Sanae Takaichi, a primeira mulher premiê do Japão, e o Dia da Mulher

Tóquio – Neste domingo (8) comemora-se o Dia Internacional da Mulher. E no Japão, queira ou não, o grande destaque é a primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra, Sanae Takaichi. Conhecida como Dama de Ferro em referência à premiê britânica Margaret Thatcher, por sua disciplina rigorosa, ela conquistou espaços na política dominada pelos homens com uma postura conservadora e nacionalista, o que a torna uma figura do tipo ame ou odeie. Seus admiradores a consideram a salvadora da identidade e segurança do Japão. Seus críticos a veem como uma perigosa revisionista que ameaça a diplomacia regional e direitos civis progressistas.
Takaichi fez aniversário no dia 7 de março, completando 65 anos. Num país com cultura tradicionalista, o fato de ela ter alcançado a liderança do Partido Liberal Democrático (PLD) e o cargo de premiê em 2025 merece reconhecimento, assim como o resultado conseguido na eleição na Câmara dos Representantes, no Parlamento, reconquistando a maioria absoluta na casa e devolvendo ao seu partido o controle das ações do governo.
Admiradores e críticos
Para os admiradores de Takaichi, ela tem uma oratória impecável, conhecimento de segurança econômica e capacidade de trabalho exaustiva, tanto que afirmou que dorme poucas horas por dia. Na eleição do Parlamento em fevereiro, ela conquistou grande apoio de jovens eleitores, na faixa dos 20 aos 40 anos de idade, que buscam uma liderança decisiva. Ela pertence à ala conservadora do PLD, sendo considerada herdeira política do ex-premiê Shinzo Abe. Muitos a veem como guardiã dos valores tradicionais japoneses e defensora da soberania nacional, mantendo uma postura firme contra a influência da China no país.
Os que se opõem ou que são críticos enxergam na primeira-ministra a intransigência em questões sociais, como ao se opor ao sobrenome separado para casais e ao casamento igualitário. Além disso, visita o Santuário Yasukuni, onde estão guardados os restos mortais de criminosos de guerra japoneses, o que é visto como uma provocação por vizinhos na Ásia. Grupos de direitos civis criticam sua resistência quanto a reformas em questões de gênero e diversidade. Pequim e Seul emitem notas de repúdio ao seu discurso nacionalista, e opositores do PLD acusam-na de ser autoritária e de priorizar gastos militares em detrimento do bem-estar social imediato.
Risco econômico
Quando a primeira-ministra diz que é preciso restringir a imigração como base de sua campanha, é preciso recordar que a decisão tem impacto na sustentação do país devido ao rápido envelhecimento populacional e da grave falta de trabalhadores. A demografia japonesa mudou drasticamente: projeções oficiais apontam que a proporção de trabalhadores sustentando cada idoso caiu de 7,7 em 1975 para apenas cerca de 1,9 em 2025.
Existem alguns pontos que a primeira-ministra talvez precise considerar, pois há governadores e prefeitos que já se manifestaram contra o endurecimento da política imigratória, defendendo que a vinda de trabalhadores estrangeiros é estratégica para as economias locais.
Se Takaichi mantém rigor com estrangeiros, o mercado de trabalho prefere a realidade, pois o país ainda precisará atrair 820 mil estrangeiros nos próximos cinco anos por meio de vistos de habilidades específicas, criados em 2019 justamente para suprir a falta de profissionais.
Resta saber se Takaichi lidará com a questão com equilíbrio, pois em seu discurso de posse no Parlamento, ela destacou que trabalhadores estrangeiros ainda são necessários para complementar a população em declínio do Japão.
A premiê é rigorosa ou soberanista?
Em janeiro de 2026, Takaichi lançou o quadro Medidas Abrangentes para Aceitação de Estrangeiros e Coexistência Ordenada. Seus críticos, estrangeiros e até japoneses, apontam que ela evita usar o termo imigração, tratando o trabalhador de fora como mão de obra temporária, sem direitos reais de integração. Afirmam que ela mantém o foco em segurança e combate à criminalidade quando fala de estrangeiros residentes.
Já os seus apoiadores alegam que ela defende o Japão e que ela deve resolver a crise demográfica sem se valer da imigração em massa. Mesmo estrangeiros conservadores, como investidores de segurança, elogiam a clareza das regras e o foco na manutenção da ordem social defendida por Takaichi.
É fato que Takaichi negou veementemente ser xenófoba, pois se considera uma defensora da soberania. Mas, ao adotar o discurso contra a imigração que agradou a muitos eleitores, deixou estrangeiros residentes preocupados com uma forma de etnocentrismo moderno.
A mídia japonesa em geral, além da estrangeira, como Associated Press, The Guardian, Time e Channel News Asia, trata Takaichi como defensora de um controle migratório mais rígido, que busca medidas mais duras contra imigração irregular. Apesar do forte impacto nas comunidades estrangeiras no país, nenhum veículo a tratou como xenófoba.
Foto: Reprodução/Canal Sanae Takaichi








































