Distrito de Tóquio usa IA para localizar desaparecidos, mas gera temor de vigilância

2026/07/17 14:45
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Tóquio – O distrito de Arakawa instalou 33 câmeras de segurança equipadas com inteligência artificial e tecnologia de reconhecimento facial em postes ao longo da rua principal e em outros pontos próximos à estação JR Nippori.

Embora o objetivo seja testar a tecnologia e agilizar a busca por pessoas desaparecidas, a iniciativa também causa preocupação devido ao risco de invasão de privacidade.

Os equipamentos foram instalados em abril deste ano. A região onde estão localizados é bastante movimentada e frequentada por trabalhadores, estudantes e residentes estrangeiros, publicou a Kyodo News.

Pelo sistema adotado pelo distrito, familiares poderão solicitar a busca por crianças ou idosos com demência que tenham desaparecido, fornecendo uma fotografia da pessoa. A inteligência artificial analisará as imagens gravadas e procurará indivíduos com características faciais semelhantes às da foto.

A administração de Arakawa acredita que este seja o primeiro caso de uso externo de câmeras com reconhecimento facial e inteligência artificial por um governo local no Japão.

Todos os anos, as delegacias de polícia de Arakawa recebem cerca de 100 notificações envolvendo o desaparecimento de crianças e idosos com demência. Até agora, policiais e funcionários do distrito realizavam buscas a pé nos arredores de estações ferroviárias e em outros locais com grande circulação de pessoas.

Todo o material gravado permanece armazenado por sete dias. Apenas um pequeno número de funcionários terá acesso às imagens, por meio de um computador exclusivo instalado em uma sala trancada na sede administrativa do distrito.

As autoridades garantem que as gravações serão utilizadas exclusivamente para localizar pessoas desaparecidas.

Outras partes do Japão também planejam instalar câmeras equipadas com inteligência artificial, mas com objetivos diferentes. É o caso do distrito de Adachi, em Tóquio, e da província de Hyogo.

Os governos desses locais pretendem utilizar os equipamentos para detectar pessoas que permanecem por longos períodos em áreas de entretenimento, numa tentativa de combater a abordagem insistente de clientes por estabelecimentos comerciais. No entanto, essas não fazem reconhecimento facial.

Legislação no mundo e no Japão

Na União Europeia, a Lei de Inteligência Artificial proíbe, salvo em circunstâncias limitadas, a coleta em tempo real de dados biométricos, como imagens faciais, em locais públicos para fins de aplicação da lei. A legislação também proíbe a criação de bancos de dados de reconhecimento facial a partir de imagens de vídeo.

No Japão, a Lei de Proteção de Informações Pessoais classifica as imagens faciais como informações pessoais. Quando órgãos governamentais utilizam câmeras com reconhecimento facial, devem especificar claramente a finalidade para a qual os dados serão usados.

O distrito de Arakawa instalou placas abaixo de cada equipamento informando que as câmeras utilizam reconhecimento facial por inteligência artificial. No entanto, os avisos são pequenos, difíceis de ler e estão disponíveis apenas em japonês.

O prefeito do distrito de Arakawa, Gaku Takiguchi, afirmou que o uso dos equipamentos busca melhorar a segurança local, sem deixar de garantir a proteção das informações pessoais.

Outros locais no Japão

O Japão já conta com outros locais que utilizam câmeras ou sistemas semelhantes aos adotados pelo distrito de Arakawa.

  • Aeroportos de Narita e Haneda: utilizam o sistema Face Express, no qual o passageiro registra voluntariamente a imagem do rosto e pode passar pelo despacho de bagagem, controle de segurança e portão de embarque por reconhecimento facial. Em Narita, os dados são apagados em até 24 horas.
  • Aeroporto de Haneda: em 2026, a Japan Airlines e a operadora do terminal também realizaram um teste de identidade digital que permitia o embarque e a conexão internacional por meio de reconhecimento facial.
  • Ônibus de Niigata: em dezembro de 2025, algumas linhas receberam câmeras com inteligência artificial para reconhecer o rosto dos passageiros e produzir dados de embarque e desembarque. O teste buscava avaliar aplicações como pagamento sem contato, análise da demanda e planejamento das linhas. Experimentos semelhantes já haviam sido realizados em Niigata e em Shibukawa, na província de Gunma.
  • Estações de Shinagawa e Nagoya: a JR Central realizou, entre 2021 e 2022, um teste com funcionários para verificar a possibilidade de passagem pelas catracas do Shinkansen apenas por reconhecimento facial.
  • Prefeitura de Osaka: a cidade firmou uma parceria com a Panasonic Connect para estudar o uso de reconhecimento facial e análise de imagens em serviços públicos, atividades administrativas e projetos de cidade inteligente. Os testes previstos inicialmente estavam concentrados dentro da sede da prefeitura.

Também existem câmeras equipadas com inteligência artificial que não realizam reconhecimento facial. Esses equipamentos são usados para detectar situações ou comportamentos, mas não para identificar pessoas.

Entre as aplicações estão a detecção de passageiros próximos aos trilhos, pessoas paradas por muito tempo, invasões, quedas, congestionamentos e abordadores em áreas de entretenimento.

Como funciona a tecnologia

O reconhecimento facial funciona por meio da análise de características do rosto, como a distância entre os olhos, o formato do nariz, o contorno da face e a posição da boca. A inteligência artificial transforma essas informações em um padrão numérico, chamado de modelo biométrico, que pode ser comparado com imagens armazenadas no sistema.

No caso de Arakawa, a fotografia fornecida pela família serve como referência. A IA examina as gravações das câmeras e aponta pessoas cujos traços faciais apresentam maior semelhança com os da imagem enviada. O resultado, porém, não representa uma identificação definitiva, pois fatores como iluminação, ângulo, qualidade da imagem, uso de máscara e mudanças na aparência podem afetar a precisão da análise.

Foto: Canva

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