Ibaraki pagará por denúncias contra estrangeiros ilegais

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Ibaraki – O governador de Ibaraki, Kazuhiko Oigawa, anunciou um sistema de recompensa em dinheiro para quem fornecer informações sobre trabalhadores estrangeiros que vivem ilegalmente na província. A autoridade afirmou que tal sistema começará no ano fiscal de 2026, que se inicia em abril. Críticos dizem se tratar de "xenofobia oficial".

O sistema polêmico, que pode gerar discriminação, segundo críticos, coletará informações sobre estrangeiros que trabalham sem visto, e o denunciante ganhará sua recompensa se o caso levar a uma prisão, publicou o The Asahi. O custo previsto no sistema já foi incluído na proposta orçamentária para o ano fiscal de 2026.

A Agência Nacional de Serviços de Imigração tem um sistema semelhante de denúncias, mas programas provinciais assim são raros.

"Precisamos tomar medidas drásticas para resolver este problema", disse o governador Oigawa, em uma coletiva de imprensa.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de que tal política possa incentivar a violação de direitos humanos, Oigawa afirmou: "Não permitiremos, de forma alguma, que esta situação se torne irresponsável e faça com que até mesmo os trabalhadores estrangeiros mais diligentes se sintam inseguros."

Segundo a Agência de Imigração, em 2024 foram identificados 14.000 estrangeiros trabalhando ilegalmente no país, e destes 3.452 estavam em Ibaraki, o maior número entre as províncias.

O governo de Ibaraki já realizou campanhas para incentivar empregadores a não contratar ilegais. Como os números da Imigração mostram, as campanhas falharam.

O governador explicou que funcionários da província investigarão e entrarão em contato com a polícia quando houver suspeita de trabalho ilegal. Um funcionário de Ibaraki assegurou: "Vamos definir os detalhes do sistema de forma a respeitar os direitos humanos."

O funcionário acrescentou que a prefeitura espera receber mais informações sobre empresas que empregam estrangeiros ilegalmente do que sobre estrangeiros que trabalham ilegalmente.

Xenofobia oficial

O Japão tem um sistema nacional desde 1951 que oferece até 50.000 ienes caso uma denúncia leve a uma ordem de deportação. Ocorre que nenhuma recompensa foi paga entre 2021 e 2025.

Jiho Yoshimizu, chefe da Nichietsu Tomoiki Shienkai, uma organização sem fins lucrativos com sede em Tóquio que apoia vietnamitas no Japão, criticou a decisão do governo de Ibaraki.

Ele contou que muitos apoiados por seu grupo perderam a moradia após serem demitidos de seus estágios ou fugirem de locais de trabalho abusivos. Sem condições de arcar com uma passagem aérea de volta para casa, acabaram permanecendo no país após o vencimento de seus vistos, disse ele.

"O número de estrangeiros que optam por se esconder em vez de buscar ajuda pode aumentar", disse ele. "Criar um ambiente seguro para que eles busquem aconselhamento precocemente é mais importante do que um mecanismo para aumentar as denúncias."

Já Eriko Suzuki, professora da Universidade Kokushikan, especializada em políticas de imigração, considerou a decisão como "uma forma de xenofobia oficial" que corre o risco de gerar informações imprecisas.

Suzuki questionou se esse sistema deveria ser operado por um governo provincial, quando é o papel da Agência de Imigração. Ela observou que a principal responsabilidade de um município é prestar serviços aos residentes, e não identificar estrangeiros que trabalham ilegalmente.

Província amiga

Oigawa foi empossado em 2017 e reeleito em 2025. E o governo sob sua liderança tem adotado iniciativas recentes que se mostram mais abertas à participação de estrangeiros, como a preparação de uma mudança em 2026 para permitir que estrangeiros ocupem cargos administrativos em órgãos públicos locais, removendo restrições de nacionalidade e buscando integrar melhor a população estrangeira residente.

Ele também participou de encontros diplomáticos em que destacou o interesse em atrair mão de obra estrangeira qualificada para ajudar a enfrentar desafios demográficos e de mercado de trabalho da província.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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