Osaka, Fukuoka, Sapporo e Nagoya disputam capital secundária do Japão

2026/07/24 12:41
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Tóquio – A Câmara dos Representantes aprovou, em 15 de julho, um projeto de lei que permite a criação de uma capital secundária para servir de reserva e assumir funções do governo central caso Tóquio fique paralisada por um grande desastre natural. Osaka despontou como a principal candidata, por iniciativa do Partido da Inovação do Japão, mas outras cidades, como Fukuoka, Sapporo e Nagoya, também são apontadas como possíveis opções.

A proposta não limita necessariamente a escolha a uma única capital secundária, mas os critérios definitivos ainda deverão ser detalhados pelo governo. Entre eles estão o baixo risco de a região sofrer simultaneamente o mesmo desastre que Tóquio, a presença de órgãos do governo central, a concentração populacional e econômica e a capacidade de cooperação entre os governos locais.

Veja as características de cada uma:

Osaka

Osaka é considerada a candidata mais avançada por já possuir grande concentração populacional, econômica e administrativa, além de uma ampla rede ferroviária, aeroportos internacionais, porto e instalações capazes de receber estruturas governamentais. Localizada no oeste do país, poderia garantir a continuidade do governo caso Tóquio fosse atingida por um terremoto na região de Kanto. A cidade também lidera uma das maiores regiões metropolitanas do Japão e já mantém, em conjunto com o governo da província, uma estrutura dedicada ao projeto. Seu principal ponto fraco é a elevada exposição ao possível megaterremoto da Fossa de Nankai, além dos riscos de tsunami e de inundações nas áreas mais baixas da Baía de Osaka.

Fukuoka

Fukuoka tem como principal vantagem a distância de Tóquio e das áreas mais diretamente ameaçadas por um terremoto na Fossa de Nankai, reduzindo a possibilidade de ser atingida ao mesmo tempo que a capital. A cidade funciona como centro econômico de Kyushu e como porta de entrada do Japão para a Ásia, com aeroporto próximo ao centro, porto internacional e boas conexões ferroviárias. Sua economia vem crescendo nos setores de tecnologia, startups, comércio, turismo e serviços, embora tenha uma escala menor que a de Osaka e Nagoya. Entre os riscos estão tufões, chuvas torrenciais, enchentes e a falha de Kego, que atravessa a região metropolitana.

Sapporo

Sapporo apresenta a maior separação geográfica em relação a Tóquio entre as principais candidatas, o que reduz o risco de um mesmo terremoto ou tsunami atingir simultaneamente as duas cidades. Como centro político e econômico de Hokkaido, dispõe de universidades, hospitais, empresas, órgãos públicos e capacidade para coordenar uma região rica em alimentos, energia renovável e recursos naturais. Essa autonomia poderia ser valiosa durante uma crise nacional prolongada. Por outro lado, grandes nevascas podem interromper os transportes e as operações, enquanto a distância das principais áreas populacionais do país e a dependência do transporte aéreo dificultariam o rápido deslocamento de autoridades e servidores.

Nagoya

Nagoya ocupa uma posição estratégica no centro do arquipélago, entre Tóquio e Osaka, e possui uma das bases industriais mais poderosas do país, liderada pelos setores automotivo, aeroespacial, de máquinas e de componentes. A região conta com porto, aeroporto internacional, extensa malha ferroviária e grande capacidade logística, industrial e tecnológica, condições importantes para sustentar funções administrativas durante uma emergência. Entretanto, sua proximidade relativa de Tóquio reduz a separação geográfica desejável para uma instalação de reserva. Nagoya e a província de Aichi também estão entre as áreas mais expostas ao eventual megaterremoto da Fossa de Nankai, o que pesa contra sua candidatura sob o critério de segurança contra desastres.

Outras possibilidades

Outras cidades também aparecem nas discussões sobre a descentralização e a transferência temporária de órgãos nacionais em caso de um grande desastre em Tóquio.

É o caso de Hiroshima e Sendai, entre outras, mas essas possibilidades ainda não apresentam articulações tão estruturadas quanto as observadas em Osaka, Fukuoka, Nagoya e Sapporo.

Quais procedimentos ainda faltam?

Depois de ser aprovado pela Câmara dos Representantes, o projeto entrou em análise em 22 de julho na Comissão Especial de Okinawa, Territórios do Norte e Assuntos Locais da Câmara dos Conselheiros, a Câmara Alta. Na quinta-feira (23), foi realizada uma análise conjunta com a Comissão de Assuntos Internos e a audiência de especialistas. O texto ainda precisa ser aprovado pela comissão especial e pelo plenário da Câmara dos Conselheiros.

Caso a Câmara Alta aprove o texto na mesma versão enviada pela Câmara dos Representantes, o projeto será encaminhado para promulgação. Se os parlamentares fizerem alterações, a proposta retornará à Câmara Baixa.

Mesmo depois de o projeto virar lei, a cidade ou a região não será escolhida automaticamente, pois ainda existem alguns passos obrigatórios. Após a promulgação, a lei entrará em vigor em uma data a ser definida por decreto governamental, dentro do prazo máximo de três meses. O governo criará então uma sede de promoção do projeto, chefiada pela primeira-ministra, e elaborará a política básica nacional.

Essa política deverá ser aprovada pelo Gabinete e publicada no prazo máximo de um ano após a entrada em vigor da lei. Ela definirá as metas, a distribuição populacional e econômica pretendida, as medidas de apoio à continuidade das atividades de empresas e governos locais, a estrutura dos sistemas de transporte e comunicação e as diretrizes para a instalação da capital secundária.

O governo precisará ainda editar decretos para estabelecer critérios mais específicos. Entre os pontos considerados estão o risco de desastre simultâneo com Tóquio, a presença de determinados órgãos do governo central, a concentração populacional e econômica e a existência de uma estrutura adequada de administração regional. Os detalhes desses requisitos ainda não estão completamente definidos.

Cada província interessada deverá apresentar formalmente sua candidatura, depois de obter a aprovação de sua assembleia. Portanto, o governo nacional não poderá simplesmente escolher Osaka, Fukuoka, Nagoya ou Sapporo sem uma solicitação da província correspondente.

O primeiro-ministro avaliará se a região candidata cumpre os requisitos. A designação dependerá ainda da aprovação do Gabinete. Depois da escolha, o governo deverá preparar uma política específica para cada capital secundária, levando em consideração também as opiniões das autoridades locais.

O projeto não estabelece uma data específica para a escolha da capital secundária. O prazo de um ano vale para a elaboração da política básica nacional, e não necessariamente para a designação da região. Assim, mesmo que a lei seja aprovada em 2026, a escolha poderá ocorrer somente depois da definição dos critérios, da publicação dos decretos e da apresentação das candidaturas.

O texto prevê, porém, que as medidas sejam executadas de maneira intensiva até o fim do ano fiscal de 2030, em 31 de março de 2031. Isso indica que os autores esperam que a escolha e as primeiras medidas concretas avancem antes dessa data, embora não exista uma obrigação expressa de que a capital secundária esteja plenamente instalada até 2031.

Foto: Canva
Tóquio

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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