Polícia de Tóquio registra recorde de 4,54 milhões de objetos encontrados em 2025

Tóquio – Na movimentada região metropolitana de Tóquio, muita gente perde ou esquece objetos de uso cotidiano. Em 2025, a Polícia Metropolitana registrou o recorde de 4.538.244 ocorrências de objetos encontrados e entregues ao sistema de achados e perdidos. O aumento foi de 3% em relação a 2024, quando foram registrados 4.404.325 casos.
Como um único registro pode envolver mais de um objeto, o número total de itens encontrados chegou a 4.850.775, alta de 2% em comparação com os 4.756.152 registrados em 2024.
Os objetos perdidos por residentes ou visitantes na capital japonesa são encaminhados ao sistema de achados e perdidos da Polícia Metropolitana, incluindo o Centro de Objetos Perdidos, no distrito de Bunkyo, perto da estação Iidabashi, de acordo com o jornal Yomiuri.
Segundo o jornal, cerca de 15 mil itens perdidos chegam diariamente ao sistema. Somente de guarda-chuvas, a Polícia Metropolitana de Tóquio registrou 331.882 unidades encontradas em 2025. Já a estatística referente aos guarda-chuvas que tiveram sua destinação processada contabiliza 275.406 unidades. Desse total, apenas 4.671, ou cerca de 1,7%, foram devolvidos aos respectivos donos.
Além dos guarda-chuvas, os itens encontrados com maior frequência foram documentos de identificação e certificados, com 819.602 unidades. Em seguida aparecem títulos, cartões e outros documentos com valor financeiro, com 471.399.
A lista inclui ainda roupas e calçados, com 460.667 unidades, além de aparelhos elétricos e eletrônicos, com 403.708.
Moradores ou viajantes distraídos também perderam carteiras, que somaram 338.104 nos registros de objetos encontrados em 2025. A lista segue com bolsas e malas, 229.161; joias e artigos de metais preciosos, 118.760; e câmeras e óculos, 112.006.
Apesar de serem indispensáveis atualmente, 144.381 celulares foram entregues à polícia. Por outro lado, os proprietários registraram o desaparecimento de 225.236 aparelhos, o equivalente a mais de 600 por dia. Do total de celulares encontrados e processados, 119.516 foram devolvidos aos respectivos donos.
Mas há um item que chama bastante a atenção: dinheiro em espécie. O montante encontrado chegou a cerca de 4,5 bilhões de ienes. Do total processado, aproximadamente 3,23 bilhões de ienes retornaram aos proprietários, 586,8 milhões foram entregues às pessoas que encontraram o dinheiro e cerca de 682,4 milhões passaram para a propriedade do governo metropolitano de Tóquio.
Tudo o que chega ao sistema de achados e perdidos é registrado detalhadamente, incluindo formato, cor e outras características que possam ajudar na identificação do objeto.
A regra geral estabelece que os objetos sejam mantidos durante três meses. Se o proprietário não aparecer nesse período, a pessoa que encontrou o item pode adquirir sua propriedade, desde que tenha cumprido os requisitos legais para ter esse direito.
Depois de adquirir esse direito, a pessoa tem ainda um período de dois meses para retirar o objeto. Se isso não ocorrer, a propriedade passa para o governo da província responsável, que, no caso de Tóquio, corresponde ao Governo Metropolitano.
Há, obviamente, exceções importantes. Celulares, cartões de crédito, documentos de identificação e outros objetos que contenham informações pessoais não podem ser adquiridos pela pessoa que os encontrou, mesmo depois do término do período de guarda.
Com relação à destinação dos itens não reclamados, determinadas operadoras de transporte e instalações autorizadas pela Comissão de Segurança Pública podem conservar elas próprias os objetos encontrados, desde que cumpram os procedimentos estabelecidos pela Lei de Objetos Perdidos.
Além disso, guarda-chuvas, roupas e outros objetos de baixo valor ou cujo armazenamento tenha custo desproporcional podem, em determinadas condições, ser vendidos ou receber outra destinação depois de duas semanas, conforme a Lei de Objetos Perdidos.
A empresa de produtos usados La Beauté trabalha há quase 20 anos com objetos esquecidos e os revende por preços mais acessíveis. Ela recebe desde capacetes infantis para motocicleta até guitarras, mochilas escolares usadas, projetores, caixas de som, bengalas e fones de ouvido, noticiou a TV Asahi.
A lista de itens que chegam à La Beauté inclui ainda bolsas de gelo reutilizáveis, elásticos e até um único alfinete de segurança. Uma vez entregues como objetos encontrados, eles precisam ser tratados de acordo com o sistema de achados e perdidos.
A La Beauté recebe dezenas de milhares de peças e faz uma triagem entre aquilo que ainda pode ser comercializado e o que terá de ser descartado. Guarda-chuvas com pequenos defeitos são consertados manualmente. Peças aproveitáveis de unidades que não podem mais ser vendidas são utilizadas para reparar outras. Depois da limpeza e dos reparos, os objetos seguem para eventos de venda de itens esquecidos em trens.
Mas a La Beauté não atua sozinha nesse mercado. Uma das iniciativas que ganharam espaço nos últimos anos é a find, empresa de Tóquio que opera o sistema "Lost and Found Cloud find".
Em 2025, a empresa iniciou um projeto de reutilização de 満期遺失物, manki ishitsubutsu, que significa objetos perdidos cujo período legal de guarda terminou sem que o proprietário aparecesse. Posteriormente, o serviço find Reuse foi lançado oficialmente em setembro daquele ano. A empresa recebe itens de operadoras ferroviárias, centros comerciais e outras instalações, seleciona aqueles que estão em boas condições e não contêm informações capazes de identificar o antigo proprietário e os coloca novamente em circulação.
Parte desses produtos é vendida pelo Mercari Shops. Entre os itens já comercializados pelo sistema estão tênis por 5 mil ienes, acessórios por 3 mil ienes e carregadores por 2.500 ienes. Até o lançamento oficial do serviço, em setembro de 2025, mais de 400 produtos já haviam sido colocados à venda.
Entre as empresas e instalações que aderiram ao find Reuse estão a Kita-Osaka Kyuko Railway, a Tokyu Land SC Management e o complexo Shibuya Scramble Square. A operadora ferroviária Keio também participou anteriormente de uma experiência de reutilização de objetos por meio da parceria entre a find e o Mercari.
Há ainda o caso da Tokyu, que adotou outra solução. A Tokyu Railways e empresas de ônibus do grupo começaram, em dezembro de 2021, um projeto com a Bookoff para reutilizar ou reciclar objetos esquecidos em trens, estações e ônibus depois do término do período legal de guarda e da transferência da propriedade. Após a fase experimental, a iniciativa entrou em operação regular em abril de 2023.
Foto: Canva






































