Polícia de Tóquio registra recorde de 4,54 milhões de objetos encontrados em 2025

2026/08/21 11:19
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Tóquio – Na movimentada região metropolitana de Tóquio, muita gente perde ou esquece objetos de uso cotidiano. Em 2025, a Polícia Metropolitana registrou o recorde de 4.538.244 ocorrências de objetos encontrados e entregues ao sistema de achados e perdidos. O aumento foi de 3% em relação a 2024, quando foram registrados 4.404.325 casos.

Como um único registro pode envolver mais de um objeto, o número total de itens encontrados chegou a 4.850.775, alta de 2% em comparação com os 4.756.152 registrados em 2024.

Os objetos perdidos por residentes ou visitantes na capital japonesa são encaminhados ao sistema de achados e perdidos da Polícia Metropolitana, incluindo o Centro de Objetos Perdidos, no distrito de Bunkyo, perto da estação Iidabashi, de acordo com o jornal Yomiuri.

Segundo o jornal, cerca de 15 mil itens perdidos chegam diariamente ao sistema. Somente de guarda-chuvas, a Polícia Metropolitana de Tóquio registrou 331.882 unidades encontradas em 2025. Já a estatística referente aos guarda-chuvas que tiveram sua destinação processada contabiliza 275.406 unidades. Desse total, apenas 4.671, ou cerca de 1,7%, foram devolvidos aos respectivos donos.

Além dos guarda-chuvas, os itens encontrados com maior frequência foram documentos de identificação e certificados, com 819.602 unidades. Em seguida aparecem títulos, cartões e outros documentos com valor financeiro, com 471.399.

A lista inclui ainda roupas e calçados, com 460.667 unidades, além de aparelhos elétricos e eletrônicos, com 403.708.

Moradores ou viajantes distraídos também perderam carteiras, que somaram 338.104 nos registros de objetos encontrados em 2025. A lista segue com bolsas e malas, 229.161; joias e artigos de metais preciosos, 118.760; e câmeras e óculos, 112.006.

Apesar de serem indispensáveis atualmente, 144.381 celulares foram entregues à polícia. Por outro lado, os proprietários registraram o desaparecimento de 225.236 aparelhos, o equivalente a mais de 600 por dia. Do total de celulares encontrados e processados, 119.516 foram devolvidos aos respectivos donos.

Mas há um item que chama bastante a atenção: dinheiro em espécie. O montante encontrado chegou a cerca de 4,5 bilhões de ienes. Do total processado, aproximadamente 3,23 bilhões de ienes retornaram aos proprietários, 586,8 milhões foram entregues às pessoas que encontraram o dinheiro e cerca de 682,4 milhões passaram para a propriedade do governo metropolitano de Tóquio.

Tudo o que chega ao sistema de achados e perdidos é registrado detalhadamente, incluindo formato, cor e outras características que possam ajudar na identificação do objeto.

A regra geral estabelece que os objetos sejam mantidos durante três meses. Se o proprietário não aparecer nesse período, a pessoa que encontrou o item pode adquirir sua propriedade, desde que tenha cumprido os requisitos legais para ter esse direito.

Depois de adquirir esse direito, a pessoa tem ainda um período de dois meses para retirar o objeto. Se isso não ocorrer, a propriedade passa para o governo da província responsável, que, no caso de Tóquio, corresponde ao Governo Metropolitano.

Há, obviamente, exceções importantes. Celulares, cartões de crédito, documentos de identificação e outros objetos que contenham informações pessoais não podem ser adquiridos pela pessoa que os encontrou, mesmo depois do término do período de guarda.

Com relação à destinação dos itens não reclamados, determinadas operadoras de transporte e instalações autorizadas pela Comissão de Segurança Pública podem conservar elas próprias os objetos encontrados, desde que cumpram os procedimentos estabelecidos pela Lei de Objetos Perdidos.

Além disso, guarda-chuvas, roupas e outros objetos de baixo valor ou cujo armazenamento tenha custo desproporcional podem, em determinadas condições, ser vendidos ou receber outra destinação depois de duas semanas, conforme a Lei de Objetos Perdidos.

A empresa de produtos usados La Beauté trabalha há quase 20 anos com objetos esquecidos e os revende por preços mais acessíveis. Ela recebe desde capacetes infantis para motocicleta até guitarras, mochilas escolares usadas, projetores, caixas de som, bengalas e fones de ouvido, noticiou a TV Asahi.

A lista de itens que chegam à La Beauté inclui ainda bolsas de gelo reutilizáveis, elásticos e até um único alfinete de segurança. Uma vez entregues como objetos encontrados, eles precisam ser tratados de acordo com o sistema de achados e perdidos.

A La Beauté recebe dezenas de milhares de peças e faz uma triagem entre aquilo que ainda pode ser comercializado e o que terá de ser descartado. Guarda-chuvas com pequenos defeitos são consertados manualmente. Peças aproveitáveis de unidades que não podem mais ser vendidas são utilizadas para reparar outras. Depois da limpeza e dos reparos, os objetos seguem para eventos de venda de itens esquecidos em trens.

Mas a La Beauté não atua sozinha nesse mercado. Uma das iniciativas que ganharam espaço nos últimos anos é a find, empresa de Tóquio que opera o sistema "Lost and Found Cloud find".

Em 2025, a empresa iniciou um projeto de reutilização de 満期遺失物, manki ishitsubutsu, que significa objetos perdidos cujo período legal de guarda terminou sem que o proprietário aparecesse. Posteriormente, o serviço find Reuse foi lançado oficialmente em setembro daquele ano. A empresa recebe itens de operadoras ferroviárias, centros comerciais e outras instalações, seleciona aqueles que estão em boas condições e não contêm informações capazes de identificar o antigo proprietário e os coloca novamente em circulação.

Parte desses produtos é vendida pelo Mercari Shops. Entre os itens já comercializados pelo sistema estão tênis por 5 mil ienes, acessórios por 3 mil ienes e carregadores por 2.500 ienes. Até o lançamento oficial do serviço, em setembro de 2025, mais de 400 produtos já haviam sido colocados à venda.

Entre as empresas e instalações que aderiram ao find Reuse estão a Kita-Osaka Kyuko Railway, a Tokyu Land SC Management e o complexo Shibuya Scramble Square. A operadora ferroviária Keio também participou anteriormente de uma experiência de reutilização de objetos por meio da parceria entre a find e o Mercari.

Há ainda o caso da Tokyu, que adotou outra solução. A Tokyu Railways e empresas de ônibus do grupo começaram, em dezembro de 2021, um projeto com a Bookoff para reutilizar ou reciclar objetos esquecidos em trens, estações e ônibus depois do término do período legal de guarda e da transferência da propriedade. Após a fase experimental, a iniciativa entrou em operação regular em abril de 2023.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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