Forte terremoto em Tóquio pode causar até 18 mil mortes e crise nacional

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Tóquio - O Ministério de Gestão de Desastres informou que um forte terremoto em Tóquio poderá gerar uma crise nacional. Segundo cálculos de um painel de especialistas, um abalo sísmico de magnitude 7,3 na capital japonesa poderá provocar até 18.000 mortes e causar danos estimados em 83 trilhões de ienes (US$ 533 bilhões).

Periodicamente, o governo japonês realiza estimativas sobre as consequências de grandes terremotos em áreas específicas do país. A previsão anterior relacionada a Tóquio havia sido feita há 12 anos. O novo cálculo foi apresentado pelo ministro Jiro Akama no final de dezembro, informou a NHK.

A análise elaborada por um painel vinculado ao Ministério de Gestão de Desastres considerou 24 possíveis cenários de terremoto com epicentro na capital japonesa e impacto em províncias próximas.

Piores cenários

Um dos cenários estima que um tremor de magnitude 7,3 atingindo a região sul do centro de Tóquio poderá afetar severamente as províncias vizinhas de Saitama, Chiba e Kanagawa. Nessas áreas, os abalos poderão atingir intensidade inferior a 6 na escala sísmica japonesa, que vai até 7. A magnitude refere-se à força do terremoto no epicentro, enquanto a escala de intensidade indica o grau do tremor sentido na superfície.

No pior cenário, com o terremoto ocorrendo durante uma noite de inverno e sob ventos fortes, o número de mortos poderá chegar a 18.000, com cerca de 400.000 edifícios destruídos ou consumidos por incêndios. A estimativa aponta que aproximadamente 70% das edificações serão atingidas pelo fogo.

Tanto o número de vítimas quanto os danos a edifícios são até 30% menores em relação à estimativa anterior, em razão dos avanços nas técnicas de construção. Ainda assim, o impacto previsto permanece extremamente grave.

Outro ponto destacado é que até 24 milhões de pessoas poderão enfrentar interrupções no fornecimento de eletricidade, enquanto 8,4 milhões terão dificuldades para retornar às suas residências.

Os efeitos de um grande terremoto em Tóquio também poderão ser sentidos no exterior, com a interrupção prolongada da produção industrial, o que pode levar à falência de empresas.

Apoio a estrangeiros

O apoio aos estrangeiros representa outro grande desafio. O Japão recebeu 36 milhões de visitantes internacionais no ano passado, muitos deles concentrados em Tóquio. Entre os estrangeiros residentes, cerca de 40% vivem na capital ou em províncias vizinhas, como Saitama, Chiba e Kanagawa.

A dificuldade ficou evidente em julho, quando foi emitido um alerta de tsunami após um forte terremoto atingir a Península de Kamchatka, no Extremo Oriente da Rússia. Na ocasião, muitos estrangeiros ficaram confusos com a suspensão dos serviços de transporte.

Outro problema apontado é a disseminação de informações falsas nas redes sociais e em outros meios, o que pode prejudicar operações de resgate.

Um exemplo ocorreu em 2016, quando a província de Kumamoto foi atingida por dois grandes terremotos e circularam na internet boatos de que um leão havia fugido de um zoológico. Informações falsas podem comprometer evacuações, atrasar o socorro e causar impactos negativos na economia.

Comunidades isoladas

Mais de 20 mil comunidades em todo o Japão poderão ficar isoladas em caso de desastre natural, segundo levantamento do jornal Yomiuri.

De acordo com o jornal, durante o forte terremoto ocorrido em janeiro de 2024 na Península de Noto, 49 áreas ficaram isoladas, e cerca de 60% delas não estavam incluídas nas estimativas oficiais do governo.

O governo japonês define uma comunidade isolada como aquela que não pode mais ser acessada por veículos em razão de terremotos, chuvas intensas, deslizamentos de terra, liquefação do solo, tsunami ou outros fatores naturais.

O último levantamento oficial sobre o risco de isolamento de comunidades foi realizado em 2014. No entanto, em uma investigação conduzida pelo Yomiuri entre outubro e novembro deste ano, foi identificada a possibilidade de pelo menos 20.993 comunidades ficarem isoladas em caso de desastre.

Outro fator que amplia esse risco é a existência de áreas suscetíveis a deslizamentos de terra. Com o aprimoramento da precisão na identificação dessas zonas, o número chegou a 702.270 áreas até o final de 2024, segundo dados do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo.

Algumas províncias já adotam medidas preventivas. Em Oita, por exemplo, há 1.202 comunidades com risco de isolamento em um grande desastre. Um representante do governo local afirmou que estão sendo reforçados os estoques de água e alimentos.

Em Hiroshima, onde existem 1.114 comunidades nessas condições, apesar do elevado número e da complexidade do desafio, o plano é responder conforme a situação específica de cada localidade.

No terremoto da Península de Noto, 49 áreas da província de Ishikawa ficaram isoladas, sendo que 30 delas não constavam nas previsões governamentais. Na ocasião, o socorro demorou a chegar aos moradores.

O governo central planeja realizar uma nova pesquisa em 2026, com foco nas regiões montanhosas e intermediárias, para identificar comunidades em risco de isolamento. A expectativa é de que o número aumente, e autoridades defendem o reforço de medidas como o armazenamento de suprimentos e a garantia de meios de comunicação.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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