não estivessem disponíveis para acompanhá-la em viagens.

O acompanhante também poderia ajudá-la a conseguir as fotos que desejasse, já que esse tipo de serviço está incluído na contratação. Diferentemente do que ocorre com amigos, ela poderia pedir livremente determinados ângulos, poses ou até centenas de fotografias sem se preocupar em incomodar alguém.

Outra universitária, de 20 anos, enxergou na novidade uma oportunidade de ganhar dinheiro e criou o serviço “Snap Like a Bestie”, algo como “Fotografe como uma melhor amiga”. Em apenas dois meses, ela já havia atendido mais de 50 clientes.

Mas logo descobriu que os clientes não procuram apenas alguém para tirar fotografias. Muitos querem uma pessoa capaz de fazê-los se sentir à vontade, para que apareçam nas fotos de maneira mais natural. Ela também conversa com os clientes e ajuda os mais tímidos ou introvertidos a relaxar antes de posar.

Outra tailandesa, que já trabalhou como coprodutora de televisão e posteriormente como apresentadora e mestre de cerimônias, começou a atuar como amiga de aluguel depois que parentes sugeriram que ela acompanhasse duas mulheres idosas em compras e passeios.

A experiência mostrou que havia procura por esse tipo de serviço. Depois que ela começou a divulgar seu trabalho nas redes sociais, surgiram novos clientes interessados em companhia para atividades como corrida, exercícios em academia, aeróbica, compras, idas a spas e cafés e até escalada em ambiente fechado.

O serviço costuma durar de duas a três horas e custa cerca de US$ 30 por hora, o equivalente a pouco mais de 4.600 ienes.

A novidade na Tailândia já despertou o interesse do sociólogo Narupon Duangwises, do Centro de Antropologia Princesa Maha Chakri Sirindhorn. Em um relatório, ele considerou que a interação com acompanhantes contratados pode proporcionar conforto emocional às pessoas que encontram dificuldades para fazer amigos na vida cotidiana.

Mas alertou que uma das características que distinguem os amigos de aluguel das amizades tradicionais é a possibilidade de escolher a pessoa com base na aparência física, algo diferente das amizades que surgem e se desenvolvem naturalmente.

Por isso, sugeriu que os prestadores desses serviços estabeleçam regras e limites claros para se protegerem e evitarem situações como assédio sexual ou outras formas de violência.

Foto: Esta é uma imagem gerada por IA criada exclusivamente para fins ilustrativos. Não representa um evento ou pessoa real

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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