Segurança encarregado de evitar furtos é preso por furtar loja onde trabalhava no Japão

Hiroshima – Um homem de 66 anos que trabalhava justamente para impedir furtos em uma loja de artigos para casa foi preso depois de ser flagrado pela polícia furtando uma bota de borracha do estabelecimento onde prestava serviço, na cidade de Sera, província de Hiroshima.
O caso chama a atenção pela função exercida pelo suspeito. Ele trabalhava como 保安員 (hoanin, agente de segurança), conhecido popularmente no Japão como “manbiki G-men”, profissional que circula à paisana pelas lojas em busca de pessoas praticando furtos.
Segundo a polícia, o homem foi preso em flagrante por volta das 11h de terça-feira (27), depois de colocar uma das botas dentro da roupa e sair do estabelecimento sem pagar. Um policial à paisana que estava acompanhando a movimentação da loja presenciou a ação.
O agente de segurança estava em horário de trabalho no momento do furto. Durante o interrogatório, admitiu a acusação e explicou simplesmente que havia levado a bota porque “precisava dela”.
A peça furtada era apenas uma das botas do par. Segundo informações divulgadas posteriormente, tratava-se da bota esquerda, avaliada em 3.780 ienes.
A prisão não ocorreu por acaso. A loja já havia percebido divergências entre seu estoque e a quantidade de mercadorias existentes e procurado a polícia por suspeitar da ocorrência de furtos. Por esse motivo, policiais à paisana passaram a vigiar o estabelecimento.
Foi durante essa operação que um dos agentes observou justamente o profissional contratado para combater furtos escondendo a mercadoria sob a roupa. Após deixar a loja, ele se dirigiu a um veículo no estacionamento, quando foi detido.
A polícia investiga agora a possibilidade de outros furtos relacionados ao suspeito.
O episódio de Hiroshima, apesar da situação inusitada, não é o primeiro registrado no Japão envolvendo profissionais conhecidos como “manbiki G-men” acusados justamente do crime que tinham a missão de impedir.
Caso semelhante em Okayama
Em abril de 2024, um segurança na faixa dos 60 anos foi preso sob suspeita de furtar um produto para limpeza de ralos no supermercado em que trabalhava como agente de prevenção de furtos, na cidade de Okayama. O produto custava apenas 250 ienes.
Segundo informações divulgadas na época, o homem colocou a mercadoria dentro de sua bolsa enquanto trabalhava. Consta que o gerente do supermercado confirmou a ação por meio das imagens das câmeras de segurança e chamou a polícia.
O episódio também ganhou repercussão pela contradição entre a função do suspeito e o crime cometido.
O homem era funcionário de uma empresa de segurança e havia sido enviado ao supermercado exatamente para vigiar clientes e evitar furtos.
O caso de uma veterana em Hamamatsu
Outro episódio ocorreu em Shizuoka e envolveu uma profissional com longa experiência nesse tipo de trabalho.
Em maio de 2012, a polícia de Hamakita, em Hamamatsu, prendeu uma mulher de 57 anos por suspeita de furtar alimentos de um supermercado localizado dentro de um shopping center.
Segundo a investigação, ela levou oito produtos, entre eles bentō e sushi, avaliados em aproximadamente 2 mil ienes.
A mulher tinha cerca de 20 anos de experiência como “manbiki G-men” e havia chegado a uma posição em que orientava outros profissionais de segurança.
Nesse caso, porém, existe uma diferença importante em relação aos episódios de Hiroshima e Okayama. Ela não estava trabalhando na loja em que ocorreu o furto. Na época, atuava em outro supermercado localizado na região oeste da província de Shizuoka.
Um segurança percebeu o furto e abordou a mulher no estacionamento. Ela conseguiu entrar no carro e deixar o local, mas o agente anotou a placa do veículo e passou a informação para a polícia.
A identificação levou à prisão cerca de um mês depois. A suspeita admitiu a acusação.
Quem são os “manbiki G-men”
A expressão 万引きGメン (manbiki G-men) é usada popularmente no Japão para se referir aos profissionais de segurança à paisana especializados na prevenção e identificação de furtos em estabelecimentos comerciais.
Eles circulam pelas lojas sem uniforme, observando o comportamento dos clientes e acompanhando pessoas consideradas suspeitas.
Diferentemente dos policiais, esses agentes não possuem poderes policiais especiais. Quando presenciam um furto, normalmente acompanham o suspeito até que ele ultrapasse os caixas e deixe a área de vendas sem pagar, momento em que podem abordá-lo e solicitar a presença da polícia.
Os casos de Hiroshima, Okayama e Hamamatsu mostram, porém, uma inversão incomum dessa função: profissionais encarregados de observar possíveis ladrões acabaram eles próprios acusados de furto.
Fontes: SoraNews24, TBS, JCast, Livedoor News
Foto: Esta é uma imagem gerada por IA criada exclusivamente para fins ilustrativos. Não representa um evento ou pessoa real








































