Shows de artistas são cancelados após conflito entre Japão e China

Pequim/Tóquio - Após as declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan, que irritaram o governo chinês, o número de turistas da China no Japão caiu drasticamente. Pelo menos 30% das 1,44 milhão de viagens do país vizinho planejadas até o final de dezembro foram canceladas. A ausência desses visitantes representa uma perda potencial de US$ 1,2 bilhão em gastos turísticos.
Uma das vítimas mais recentes dessa tensão foi a cantora japonesa Ayumi Hamasaki. Ela estava programada para um show em Xangai em 29 de novembro, mas foi avisada horas antes que a apresentação ocorreria sem público por “um motivo inevitável”. Apesar da explicação vaga, a cantora decidiu manter o show, apresentando-se para 14.000 cadeiras vazias no local, segundo a ABC. Mais tarde, ela descreveu o concerto incomum como um dos mais memoráveis de sua carreira.
O show de Hamasaki ocorreu um dia depois que outra cantora japonesa, Maki Otsuki, conhecida por cantar a música tema do popular anime “One Piece”, enfrentou uma interrupção muito mais abrupta. Ela havia acabado de iniciar sua apresentação no Bandai Namco Festival em Xangai, quando o local subitamente escureceu. Seu microfone foi cortado, as luzes do palco se apagaram , e ela foi conduzida para fora do local por dois membros da equipe. Os organizadores informaram ao público presente que o show havia sido cancelado por "motivos inevitáveis".
Motivação Política

Historicamente, o governo da China não reage bem à fala da líder japonesa. Takaichi havia mencionado o possível uso de força militar em um eventual conflito entre Taiwan e a China, ilha que Pequim considera parte inseparável de seu território. O comentário de Takaichi está gerando um impacto negativo no turismo.
De acordo com a China Trading Desk, cerca de 70% da queda no número de turistas chineses é atribuída a cancelamentos ou adiamentos de viagens já planejadas. Além disso, novas reservas deixaram de se concretizar.
O diretor de uma empresa do setor indicou que a ausência desses turistas deve representar uma perda de US$ 500 milhões em gastos no Japão, embora profissionais da área estimem que esse valor possa chegar a US$ 1,2 bilhão. O cálculo baseia-se em estimativas de gastos mensais de turistas chineses, que ultrapassam US$ 900 milhões, segundo a UnionPay e outras empresas de serviços financeiros.
A situação escalou quando, no final de novembro, um representante do Ministério da Defesa chinês alertou que o Japão pagará um “preço doloroso” se ultrapassar os limites em relação a Taiwan. O alerta surge em resposta aos planos japoneses de implantar mísseis em Yonaguni, uma ilha a cerca de 100 quilômetros da costa de Taiwan. O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, confirmou o plano de implantar mísseis terra-ar de médio alcance na ilha.
O porta-voz da China, Jiang Bin, afirmou que a “solução de Taiwan” é um assunto interno chinês e não diz respeito ao Japão, que controlou a ilha de 1895 até o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945. Jiang Bin declarou: "O Japão não apenas deixou de refletir profundamente sobre seus graves crimes de agressão e domínio colonial em Taiwan, como também, desafiando a opinião mundial, alimentou a ilusão de uma intervenção militar no Estreito de Taiwan."
O porta-voz chinês foi enfático: "O Exército de Libertação Popular possui capacidades poderosas e meios confiáveis para derrotar qualquer inimigo invasor. Se o lado japonês ousar cruzar a linha, mesmo que minimamente, e atrair problemas para si, inevitavelmente pagará um preço doloroso."
Foto: Reprodução/Ayumi Hamasaki
A cantora Ayumi Hamasaki em show com estádio vazio em Xangai







































