Orquestra Criança Cidadã traz concerto pela paz ao Pavilhão Brasil na Expo Osaka

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Osaka - Com o lema “Na Arte Não Há Guerra”, a Orquestra Criança Cidadã apresentou o “Concerto pela Paz”, no Pavilhão Brasil, na Expo 2025 Osaka.

Foi um espetáculo que emocionou o público pela mensagem de esperança e reconciliação, com o talento de 25 músicos do Brasil, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Rússia, Ucrânia, Israel e Irã. Alguns dos jovens têm familiares mortos em combate. A apresentação foi no domingo (5).

O Pavilhão Brasil é organizado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), na Expo 2025 Osaka.

O Diretor do Pavilhão Brasil, Pablo Lira, ressaltou que “a paz é o melhor instrumento para semear e garantir o futuro de todos”. O idealizador e coordenador geral da orquestra João Targino, enfatizou que “a música transmite mensagem de paz, sendo a questão mais importante no mundo no momento”.

A Orquestra Criança Cidadã é reconhecida pela ONU e pela UNESCO como exemplo de inclusão social. As apresentações reforçam que a música clássica é instrumento de diálogo e solidariedade internacional.

Músicos

O músico Davi Cristian Alves, 26 anos, faz parque da orquestra há 19 anos. Bacharel em Violoncelo, ele disse que se não fosse o apoio da orquestra, a família não teria condições de arcar com os custos dos estudos. Atualmente, ele é professor na orquestra. Ele viajou para Itália, Argentina, Suíça, Portugal, Israel, Palestina, Coréia do Sul e Japão para apresentação de  música. “Acho maravilhoso por transmitir mensagem de paz”, enfatiza.

O músico João Victor Felix de Araújo, 18 anos, toca desde os oito anos. Escolheu percussão. É a primeira viagem ao exterior e está muito entusiasmado em espalhar a mensagem de paz. Faz Faculdade de Direito e pretende continuar a tocar percussão. “A orquestra tem parceria com a faculdade e ganhei uma bolsa. O lema de que Na Arte Não Há Guerra é o mais importante na turnê”, destaca.

O músico Oleksandr Puzankov tem 25 anos. Natural da Ucrânia, ele mora na Itália. Ele disse que os homens são obrigados a ir ao combate na Ucrânia. A família está bem, mas ele já perdeu alguns amigos. Todo dia ele diz que há sons de explosão ou de alarme na Ucrânia. Ele toca violino há 15 anos e se formou em música em nível universitário. “A música tem perfume e foi maravilhoso tocar no Pavilhão Brasil com músicos de outras nacionalidades”, falou.

O músico de Israel, Simon Lemberski, comentou que “assim como em Hiroshima que sentimos o calor dos japoneses, a apresentação na Expo também tem grande significado”.

Japão

A Orquestra Criança Cidadã tem forte ligação com o Japão. Já foi gravado um álbum (CD + DVD) Concertos de Bach para violino e orquestra por Orquestra Criança Cidadã e Yoko Kubo, em Roma, com a célebre violinista japonesa Yoko Kubo (2015).

Antes da apresentação no Pavilhão Brasil, houve realização de concertos em Hiroshima (Parque Memorial da Paz e Teatro YMCA), o que reforça o caráter simbólico e espiritual da turnê.

Depois da Expo 2025, a Orquestra Cidadã vai se apresentar no Vaticano, na Praça de São Pedro, diante do Papa Leão XIV, no dia 8 de outubro.

Objetivo

O objetivo da Orquestra Criança Cidadã é formar o cidadão por meio dos nobres valores transmitidos aos seus alunos e, em seguida, constituí-los profissionais da música. Atualmente, são 450 jovens, na faixa etária dos 7 aos 21 anos, que aprendem música clássica, bem como a arte da luteria (ofício da construção e reparo de instrumentos de cordas) e arqueteria (ofício da construção e reparo dos arcos dos instrumentos de cordas), em três núcleos, distribuídos em Recife. O projeto conta ainda com apoio pedagógico, atendimento psicológico, médico e odontológico; aulas de inclusão digital; fornecimento de três refeições por dia e fardamento.

Os !Concertos pela Paz” foram idealizados pelo Juiz de Direito João José Rocha Targino, que também concebeu e coordena a Orquestra Criança Cidadã. Esta iniciativa de inclusão social pela arte musical, surgida no ano de 2006, no Estado de Pernambuco, consiste em proporcionar o aprendizado de música erudita a jovens pobres, residentes em comunidades com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), na cidade do Recife, capital do Estado de Pernambuco, e sua Região Metropolitana.

Entre as atividades extracurriculares oferecidas, estão cursos em parceria com universidades, e intercâmbios para o exterior, direcionados aos estudantes de destaque. A Orquestra já enviou alunos para estudar música na Polônia, Áustria, República Tcheca, Alemanha, México, Canadá e Espanha.

A Orquestra Criança Cidadã recebeu mais de 30 prêmios. A Organização das Nações Unidas escolheu a Orquestra como uma boa prática de inclusão social, em dezembro de 2010, e, em 2015, o projeto passou a integrar o Programa de Escolas Associadas da Unesco, uma rede mundial que trabalha pela cultura da paz. Com o título, a Orquestra Criança Cidadã tornou-se a primeira escola de música da América Latina a receber esse certificado internacional.

Público

A moradora de Hyogo, Tomone Nagasaka (à esq.), foi uma dos visitantes que participou da apresentação da orquestra. “Eu senti forte mensagem de paz, pois tinha presença de músicos da Ucrânia, Rússia, Israel. Realizar esse evento na Expo tem grande significado e a música possui essa força de transmitir a paz”, declarou.

Outro morador de Hyogo, Naoki Tsuruta, observou que “o Brasil possui ritmos como samba e bossa nova, mas assistir a uma apresentação clássica brasileira foi maravilhoso”.

Músicas

Na apresentação no Pavilhão Brasil, as seguintes músicas foram tocadas:

Heitor Villa-Lobos
Bachianas brasileiras No.4, W264, 424
Johann Sebastian Bach
Concerto for 2 Violins in D minor, BWV 1043
I. Vivace
II. Largo, ma non tanto
III. Allegro
Han Taesoo
The Beautiful Nation
Itay Dayan
Rhapsody of the Nations
Astor Piazzolla
Fuga y Misterio
Medley (arranjo Nilson Lopes)
Marcos Valle: Samba de Verão
Zequinha de Abreu: Tico-Tico no fubá
Levino Ferreira: Último dia

Homepage: www.orquestracriancacidada.org.br

Foto: ApexBrasil

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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