Redução de imposto no Japão pode tirar 300 bilhões de ienes de agricultores

Tóquio – Depois de descartar a ideia de zerar o imposto sobre o consumo para alimentos e bebidas e de considerar a cobrança de uma alíquota de 1% por dois anos, o governo japonês tem mais um problema a levar em conta. A planejada redução do imposto poderá diminuir a renda anual de cerca de 800 mil pequenos e médios agricultores em mais de 300 bilhões de ienes. A estimativa foi feita pelo Mitsubishi Research Institute.
A constatação é de que muitas dessas propriedades agrícolas são parcial ou totalmente isentas de recolher o atual imposto sobre o consumo de 8% embutido nos preços dos produtos que vendem. Com a redução da alíquota para 1%, esses pequenos produtores poderão perder renda, o que também pode acelerar a tendência de abandono do setor, publicou a Kyodo.
No sistema do imposto sobre o consumo, as empresas descontam do valor cobrado nas vendas o imposto que já pagaram na compra de insumos, como fertilizantes e máquinas agrícolas. Em seguida, recolhem ao governo apenas a diferença entre esses valores. Pequenas e médias empresas, incluindo propriedades agrícolas, podem ser parcial ou totalmente isentas desse recolhimento.
A redução prometida pelo governo poderá diminuir a renda dos agricultores porque eles continuarão pagando o imposto sobre o consumo sobre os insumos, enquanto o valor do imposto incluído nos preços dos produtos que vendem cairá.
O impacto real da redução do imposto sobre o consumo poderá variar de uma propriedade para outra, mas o Mitsubishi Research Institute estima uma perda média anual de cerca de 400 mil ienes por produtor.
A promessa de reduzir a alíquota foi feita durante a campanha eleitoral em fevereiro pela primeira-ministra Sanae Takaichi. A proposta inicial era zerar o imposto, mas, diante de vários fatores, o governo passou a estudar a cobrança de 1% por dois anos.
Agora, o governo avalia adiar para abril de 2027 a redução, que estava prometida para o outono deste ano. Ao mesmo tempo, estuda oferecer subsídios e outros tipos de apoio financeiro aos pequenos e médios agricultores, para tentar reduzir o impacto da medida sobre o setor.
Foto: Canva








































