Fraudes especiais causam prejuízos de ¥1 bilhão por dia no Japão

Tóquio – As fraudes especiais no Japão causam prejuízos de cerca de ¥ 1 bilhão por dia. O elevado montante vem sendo impulsionado pela atuação de grupos criminosos conhecidos como “tokuryu”.
Apenas no primeiro semestre de 2026, os prejuízos causados às vítimas chegaram a ¥ 181,6 bilhões. Entre as práticas mais comuns estão os golpes envolvendo investimentos e falsos romances realizados pelas redes sociais, noticiou o Yomiuri.
No golpe de investimentos, o criminoso entra em contato com a vítima, estabelece uma relação de confiança e, depois, começa a recomendar investimentos com promessa de altos rendimentos. A vítima, muitas vezes sem conhecimento sobre o mercado financeiro, aceita a sugestão e passa a enviar grandes quantias para contas indicadas pelos golpistas. Somente depois percebe que foi enganada.
Já o golpe do romance ocorre quando o criminoso estabelece uma relação afetiva ou de confiança com a vítima pelas redes sociais e, posteriormente, passa a pedir dinheiro, alegando dificuldades financeiras, emergências ou outras necessidades.
O total registrado no semestre representa um aumento de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior e caminha para superar o recorde registrado no ano passado.
Na categoria de crimes contra o patrimônio, que inclui furtos, os prejuízos totalizaram ¥ 498,4 bilhões no ano passado, muito acima dos ¥ 375,9 bilhões registrados em 2002, quando o número de crimes previstos no Código Penal atingiu o nível mais alto desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A Agência Nacional de Polícia (ANP) prendeu 54 pessoas no ano passado por participação em golpes realizados a partir de bases situadas em outros países, como Tailândia, Camboja, Filipinas e Malásia.
Os criminosos também estão recorrendo à inteligência artificial generativa para aprimorar suas táticas, inclusive se passando por policiais para aplicar golpes cada vez mais sofisticados.
Em junho, a ANP enviou um policial à Tailândia para trabalhar com as autoridades locais no combate às fraudes. A agência também está intensificando os esforços para ampliar a cooperação com países vizinhos.
Em 2024, a ANP criou uma equipe especializada nesse tipo de crime, chamada TAIT (Equipe de Investigação Conjunta de Fraudes por Telecomunicações), nos departamentos de polícia das províncias.
Para chegar aos criminosos, policiais passaram a realizar investigações utilizando identidades falsas, inclusive para se candidatar aos chamados empregos clandestinos de meio período, anunciados por grupos criminosos nas redes sociais.
Outra medida foi a criação, em outubro de 2025, de um centro de comando destinado a reunir e analisar informações sobre grupos criminosos “tokuryu”.
Tokuryu é uma abreviação japonesa de tokumei ryūdō-gata hanzai gurūpu (匿名・流動型犯罪グループ), expressão que pode ser traduzida como “grupos criminosos anônimos e fluidos”.
Diferentemente das organizações tradicionais da yakuza, esses grupos não costumam ter estrutura hierárquica fixa, sede ou membros permanentes. Eles se formam e se reorganizam conforme a atividade criminosa, muitas vezes recrutando pessoas pelas redes sociais para os chamados “yami baito”, ou “trabalhos clandestinos de meio período”.
Os tokuryu estão associados principalmente a fraudes telefônicas, golpes de falsos policiais, fraudes de investimento e romance pelas redes sociais, roubos e outros crimes organizados. Os líderes e coordenadores frequentemente permanecem anônimos e podem comandar as operações remotamente, inclusive a partir do exterior.
Foto: Canva






































