Moradores pedem mais árvores para enfrentar o calor extremo em Tóquio

Tóquio – Por mais que muitas casas tenham ar-condicionado para ajudar seus moradores a suportar os verões escaldantes, nas ruas a situação é diferente. A diminuição do número de árvores nas calçadas de Tóquio torna mais difícil a vida de quem precisa se deslocar para o trabalho ou mesmo de quem exerce suas atividades nas ruas.
Por esse motivo, a moradora Kaoru Morimoto lançou, ainda em 2025, uma campanha para que as autoridades estabeleçam uma meta de cobertura das copas das árvores. Em entrevista à France Presse, ela disse que muitas pessoas reclamam que o verão está ficando cada vez mais intenso, mas a conscientização sobre a falta de cobertura arbórea na capital japonesa ainda é muito baixa.
Kaoru, porém, não ficou apenas na campanha. Com a ajuda de outros moradores, ela também organiza palestras com especialistas, compartilha dados sobre a influência das árvores nas temperaturas e acompanha reuniões da assembleia no distrito de Nakano, nas quais apresenta suas reivindicações. Até agora, cerca de 30 moradores aderiram às propostas.
A mobilização de Kaoru e de outros moradores leva em conta as graves consequências dos verões extremos. No ano passado, o país registrou o verão mais quente de sua história e, em 2026, foram contabilizadas 120 mortes relacionadas ao calor entre maio e agosto, além de 73 mil pessoas terem procurado hospitais para atendimento emergencial.
Benefícios das áreas sombreadas
Estudos apontam que as copas das árvores bloqueiam a radiação solar direta, fazendo com que as áreas sombreadas nas calçadas fiquem até 8 °C mais frescas do que aquelas expostas ao sol.
Além disso, as folhas liberam vapor d’água, funcionando como um climatizador natural, que ajuda a refrescar o ar e a equilibrar a umidade local.
Outra vantagem é que as árvores plantadas ao longo das vias e em canteiros centrais reduzem a retenção do calor acumulado pelo asfalto e pelo concreto dos edifícios.
Elas também diminuem a incidência de raios UV, ajudando a prevenir queimaduras e câncer de pele, além de contribuírem para reduzir problemas respiratórios e cardiovasculares que podem ser agravados pelo calor extremo.
As árvores ainda absorvem poluentes atmosféricos e funcionam como barreiras acústicas contra o barulho do trânsito.
Redução em Tóquio
Apesar dessas e de outras vantagens, a capital japonesa perdeu, em menos de uma década, uma área de cobertura arbórea equivalente a três vezes e meia o tamanho do Central Park, em Nova York, nos Estados Unidos, segundo pesquisa da Universidade de Tóquio.
Para se ter uma ideia da dimensão, essa área corresponde a 1.194 hectares, ou aproximadamente 22 vezes o tamanho do Parque Yoyogi, em Tóquio.
No estudo da Universidade de Tóquio, realizado em 2024, o pesquisador e especialista em arborização urbana Kinya Shiraishi constatou que o índice de cobertura das copas das árvores caiu de 9,2% em 2012 para 7,3% em 2022, uma redução correspondente a cerca de 12 quilômetros quadrados.
Em Nova York, a cobertura arbórea é de 23%, e a cidade pretende ampliá-la para 30% até 2040. Londres quer passar de 10% para 20% até 2050, enquanto Paris, que conta com cerca de 18% de cobertura por árvores, também estabeleceu metas de ampliação.
Shiraishi afirma que a presença de árvores na cidade ajuda a melhorar a qualidade de vida dos moradores. Segundo ele, muitas casas com jardins foram demolidas para dar lugar a novos empreendimentos residenciais, enquanto as calçadas em diversas áreas de Tóquio são estreitas. Além disso, as autoridades temem a queda de árvores durante fenômenos meteorológicos extremos.
O governo de Tóquio afirma que está trabalhando para ampliar as copas das árvores por meio de podas cuidadosas, especialmente em locais onde as calçadas são largas e há espaço suficiente para o crescimento. Uma das preocupações é evitar que os galhos prejudiquem a visibilidade de semáforos e de outras sinalizações.
Mas o professor emérito da Universidade de Chiba e especialista em horticultura Eijiro Fujii defende mais rapidez na ampliação da cobertura arbórea. Segundo ele, as mortes por insolação estão aumentando durante os verões e é preciso agir antes que seja tarde.
Foto: Canva






































