Vírus Maverick se espalha pelo WhatsApp e visa dados bancários de brasileiros

2025/11/04 15:07
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São Paulo – A Polícia Federal emitiu um alerta sobre um golpe digital que tem como alvo brasileiros que utilizam o WhatsApp. As vítimas recebem uma mensagem contendo um vírus disfarçado em arquivo no formato .zip, com nomes que simulam documentos legítimos, como notas fiscais e contratos. No entanto, ao ser instalado no aparelho, o programa rouba dados bancários.

Quando o usuário abre o arquivo, sem perceber, instala um programa malicioso em seu dispositivo. O vírus se replica automaticamente e envia novos arquivos contaminados para os contatos da vítima no WhatsApp, informou o portal TechMundo.

De acordo com a empresa especializada em segurança digital Kaspersky, a ameaça recebeu o nome de Maverick. O vírus se infiltra no sistema do dispositivo e o infecta de forma semelhante a outros malwares que circularam em 2024, como o Sorvepotel e o Coyote.

Um detalhe curioso é que o malware coleta informações como localização e horário, a fim de confirmar se o dispositivo contaminado está em território brasileiro. O objetivo é roubar dados bancários das vítimas.

Veja como funciona

Quando o arquivo compactado no formato .zip é aberto pelo usuário do WhatsApp, o programa malicioso se espalha automaticamente, enviando novos arquivos infectados aos contatos da pessoa, disfarçados em atalhos do Windows (.lnk).

A mensagem que acompanha o arquivo é redigida de modo a induzir a vítima a abrir o conteúdo no computador, o que permite a instalação do vírus.

Assim que o arquivo é executado, o programa malicioso desativa recursos de segurança, como o Microsoft Defender, e é carregado na memória do sistema. A partir desse ponto, ele atua de maneira quase imperceptível, dificultando sua detecção por antivírus tradicionais.

Como age

O vírus realiza uma verificação inicial para confirmar se a vítima é realmente brasileira, analisando configurações do sistema, como idioma, fuso horário e formato de data.

Quando esses parâmetros coincidem com os padrões do Brasil, o Maverick é ativado e começa a monitorar a digitação, capturar telas (prints) e observar acessos a sites bancários e de corretoras de criptomoedas.

Outra função perigosa é o controle do WhatsApp Web da vítima, usado para enviar automaticamente novos arquivos maliciosos para seus contatos.

Segundo a Kaspersky, a Sophos e a Counter Threat Unit, os arquivos maliciosos costumam chegar com nomes como:

• “COMPROVANTE_20251002_XXXX.zip”

• “RES-20250930_112057.zip”

• “ComprovanteSantander-75319981.682657420.zip”

Como se proteger

Especialistas em cibersegurança recomendam os seguintes cuidados para evitar a contaminação:

• Não abra arquivos ou links desconhecidos, mesmo que enviados por contatos confiáveis.

• Desconfie de anexos compactados recebidos por WhatsApp ou outras plataformas.

• Mantenha softwares antivírus e de segurança sempre atualizados.

• Evite reenviar mensagens suspeitas e informe o remetente em caso de dúvida.

• Ative recursos de proteção do sistema operacional, como bloqueio de execução automática e verificação de integridade de arquivos.

Por que o ataque mira usuários brasileiros?

O Brasil tem mais de 147 milhões de usuários de WhatsApp e WhatsApp Web, o que o torna um dos países mais expostos a ataques dessa natureza.

Uma única infecção é capaz de gerar uma rede de propagação em cadeia, alcançando centenas de pessoas.

Os criminosos exploram esse ecossistema massivo para disseminar o vírus rapidamente e com ampla eficiência.

Especialistas afirmam que o Maverick não é um vírus comum: ele combina criptografia avançada, que protege suas ações e o torna invisível a antivírus tradicionais, com o uso de arquivos .zip aparentemente inofensivos, o que confere aparência de legitimidade à ameaça — sobretudo porque esses arquivos costumam vir de contatos conhecidos da vítima.

Foto: Banco de Imagens

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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