Pais e mães divergem sobre a divisão das tarefas domésticas no Japão

Tóquio - Um relatório da empresa Sekisui House revelou que maridos e esposas têm percepções diferentes sobre a participação masculina nas tarefas domésticas e nos cuidados dos filhos. Os homens avaliam o próprio envolvimento de forma mais positiva do que as mulheres avaliam a participação de seus companheiros.
No levantamento realizado pela Sekisui House, 79,3% dos homens entrevistados afirmaram participar ativamente dessas atividades, enquanto 63,9% das mulheres avaliaram seus maridos dessa maneira. A diferença é de 15,4 pontos percentuais, segundo o Livro Branco sobre a Licença Parental Masculina de 2026, divulgado em 17 de setembro.
A construtora publicou o primeiro relatório sobre o tema em 2019, quando 47,1% dos homens se consideravam participantes ativos nas tarefas domésticas e nos cuidados dos filhos. Naquele ano, o percentual era inferior aos 50,9% das mulheres que avaliavam seus maridos dessa forma.
A pesquisa deste ano ouviu 9.072 pais e mães das 47 províncias do Japão. Os participantes viviam com o cônjuge e com filhos em idade de escola primária ou mais novos. As entrevistas foram realizadas pela internet, entre 14 e 29 de maio.
O que são tarefas visíveis e invisíveis
O levantamento também investigou a sobrecarga provocada pelo chamado “trabalho doméstico invisível”, que envolve responsabilidades nem sempre reconhecidas por quem divide a mesma casa.
As tarefas visíveis são aquelas cuja execução é mais fácil de perceber, como lavar a louça ou levar o lixo para fora. Já as invisíveis incluem o planejamento, a organização e o acompanhamento necessários para que a casa e a rotina dos filhos funcionem.
Entre os exemplos estão planejar as refeições, verificar quais produtos precisam ser repostos, acompanhar os compromissos escolares, lembrar o que a criança precisa levar para a escola e observar mudanças na saúde ou no comportamento dos filhos. São responsabilidades que exigem atenção constante, mesmo quando não resultam em algo imediatamente visível.
Sobrecarga persiste mesmo com a licença
Entre as mulheres cujos maridos não haviam tirado licença parental, 74,8% disseram sentir sobrecarga com as tarefas domésticas e os cuidados dos filhos considerados invisíveis. Entre aquelas cujos maridos haviam usufruído da licença, o percentual foi praticamente o mesmo, de 73,8%.
Já nas tarefas visíveis, a proporção de mulheres que relataram sobrecarga foi menor entre aquelas cujos maridos tiraram licença parental: 68,4%, ante 73,4% entre as que não contaram com esse afastamento dos companheiros. Os percentuais reúnem as respostas das mulheres que consideram essas atividades um pouco ou muito sobrecarregantes.
A comparação mostra que a sobrecarga relacionada ao trabalho invisível foi semelhante nos dois grupos. Os dados não permitem, porém, concluir que a licença parental, isoladamente, tenha causado a diferença observada nas tarefas visíveis.
Ouvida pelo jornal The Asahi, a escritora Mari Ako, especialista em trabalho doméstico, afirmou que pequenas tarefas podem passar despercebidas por um dos parceiros e representar uma grande sobrecarga para quem se sente responsável pela administração da casa.
Segundo ela, muitos homens não têm consciência dessa diferença. “É importante que tanto os maridos quanto as esposas reconheçam, antes de tudo, que essa diferença de percepção existe.”
Participação dos pais
A Sekisui House, com sede em Osaka, incentiva a participação dos pais na criação dos filhos e mantém, desde setembro de 2018, um programa para que seus funcionários homens tirem pelo menos um mês de licença parental.
Em um levantamento separado, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar registrou uma taxa de utilização da licença parental de 50,9% entre os homens do setor privado na pesquisa referente ao ano fiscal de 2025. O índice ultrapassou 50% pela primeira vez.
No entanto, os afastamentos de curta duração ainda representam uma parcela expressiva. Entre os homens que encerraram a licença e retornaram ao trabalho entre abril de 2024 e março de 2025, período considerado na análise sobre a duração do benefício, 48,9% haviam permanecido afastados por menos de um mês.
Foto: Canva








































