Alta popularidade pode levar Takaichi a convocar eleição antecipada no Japão

Tóquio - A primeira-ministra Sanae Takaichi poderá dissolver a Câmara Baixa para convocar uma eleição antecipada no início de fevereiro, segundo o jornal Yomiuri, que cita fontes do governo. Como o governo central acumula altos índices de aprovação, a líder japonesa poderá apostar em uma vitória eleitoral de seu Partido Liberal Democrático e do parceiro de coalizão Partido da Inovação do Japão para conquistar a maioria na poderosa Câmara Baixa.
A reportagem do Yomiuri aponta que a dissolução poderá ocorrer em 27 de janeiro, com a eleição marcada para 8 de fevereiro, ou então que o anúncio de dissolução do Parlamento ocorra em 3 de fevereiro com a votação marcada para 15 de fevereiro, segundo a Reuters.
A possível convocação de uma eleição antecipada é uma estratégia política, já que o governo pode aproveitar o bom momento diante do eleitorado para transformar apoio popular em cadeiras parlamentares. A coalizão governista de Takaichi com o Partido da Inovação do Japão não possui uma maioria sólida na Câmara Baixa, o que dificulta a aprovação de leis e a estabilidade do governo.
Convocar eleições em um momento de popularidade elevada pode impedir que o desgaste natural do governo, crises econômicas ou tensões diplomáticas futuras enfraqueçam sua posição.
Analistas consideram a eleição antecipada uma aposta arriscada, pois o Partido Liberal Democrático não conta com tanto apoio público, e os parlamentares tentariam aproveitar a alta popularidade da primeira-ministra para alcançar a maioria naquela casa do Parlamento.
O que pode contar a favor de Takaichi é sua postura firme em relação à China, que tem agradado a muitos eleitores, apesar de ter iniciado uma séria disputa diplomática com o país vizinho.
A primeira-ministra japonesa disse que um ataque chinês a Taiwan poderia representar uma ameaça existencial ao Japão. A China reivindica a ilha, governada democraticamente, como parte de seu território, uma alegação rejeitada por Taipé.
Desde então a China instou seus cidadãos a não viajarem ao Japão, cancelou reuniões e eventos e proibiu exportações de itens de uso duplo para as Forças Armadas japonesas, entre outras medidas.
Entenda o que pode acontecer
No Japão a dissolução do Parlamento refere-se especificamente à dissolução da Câmara dos Representantes, conhecida como Câmara Baixa.
O Japão adota um sistema parlamentarista no qual o primeiro-ministro é escolhido entre os membros do Parlamento. A Câmara Baixa tem mandato máximo de quatro anos, mas pode ser dissolvida antes desse prazo.
Após a dissolução, todos os assentos da Câmara Baixa ficam vagos e uma eleição geral é realizada. O Senado, chamado de Câmara dos Conselheiros, não é dissolvido e continua funcionando normalmente.
O antecessor de Takaichi, Shigeru Ishiba, chamou eleições antecipadas, mas o cenário político era desfavorável ao seu governo. A então coalizão entre o PLD e o Komeito perdeu fôlego e o controle da Câmara Baixa, limitando a capacidade do premiê governar com margem de segurança. A oposição não venceu, mas ganhou terreno para aumentar a pressão sobre o governo.
Após o pleito com um resultado ruim para a coalisão governista, Ishiba se manteve no cargo por pouco tempo, mas bastante enfraquecido, terminando por dar passagem para Sanae Takaichi.
Foto: Reprodução






































